sábado, 31 de agosto de 2013

O homem que entrou de sunga na igrejinha da empáfia

Laurentino Gomes é um escritor best seller que está prestes a atingir a marca de um milhão e seiscentos mil livros vendidos. Ele não fala difícil e nem usa fantasias inventadas pela cronicamente decadente aristocracia que baixou no Brasil quando a corte portuguesa fugiu de Napoleão (milhares de pessoas) e veio se esconder no Rio.

Laurentino Gomes é jornalista e historiador, e seu livro campeão de vendas chamado “1808” trata dessa vexatória fuga da corte. Sob o título do livro, a frase: “Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil”. Como resistir? Como não comprar este livro?

Laurentino pertence a nova geração de historiadores, escritores e educadores que jogaram no lixo o corporativismo da empáfia. Eduardo Bueno e Leandro Narloch também estão no grupo. Laurentino usa linguagem informal, não constrói frases rebuscadas inventadas por trás da balaustrada que escondia os intelectualóides.

Objetivo, dono de um texto jornalístico baseado em farta pesquisa realizada em diversos países, ele escreveu, também,“1822”, sobre o nascimento do Brasil independente. Outro livraço. Subtítulo: “Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado”.

Agora, o homem que entrou de sunga na igrejinha dos insolentes e presunçosos, está lançando “1889”. Subtexto na capa: “Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil”.

O livro está sendo anunciado em horário nobre nas redes de TV, o que, sinceramente, nunca vi acontecer. Até a chegada dos libertadores como Laurentino, livros de História eram produzidos sob o manto do terror reverencial. A nova geração de historiadores abriu o baú, tacou naftalina dentro e libertou a nossa História que agora está aberta a visitação pública. 

Sem rococós, adornos, leques, o que é ótimo para todo mundo. Menos para eles, os altivos que ainda se deslocam pelas sombras ardendo de leve desespero.

Claro que lerei “1889” porque, como disse ali em cima, a qualidade do texto e da pesquisa de Laurentino Gomes convida à leitura. Ele não teve receio de falar das intimidades de D. João VI e muito menos de D. Pedro I, ou da personalidade golpista e arrivista de Carlota Joaquina, porque pesquisou fundo antes de sentar no computador para escrever.


Sim, temos um escritor que virou pop star! E isso é muito bom para todos os brasileiros. Todos!