quinta-feira, 11 de abril de 2013

Antonio Carlos Jobim


Reler livros, um hábito antigo. Os bons livros se renovam como nuvens a cada releitura, cada revisita. O fenômeno está acontecendo agora quando releio "Antonio Carlos Jobim - um homem iluminado", escrito por sua irmã Helena Jobim, que me autografou um exemplar em 17 de maio de 1997, mês de lançamento da obra.

Esse livro me mostrou que o Tom foi (e é) muito mais extraordinário do que eu imaginava. Mesmo a longa entrevista que tive o privilégio de fazer com ele em 1992, na churrascaria Plataforma, sequer chega perto do relato de Helena.

É um livro muito comovente porque mergulha numa pessoa que foi açoitada por angústias, ansiedade, questionamentos que se transformaram em música, discos e grandes, mas grandes projetos. Graças ao livro da Helena, que estou tendo o privilégio de reler (sugiro que todos façam o mesmo) descobri um Tom Jobim eternamente garoto. E como garoto, contemplando os bichos pelas florestas por onde andou (especialmente na região de Passo Fundo, Estado do Rio, onde tinha o sítio/conforto/lar) me senti muito próximo. Helena descreve Tom piando para aves como eu e meu irmão fazíamos com um amigo, um mateiro chamado Benedito, que nos acompanhava em aventuras indescritíveis pelas matas de Angra dos Reis.

Tom Jobim era aquariano, eu também sou. Um amigo, também deste signo, costuma chamá-lo de "mentes caóticas futebol clube" e é a pura verdade. O transtorno, o perfeccionismo, o leve desespero que acompanhou Jobim a vida toda, sempre bate à minha porta. E a do meu amigo também.

Esse pássaro na foto, um tiê-sangue, simboliza a minha infância. Estou falando de 1960, 1961, quando tinha 5 anos de idade. O tiê já era raro e hoje, dizem, está extinto. Ficávamos dias e mais dias esperando que ele pousasse no gramado só para vê-lo. O vermelhão contrastando com o verde da grama e o azul do céu. Taí, vou eleger esse quadro a nova imagem de minha infância. Grato, sempre, a Helena e Antonio Carlos Jobim.