quinta-feira, 9 de maio de 2013

Os urubus nas redes sociais


Texto restaurado e remixado.
Meses atrás, meio tarde, meio cedo (ainda não cheguei a conclusão se meia noite é cedo ou tarde), estava no Facebook conversando com pessoas visíveis, invisíveis, reais, virtuais e tudo mais. Logo que acessei o FB notei que a caixa de mensagens estava cheia e das oito ou 10, umas quatro eram do mais indigno baixo astral.

Percebi que as pessoas que estavam depositando ali seus rancores, ódios, complexos e similares contra a Humanidade eram as mesmas, transformando aquele lugar, entre aspas, numa espécie de caderneta de poupança de fracassos. Ou lixão de desesperança. Gente que usa as redes sociais para estragar o ambiente, todo dia, toda hora. Não, não estou falando das pessoas que desabafam, que compartilham problemas, mas das viciadas em tragédias, em negativismo, em pessimismo, provavelmente amantes do jornalismo mundo cão.

O que fiz? Impensadamente, confesso. Deletei todas as hienas da minha lista. Digo impensadamente porque se eu fosse refletir mais cinco ou 10 minutos com certeza ia relevar, argumentando para mim mesmo que “coitado, deve estar passando por uma fase difícil”. Mas, o ato impensado contra-argumentou que tem gente que está em fase difícil desde que nasceu por uma razão muito simples: gosta de gemer. Gosta de reclamar. Gosta de criticar na base do azedume. E, numa boa, com toda a franqueza, eu não sou telhado pra urubu largar barro em cima.

Deletei os personagens e escrevi no próprio Facebook dizendo que não agüentava mais baixo astral e que, por isso, tinha feito uma devassa em minha lista de “amigos”, degolando vários. Sob a montagem visual, escrevi um texto em caixa alta: “FIZ UMA LIMPEZA NA MINHA RELAÇÃO DE AMIGOS AQUI NO FB. DETONEI TODOS OS PESSIMISTAS, NEGATIVÓIDES, GENTE DE MAL COM A VIDA QUE EM VEZ DE PARTIR PARA CRÍTICAS CONSTRUTIVAS DECIDIU OPTAR PELA LAMÚRIA, PELO FARFALHAR DO "DESGRACISMO". BASTA!!! NÃO TENHO MAIS SACO.

Para a minha surpresa, no dia seguinte havia 46 comentários apoiando o que fiz. Sim, 46! Ou seja, quando os reis da animação inventaram a hiena Hardy Ha Ha (“ó vida...”) sabiam que havia demanda.
Criticar é fundamental. Por exemplo, um dia desses choveu e o trânsito deu um no em toda a região metropolitana do Rio hoje. Filas quilométricas nas barcas. Muita gente reclamou, com razão.

Não estou condenando o senso crítico, ou o desabafo de um mau momento, que todo ser humano tem. Eu limei, passei a foice, nos viciados em baixo astral, “droga” que a meu ver está entre as piores porque é transmitida pelo ar e acaba contaminando. Estou longe de ser um alienado que fica soltando pipa perto de cabos de alta tensão. Mas, usar redes pessoais, sociais e até pensamentos que servem única e exclusivamente a lamúria, aos horrores, ao “tudo está errado”, tô fora.