quinta-feira, 18 de abril de 2013

Jornalista


Fui buscar um relógio de estimação no conserto. Fui a pé mesmo porque o relojoeiro (excelente, se chama Cesar) fica aqui no bairro. No caminho, um conhecido que não via há tempos. Estava num bar, numa micro-esquina onde, dia sim, outro também, uma kombi que com pra quinquilharias fica estacionada.

O conhecido perguntou se eu continuava na profissão (jornalista) eu disse que sim. Falei deste blog, comentei que estou mandando currículo para algumas Redações e que em breve a editora NitPress, do Luiz Erthal, vai fazer um alvoroço com meu e-book didático MANUAL DE SOVREVIVÊNCIA NA SELVA DO JORNALISMO. Tenho o maior orgulho deste livro e quem quiser conhecer basta clicar neste link: http://nitpress.webstorelw.com.br/t/e-books/

Eu já ia saindo, mas o conhecido insistiu para tomarmos um café. OK, tudo bem. Ele abordou "estou há um tempão pra te perguntar, mas sempre esqueço. Você também se acha um jornalista detestado?" Ele estava se referindo a uma entrevista de um colega que, com razão, disse que boa parte da humanidade nos detesta. Expliquei ao conhecido que muitos bandidos não gostam da gente, muitos policiais também. Juízes e advogados, penso que a maioria atura, motoristas, pilotos de avião, médicos, meio a meio. Enfim, na boa, preto no branco, só o povo nutre alguma simpatia por nós. Estou na profissão há 40 anos e já acumulei milhagem suficiente para dizer, sem ressentimento, que muita gente detesta jornalistas. Jornalistas sérios, é bom deixar claro.

O cara quis pagar o café, não deixei e saí pensando naquilo. Sou um profissional com uma ficha limpíssima (graças a Deus) e provavelmente, ao longo desses 40 anos de palácios, barracos, asfalto e cascalho, devo ter colecionado muitos desafetos. Em nome da notícia. Pois é, fazer o que? Começar de novo.

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