quarta-feira, 15 de maio de 2013

"Lembro bem...Janis (Joplin) na garupa mordeu as minhas costas no meio de uma curva...a moto derrapou e fomos parar no chão" (Serguei).



Poderia escrever mais de 300 bogs só com as estórias, histórias e delírios de Serguei, meu camarada, meu chapa, um cara super do bem, cantor, lenda viva. Vamos voltar alguns anos, quando ele ainda não gostava de dizer que teria sido comido por Janis Joplin e também por um marinheiro escandinavo que surgiu não se sabe de onde na praia da Macumba, no Rio.

De uns tempos para cá, principalmente depois de ter dito no Programa do Jô que “sou um pansexual que transa até com as árvores”, Serguei passou a falar do ménage que fez com Janis e com o marinheiro no carnaval de 1970, quando ela veio para o Rio fugindo da heroína. Morreu em 4 de outubro, do mesmo 1970, de overdose de heroína, droga que não perdoa. Mata.

Uma história que Serguei me contou, e que é contestada por uma multidão, foi o tal acidente de moto que ele teria sofrido com Janis na garupa. Principalmente quando afirma que pilotava uma Harley Davidson de 1.200 cilindradas. Todo mundo diz que Serguei só anda de bicicleta e que jamais pilotou uma moto. Será? Vamos a ele:

“Janis tinha sido expulsa do Copacabana Palace por estar nadando nua na piscina. Eu a conheci no dia seguinte da expulsão quando ela foi a uma boate (inferninho) onde eu estava cantando. E foi ali que tudo começou a rolar. Bem...um amigo me emprestou sua moto, uma Harley grande, e eu disse a Janis “let´s go to Cabo Frio”, e ela falou que tudo bem. Fomos”.
Serguei contava essa história sem titubear, olhando o interlocutor nos olhos. 

Eu mesmo disse a ele que “muita gente diz que você não sabe andar de moto” e ele rebateu “inveja, pura inveja das pessoas. Sempre andei de moto, mas parei depois desse acidente”. Um acidente que, segundo Serguei, “avisou”. “Quando entramos na barcaça (FOTO) do Rio para Niterói, onde pegaríamos a estrada para Cabo Frio eu fiquei nervoso na rampa de acesso a barca e quase caí. Janis, na garupa, muito louca de cachaça e maconha, caiu na gargalhada”.

O cantor diz que ninguém sabia quem era Janis Joplin. Verdade! Pouca gente a conhecia no Brasil naquele fatídico 1970. Mais: a biografia oficial de Janis narra esse episódio da expulsão do Copacabana Palace e uma ronda que ela fez pelos dancings de Copa e até da Praça Mauá. Voltamos a Serguei:
“Saímos da barcaça e seguimos para a estrada. Janis não parava quieta na garupa. Ela ria, se mexia, falava obscenidades em meu ouvido, enfim, festa. 

Andamos mais de uma hora e na altura de Araruama ela mordeu minhas costas no meio de uma curva. Perdi o controle da moto que foi pro chão. Me ralei todo. Janis praticamente nada sofreu porque estava com calça e casaco de couro. No asfalto eu gritei, chorei muito e fui levado para um pronto-socorro. Ninguém reconheceu Janis. Ninguém! Eu estava preocupado porque o dono da moto poderia me matar. Por isso, quando deixei o hospital fiquei de joelhos para um caminhoneiro que concordou em levar a moto de volta para Niterói. Eu e Janis viajamos na boleia. Em Niterói, de novo, a barcaça para o Rio. Da Praça 15, levei a moto e deixei na porta da casa de meu amigo com um bilhete, cujo teor prefiro não revelar”.

Mais um capítulo da vida lotada desse grande artista chamado Serguei. Será fato? Será boato? Será lenda? Ninguém sabe.