quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Caros amigos, onde quer que estejam

                           
                                                               


Meus amigos são como os amigos de muita gente. Com o passar do tempo, cada um toma um rumo no mundo, na vida, no tempo, nessa maravilhosa bruma chamada existência. Alguns me disseram que também sigo rotas muitas vezes impossíveis de serem seguidas. Será? Pode ser. Não sou dono de verdade alguma.

Meus amigos são quase exatamente iguais a foto que pus ali em cima. Um emaranhado de trilhos aparentemente absurdos, mas certos de suas origens e destinos.

Fato é que não vejo a maioria dos meus amigos há bastante tempo. De vez em quando entro em contato, eles comigo, como vai, vai bem? E aí, o que tem feito? Sabem como é? Conversa de amigo, de “meu chapa”, “meu camarada” e rola o tempo, passa a estrada, passam os desvios, os amigos lá, sempre lá. É só precisar e eles aparecem, rapidamente. Meus amigos são pessoas muito 
especiais.

Pode ser impressão minha, mas a cada ano a gente se distancia mais. Motivos diversos. Mas fica a certeza de que quando precisar, meus amigos aparecem e, logicamente, eu também me junto a eles se precisarem de mim. É só chamar.

Eu ia escrever uma mensagem de fim de ano para eles e para vocês, leitores. Leitores que conheço, que não conheço, mas que estão juntos desta Coluna em busca da felicidade ampla, geral e irrestrita, como aquela anistia de 1979 que, felizmente, aconteceu.

A mensagem deu lugar a este texto, não sei por que. Deixei rolar. Estava sentado no sofá pensando em amigos, histórias, fatos, fotos, momentos, gargalhadas, lágrimas e bateu saudade. Saudade absurda, de todos os meus amigos, ao mesmo tempo. Não, não são muitos. Os de fé são poucos. Este ano perdi dois, muito queridos, e até agora estou de luto.

Na hora da saudade entra até conhecido, gente que não conheço e conversei dentro de avião, ônibus, metrô, barca, trem. Conversa solta, livre, sincera, bonita, como as amizades. Como a neve gelada do hemisfério norte e a garoa morna do hemisfério sul nesta época do ano. Época de refletir, refratar e, sim, tentar matar a saudade dos amigos. Mesmo aqueles que estão tão distantes que parecem invisíveis.

A mensagem? Escreverei outro dia, quem sabe?