quarta-feira, 18 de setembro de 2013

“Na Estrada” (On The Road), de Walter Salles

                                                        


Assistindo o comentário que fiz no programa Café Paris sobre o filme “Na Estrada” (veja em www.programacafeparis.com.br), fui lá atrás e repesquei esse artigo sobre o filme que escrevi aqui para o blog.

Perdi as contas de quantas vezes li On The Road. Um livro diferente a cada leitura. Também perdi a conta de quantos exemplares perdi, a ponto de ficar sem nenhum durante longos e ansiosos meses. Acabei providenciando uma boa edição, muito bem traduzida pelo também jornalista e historiador Eduardo Bueno.

Só que não li. Minha dúvida é se releio antes ou depois de assistir ao filme. É um livro dificílimo porque trata da liberdade anárquica e informal, do desprendimento desvairado, transviado, multiconceitual dos beats nas estradas norte-americanas, numa linguagem deliciosamente subversiva. Mas, algo me diz que não vou me decepcionar com o transplante que Walter Salles fez do livro para a telona.

No primeiro parágrafo de sua resenha, um jornal publica: “Jack Kerouac termina o primeiro capítulo de “On the road” com: “Eu era um jovem escritor, e tudo o que queria era cair fora. Em algum lugar ao longo da estrada, eu sabia que haveria garotas, visões e muito mais; na estrada, em algum lugar, a pérola me seria ofertada”.

Para fazer a adaptação cinematográfica da obra que lançou e marcou a geração beat, Walter Salles colocou seus personagens para percorrer o caminho atrás dessas pérolas e encontrar os sentimentos à flor da pele descritos no romance. Tudo isso regado ao som de jazz, sexo, álcool e drogas.”

Mas, por trás dessa cortina ácida há muito, mas muito mais pano encharcado de éter do que supõe nossa mais aguda intuição. Em entrevista, Walter dá uma pista: “Como ele vai ser recebido hoje eu não sei, a gente nunca sabe. Eu li pela primeira vez quando eu tinha 18 anos e aquilo me marcou profundamente. Quando saiu traduzido no Brasil, em 1984, li novamente. Peguei novamente antes de rodar "Diários de Motocicleta" e agora para o "Na Estrada". Espero que com o filme mais gente tenha o prazer de conhecer essa história e ver as pessoas que vivem as suas possibilidades.”

Eu também espero, Salles. Só lamento que você não tenha batizado o filme com o título original, On The Road. “Na Estrada” ficou empenado.