segunda-feira, 20 de maio de 2013

Porranca geral em rede nacional


Texto restaurado e remixado

Como quem não quer nada, provavelmente subornando pelas beiradas, a máfia do álcool recolocou as garras de fora. A propaganda de bebidas destiladas, que estava banida da TV, voltou e, pelo vi$to para ficar. Tempos atrás, a multinacional Johnny Walker veiculou nas principais emissoras um comercial esplêndido que mostrava o Pão de Açúcar levantando e, como um gigante, sai andando em direção ao mar. No final do anúncio a mensagem “o gigante não está mais adormecido”. Atualmente uma fabricante de vodca veicula um anúncio tão bêbado que lá pelas tantas um dos personagens mergulha dentro de uma moldura de quadro na parede.

Enquanto em todo o mundo desenvolvido a guerra contra o alcoolismo chega as vezes ao radicalismo extremo, no Brasil, onde quase 50 mil pessoas morrem anualmente no trânsito (80% por causa de quem dirige bêbado) estão afrouxando o nó descaradamente. Como já disse lá em cima, há sinais de que a máfia da birita deve estar molhando, muito bem, a facção do governo que libera seus comerciais, sempre usando jovens de 20 e poucos como atores.

Não é para estranhar. Há tempos que a cerveja é tratada como se fosse refrigerante. Os anúncios vão ao ar em horário nobre, sempre associando a imagem de jovens esportistas, comedores, etc. Em um desses comerciais, graças a cerveja, o interior mórbido de uma baleia se transforma em boate. O mesmo ocorre naquele em que os viciados se jogam no mar infestado de tubarões para pegarem uma caixa de cerveja. Ou seja, vale tudo por um gole. Essa é a mensagem.

Se os governantes fossem sérios tomariam uma decisão radical (como foi a dos anúncios de cigarros) e baniriam de vez o marketing do alcoolismo. Mas é nessas horas que vejo que ainda estamos muito longe de nos tornarmos uma tribo civilizada. Mesmo que o gigante da Johnny Walker diga “Keep walking, Brazil”. A corrupção não quer saber quem mata ou quem morre. Quer a parte dela e que se dane o resto. Todo mundo sabe que cerveja é álcool, pega pesado, mas inexplicavelmente ($$$$$$$) é tratada como bebida inofensiva pela Lei. Conheço alguns ex-alcoólatras que só bebiam cerveja. Nas lojas de (in) conveniência dos postos de gasolina (onde obviamente deveria ser proibido vender bebida) o que mais vejo é cafajestinho de moto comprando ice vodka e cerveja. Ohhhh, a lei diz que é proibido beber dentro da loja, ohhhh. Eles bebem do lado de fora. E saem, em disparada para matar ou morrer. O governo? Dorme sobre os bilhões da corrupção e que se dane o avião.