sábado, 12 de outubro de 2013

Jimmy Page ou Jimi Hendrix?

                           
                                                      


Texto restaurado e reeditado

Quando acabou o papo que Maria Juçá (Circo Voador), Márcia Bulcão (ex-Blitz) e eu tivemos meses atrás numa palestra sobre nos 80, um leitor/ouvinte me abordou. Ele lembrou que eu disse uma vez, na Globo FM, onde tive um programa chamado Soft Rock depois de ter montado o projeto da primeira fase da rádio (1985) que não sabia quem é (falo no presente porque o legado dos dois está aí) o melhor guitarrista da história do Rock: Jimi Hendrix ou Jimmy Page.

Foi bom esse ouvinte ter tocado no assunto porque, anos atrás, quando Robert Plant e Jimmy Page lançaram o fantástico case (DVD e CD) chamado “No Quarter”, cheguei, finalmente, a conclusão: Jimi Hendrix é o melhor do mundo segundas, quartas e sextas e Jimmy Page terças, quintas e sábados. Domingos? Metade para cada um.

Ambos tem o blues como essência, alma, referência, razão de viver e tudo mais. Hendrix é feroz, visceral, animal e também doce, sutil, e navega à bordo de uma genialidade crônica. Nunca foi reconhecido como grande cantor porque sua guitarra estava acima de tudo. Nunca fez nada mais ou menos ou razoável. Sua obra é genial de ponta a ponta.

Page, que segundo Carlos Santana é o Stravinsky da guitarra, desde os 15 anos de idade ganha dinheiro como músico de estúdio. Foi nos gigantescos estúdios ingleses, em especial da EMI, gravando trilhas para 007 e outros clássicos do cinema, que Jimmy Page desvendou os segredos, enigmas, feitiços dos estúdios e transportou para a sua guitarra.

Quem assistiu ao filme “A Todo Volume” (disponivel em DVD legendado no Brasil, distribuído nas boas locadoras), um documentário sobre um “papo” entre Page, Edge e Jack White viu as cenas do criador do Led Zeppelin, adolescente, de terninho à frente de gigantescas orquestras, sendo chamado de James Patrick Page.

Ou seja, Hendrix e Page foram morar numa cobertura no Olimpo de nossos heróis e de lá não irão sair. Influenciaram (e inflenciam) gerações e mais gerações de guitarristas e, inegavelmente, até o próprio Jeff Beck (que ele não me leia) dá umas “hedrixiadas” de vez em quando. Acho que respondi ao ouvinte, que é leitor deste blog também.