quinta-feira, 30 de maio de 2013

Um vácuo entre Bob Dylan e Joan Baez





Texto restaurado e reeditado

Tempos atrás recebi um texto com uma entrevista de Joan Baez (63 anos) a um site de celebridades dos Estados Unidos onde ela toca num assunto que todo mundo achava que já estava mais do que resolvido: o seu romance com Bob Dylan (72 anos). Os dois se apaixonaram e ficaram juntos entre 1963 e 1965. Tempo pra caramba.

Mas, ainda hoje, Baez parece não ter varrido plenamente Bob Dylan. Gozado é que quando ela esteve no Brasil, em maio de 1981, quando a ditadura a proibiu de cantar sob a alegação de que era subversiva, depois da entrevista coletiva no Rio ficamos conversando noite a dentro. Ela descasca bem um espanhol e lá pelas tantas falei de Bob Dylan. Ela ficou muda. E depois disse que não gostaria de tratar de assuntos mais desagradáveis do que as censuras brasileira, argentina e chilena; ela foi proibida de cantar também no Chile e Argentina.

No texto que recebi, ela diz que Bob Dylan foi dissimulado e levemente mau-caráter com ela. “Logo que nos conhecemos ele falava até em casamento, mas na semana seguinte ficava tocando violão, fumando haxixe e maconha, olhando para o teto como se eu não estivesse ali.”. O curioso é que numa das vezes em que esteve no Brasil (quando se apresentou no antigo Imperator, no Méier, anos 90 eu acho), o cronicamente mal humorado Dylan, que não queria dar entrevistas, saiu do carro andando em frente ao hotel e eu perguntei “about miss Joan Baez, what…”. Não passei daí. Ele parou e me torrou com o olhar. Seguiu em frente.

Um amigo meu conhecido como Canhão, que não vejo desde os anos 80, grande conhecedor de música folk dizia que o caso de Dylan e Baez foi o velho “amor de pica, onde bate fica”. Eu sempre discordei de Canhão porque a Joan, antes de namorar Dylan, era fã do cantor e a questão aparentemente não passava por ingredientes fálicos. Bom, fato é que ela não superou até hoje, apesar de inúmeras vezes ter sido vista sorrindo ao lado do músico em diversas ocasiões depois do barraco entre os dois. A reação dela na minha frente quando falei de Bob Dylan foi outra demonstração de que o cara deve ter feito lambanças das grandes. Canhão me dizia, ainda, que Dylan fez de Joan tangerina, chupou sua fama e depois jogou o bagaço fora. Será? Não sei, mas que existe um tufão entre ela e ele, isso há.

Por falar em Bob Dylan e o segundo volume de suas “Crônicas”? Iam ser três livros, saiu um, muito bem traduzido pelo historiador Eduardo Bueno, mas o segundo e o terceiro volume, nada. Nem lá fora. O que terá acontecido? É. Esquisitão esse Bob Dylan mesmo.