sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O marketing do verão

                           
                                                  

Assim como existe a temporada dos tufões e furacões, terremotos e nevascas em outros países, o flagelo dos países tropicais é representado pelas tempestades de verão.

Reconhecer essas manifestações naturais é o primeiro passo para amenizar suas consequências. Japão, Estados Unidos e outros países assolados por terremotos desenvolveram tecnologias que tornam as cidades mais resistentes.

Da mesma forma que tufões e furacões, em países desenvolvidos, são amenizados com a construção de abrigos, vedação de casas e prédios e muita infraestrutura.

É óbvio que terremotos, tufões e furacões continuam matando, mas em lugares onde a seriedade do Estado entrou em cena seus danos são muito menores do que em regiões onde a lambança com o dinheiro público ocupa o lugar da responsabilidade com o bem comum.

É o caso do Brasil. O Globo de hoje informa que 91 dos 92 municípios do Estado do Rio (praticamente 100%) tem pelo menos 20 pontos com risco de desabamentos com as chuvas de verão.

Um fenômeno que não é e nunca foi novidade por aqui. Segundo Nancy Dutra da Folha de S. Paulo (edição de fevereiro de 2011) “O Rio sofre com os efeitos das tempestades desde 1700, de acordo com registros de jornais na época. Há relatos de 1711 sobre inundações e de 1756 de fortes chuvas e ventos com vítimas.”

Ou seja, desde sempre chove forte nos verões fluminenses e, também desde sempre, rouba-se muito dinheiro público que deveria ser usado em contenção de encostas, limpeza de rios, etc.

Quase três anos depois da maior tragédia natural registrada na história do Brasil, o temporal que matou 910 pessoas nas cidades serranas do Estado do Rio em janeiro de 2011, pouco ou quase nada foi feito.

Quem vai a Friburgo, Teresópolis e Petrópolis encontra o mesmo quadro: favelas em expansão pelas encostas, rios precisando de dragagem, enfim, é como se nada tivesse acontecido.


Culpa da cafajestagem política, da leniência, corrupção e impunidade. No entanto, o marketing do verão, inventado pelo jeitinho brasileiro, canta que é tempo de chuva, suor e cerveja. A ordem é deixar rolar. Que rolem barracos pelas encostas, que rolem cabeças, que reine a barbárie e a boçalidade nos bairros com praias porque, afinal, é verão. Uma estação que poderia ser celebrada não fosse o desleixo do poder público.