segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Ouvindo (de novo) o Led Zeppelin

                           
                                                  
                                          Acústico.
                Zeppelin
    Teresópolis
    Zeppelin
    O Higino
    Um vinil
    Teresópolis mereceu essa placa um dia
    Cenário de nossos verões
Lixamos vários desses vinis

Mais cedo eu estava fazendo a pré-edição do programa CAFÉ PARIS (www.programacafeparis.com.br) que vai ao ar no dia 27 deste mês. Recebi um vídeo raro, gravado mês passado, de uma banda de garotas norte-americanas cantando, muito bem, um clássico do Led Zeppelin.

Não consigo ouvir apenas uma canção do Zeppelin, mesmo que não seja com Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham. A pré-edição rolou normalmente e preparei o material para a edição final, em som surround e tudo mais.

Cheguei em casa e não deu outra. Ouvi várias canções do Zeppelin, com o Zeppelin, que estão espalhadas nos nove álbuns da banda todos de estúdio (de 1969 a 1980), com exceção do duplo, ao vivo, “The Song Remais The Same”, de 1976. São nove obras-primas porque, em se tratando de Page, Plant, Jones e Bonham, não há nada razoável ou bom. É tudo excelente, do cacete, sensacional. 
Impressionante isso.

Não ia escrever esse artigo e sim mandar um e-mail para o amigo, colega e guru de rock Brasil Jamari França. Mas, o desejo/necessidade de publicar emoções, suores, reflexões e, sobretudo, flagrantes da memória não recente é um dos milhares de magistrais efeitos colaterais que o Led Zeppelin traz à bordo de suas canções.

Ouvi o lado mais acústico do grupo. Por que? Não sei. Na verdade ando numa fase existencial acústica, contemplativa, eventualmente insone, totalmente Led Zeppelin. Penduradas nas canções, lembranças de minha adolescência, ouvindo Zeppelin em profusão, lixando LPs de vinil até gastar. Eu, meu irmão Fernando Cesar e nossos amigos de verão na também amada e fiel depositária de nossas vastas emoções e pensamentos imperfeitos da adolescência (obrigado Zé Rubem Fonseca por esse belo título de livro), uma cidade chamada Teresópolis.

Não dá para ouvir o Led Zeppelin e não lembrar dos raios acrilíricos explodindo no Dedo de Deus, minha jaqueta de camurça verde-garrafa, cabelos a la Roger Daltrey (pelo menos era a minha intenção) na altura dos ombros, meu irmão, também cabeludo, passando a vários quilômetros por hora montado numa Yamaha 200 cilindradas azul, que pegava emprestado com um amigo.
Verões de 1970, 1971, 1972, 1973, todos eles foram embalados pelo Led Zeppelin. The Who? Sempre, mas o Zeppelin tinha (e tem) seu espaço em meu coração eternamente teen. Por que não? Por que só os boçais podem se sentir eternamente teens? Ou serei um boçal e não sei disso?

E aí, hoje, ouvi de novo o Led Zeppelin, com direito as novas descobertas que sempre ocorrem a cada audição, mais uma leve e ao mesmo tempo dramática saudade de mim mesmo, de meu irmão, do Marcel da loja de móveis chamada Garagem, do Paulinho, do Renatinho, da Elma, da Helen, da Deinha, Terê, boate Bowling, no Alto, as duas boates do Higino, em especial a do subsolo onde só rolava rock progressivo, escuridão e garras femininas esparramadas em nossos recantos misteriosos e ardentes. E, lá pelas tantas, o discotecário (não lembro do nome, um gordo que sabia tudo de música) despejava um inteiro LP do Zeppelin. Direto. Lá pelas 3 e varada da madrugada. Tocava o Zeppelin, acendia as luzes, íamos embora e o Higino fechava.

Não sei por que não usam mais o slogan "Cidade dos Festivais" para Teresópolis. Assisti a espetaculares festivais de cinema, teatro e música lá. Aliás, uma vocação da cidade que merecia um retorno.

Esse é um dos poderes da música. Transportar no tempo com apenas dois ou três acordes, para lugares onde estivemos, gostaríamos de ter ido ou que ainda iremos. Mulheres maravilhosas que o Zeppelin seduzia para nós e que depois, como um solo de Jimmy Page, descarregavam seus indomados raios, gozos e unhadas de mulheres feitas cheirando a Campari. Sem saberem que eram mulheres feitas e muito menos se era mesmo Campari o que bebiam.


Hoje eu ouvi, de novo, o Led Zeppelin. E poderia virar o dia, a noite, os meses escrevendo. Mas, melhor parar. Melhorar parar e pensar na edição definitiva do CAFÉ PARIS.