domingo, 6 de outubro de 2013

Copacabana não engana

                           
                                                       
Tenho sonhado muito com Copacabana*, que há tempos frequenta minhas memórias. Se me pedissem para simbolizar o mais democrático bairro do Brasil, eu mostraria a foto que ilustra a coluna de hoje. Não fui eu quem fiz, mas nos anos 70 cliquei uma muito parecida, 7 horas da manhã, dia de semana, no Leme que, para mim, Copacabana também é.

Os leitores que, em tese, coleciono ao longo de mais de 40 anos de jornalismo sabem que amo minha cidade, Niterói. Mas também sabem do meu amor, jamais secreto, por Copacabana, onde morei esporadicamente umas três vezes (incluindo o Leme), dos anos 70 até hoje.

Foi em Copacabana que entrevistei Nara Leão pela primeira vez. Lembro que quando entrei em seu apartamento fui tomado por um vendaval de emoções pois ali, naquele salão de frente para a avenida Atlântica, nasceu a bossa nova. Pensei em meu hoje amigo Roberto Menescal, com Ronaldo Boscoli, Tom Jobim, Carlos Lyra, todo mundo ali no sal, céu, sul, as três marcas da bossa que acabaram redesenhando um novo Rio de Janeiro, novo Brasil, a partir de Copacabana.

São dezenas de anos de contrastes urbanísticos e sociais convivendo harmonicamente pelas avenidas, artérias, becos, muquifos, palácios, coberturas, areia, mar. Copacabana é um patrimônio da pluralidade humana em sua mais profunda definição, se é que existe uma definição finita para isso. Em Copacabana amei muito e, apesar de todo escalavrado, descia a pedra do Leme quase todas as noites direto em direção a uma carrocinha da Geneal onde comia várias daquelas minipizzas com minha namorada, final dos anos 70.

E também ia a praia, ia a pequenos bares ouvir bossa nova, percorria a noite a calçada interna onde, volta e meia, sentava numa mesa de um restaurante chinês barato e comia aqueles quitutes cheios de óleo que nunca me fizeram mal. Copacabana nos protege.

Minha ideia era escrever uma homenagem ao bairro, mas acabei migrando para uma trilha existencial porque meu inconsciente entrou em cena e tomou conta da situação. Como esquecer do dia em que fui ao “sítio” onde morava Roberto Menescal e família? Sim, um grande apartamento térreo na Nossa Senhora de Copacabana, com um quintal com mais de 100 metros de extensão, cheio de árvores, micos e pássaros. Em plena Copacabana.

E no dia do meu aniversário, 18 de fevereiro de 2006, como jornalista assisti aos Rolling Stones em frente ao Copacabana Palace tocando para mais de um milhão de pessoas. Eu, Jamari França, Lula Tiribás e outros a menos de cinco metros do palco, dando a impressão de que Keith Richards tocou para a gente. Só em Copacabana.

Tenho muito mais a dizer, mas textos na internet não devem ser muito longos, dizem os especialistas. Meu amor incondicional por Copacabana encheu meu cofre de momentos felizes. Ah, sim, o Copacabana Palace, que frequentei uma época por conta de inúmeras entrevistas que eram realizadas naquele charmosíssimo lobby. Fiquei a dois metros de Catherine Deneuve, que entrevistei, eu acho, pro Estadão. E também Alan Parker, Roger Waters, Ron Wood e uma grande cantora e compositora folk norte-americana, cuja entrevista começou no lobby e terminou em sua suíte onde fiquei internado três dias. Três dias de paz, amor e música. Quem é? Só Copacabana sabe. Sabe e cala.

* Está na Wikipédia - Há várias hipóteses etimológicas para o nome Copacabana. A primeira alega que o termo teria vindo da língua quíchua falado no antigo Império Inca, significando "lugar luminoso", "praia azul" ou "mirante do azul".
Outras fontes apontam o termo como originário da língua aimará falada na Bolívia, significando "vista do lago" (kota kahuana). Nesse país, Copacabana é o nome dado a uma cidade situada às margens do Lago Titicaca, fundada sobre um antigo local de culto inca. Existem relatos de que, nesse local, antes da chegada dos colonizadores espanhóis, ocorria o culto a uma divindade chamada Kopakawana, que protegeria o casamento e a fertilidade das mulheres.
Segundo a lenda, após a chegada dos espanhóis à região, Nossa Senhora teria aparecido no local para Francisco Tito Yupanqui, um jovem pescador, que, em sua homenagem, teria esculpido uma imagem da santa que ficou conhecida como Nossa Senhora de Copacabana: a Virgem vestida de dourado pousada sobre uma meia-lua.

No século XVII, comerciantes bolivianos e peruanos de prata (chamados na época de "peruleiros") trouxeram uma réplica dessa imagem para a praia do Rio de Janeiro então chamada de Sacopenapã (nome tupi que significa "caminho de socós"). Sobre um rochedo dessa praia, construíram uma capela em homenagem à santa. Tal capela, com o tempo, passou a designar a praia e o bairro. Tal capela veio a ser demolida em 1914, para ser erigido, em seu lugar, o atual Forte de Copacabana .