sexta-feira, 3 de maio de 2013

Amigos


Tempos atrás, vi na TV um comercial de uma montadora de automóveis que inseriu na trilha sonora uma versão bem suave de “With a Little Help From My Friends”, um clássico dos Beatles de 1967.  A canção veio ao mundo a bordo do lendário álbumSgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” e rapidamente estourou em todo o planeta. Há quem não saiba, mas quem canta na versão original é Ringo Starr.

A música ganhou diversas versões, sendo uma das mais brilhantes a que o gigacantor Joe Cocker mostrou no festival de Woodstock, em 1969. Certa vez, numa entrevista, Cocker atribuiu o sucesso de sua versão de “With a Little Help...” não à música em si, mas à necessidade que as pessoas têm dessa figura sagrada chamada amigo. A música cultua a "pequena ajuda dos amigos", capaz de nos erguer, nos fortalecer, enfim, Lennon & McCartney deixaram claro que "sem amigos não dá". No comercial de TV a imagem mostra diversas formigas trabalhando em uma árvore, simbolizando a união que faz a força, que nos aproxima da perfeição. De Deus.


Quem nunca precisou de "uma pequena ajuda dos amigos"? William Shakespeare escreveu: "Perguntei a um sábio a diferença que havia entre amor e amizade, ele me disse essa verdade... O amor é mais sensível, a amizade mais segura. O amor nos dá asas, a amizade o chão. No amor há mais carinho, na amizade compreensão. O amor é plantado e com carinho cultivado, a amizade vem faceira e com troca de alegria e tristeza, torna-se uma grande e querida companheira. Mas quando o amor é sincero ele vem com um grande amigo, e quando a amizade é concreta ela é cheia de amor e carinho. Quando se tem um amigo ou uma grande paixão, ambos os sentimentos coexistem dentro do seu coração."


Enquanto escrevo ouço uma outra versão de “With a Little Help From my Friends” com o Deep Purple totalmente arrepiante. Aliás, não conheço uma versão dessa canção que não abra os portais da minha emoção. Certamente num momento pessoal de muita comoção, Albert Einstein escreveu: "Pode ser que um dia deixemos de nos falar.../Mas, enquanto houver amizade/Faremos as pazes de novo./ Pode ser que um dia o tempo passe.../ Mas, se a amizade permanecer / Um do outro há de se lembrar. /Pode ser que um dia nos afastemos.../ Mas, se formos amigos de verdade/ A amizade nos reaproximará./ Pode ser que um dia não mais existamos.../ Mas, se ainda sobrar amizade/ Nasceremos de novo, um para o outro. / Pode ser que um dia tudo acabe.../ Mas, com a amizade construiremos tudo novamente/ Cada vez de forma diferente. / Sendo único e inesquecível cada momento /Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre./ Há duas formas para viver a sua vida: / Uma é acreditar que não existe milagre./ A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre./ Especialmente os amigos."


Inventaram o Dia do Amigo. Muita gente ridiculariza a data, mete o pau, acha que dia do amigo é todo dia, enfim, aquela balela. Mas, a meu ver, nesse corre-corre em que vivemos a data se tornou importante porque, no mínimo, leva muita gente a lembrar dos amigos, procurar um ou outro. Afinal, não foi à toa que os Beatles fizeram “With a Little Help from my Friends”. Paul McCartney fez o disco praticamente sozinho e, em muitos momentos, precisou de uma pequena ajuda dos amigos. Principalmente de John Lennon que, apesar (e por causa de) das pancadarias foi, sem dúvida, o seu melhor e mais rascante radical amigo.

Assista: