terça-feira, 30 de abril de 2013

Caro Antonio Ernesto Martins


Acabei de ler as 493 páginas de seu livro SACUDINDO O PÓ DA ESTRADA (editora KBR - www.kbrdigital.com.br ) com uma sensação de alívio. Devorei sua obra em 10 dias e fiquei surpreso com a intensidade existencial, cultural, e, sobretudo, com a sua coragem ao abrir todas as janelas de seu inconsciente para a visitação pública.

Você (foto do meio), Jimmy Page (foto abaixo), a querida Eldo Pop FM, a amada Fluminense FM, o nosso eterno Circo Voador duelam com o lado B que navega no mundo dos devastados pela cocaína e, sobretudo, pelo desleixo afetivo que assolou, assola e, lamentavelmente, ainda vai assolar muita gente que, por bilhões de razões não se encaram no espelho.

O que também me impressionou em seu relato, despejado num texto despreocupado com "eroditismos" e concentrado no linguajar informal, das praias, ruas, cinemas, teatros, bocas de fumo, foi a sua própria lucidez em admitir (em vários momentos) que já estava viciado mas não queria admitir, mas nem por isso interrompeu suas atividades profissionais e intelectuais.

Ao contrário de outros livros do gênero "superação" (estou de saco cheio dessa palavra) que li, a sua obra é um relato. Reto, objetivo, como uma bala de fuzil no Acari, uma declaração de amor numa barraca de acampamento em Bambuí (Maricá) o beijo no rosto de um filho. Meu chapa, com o seu portugues popular, desprendido, seu livro tem tudo para chegar a todas as pessoas que diretamente estão envolvidas com a riqueza existencial e também aquelas que o eclipse das drogas/álcool/lambança afetiva.com.br torna a vida quase impossível. Com direito a síndrome do pânico e a contemplação de nossa burra, imbecil e inócua arrogância perante Deus.

Livraço, Ernesto! Aos puristas, lembro que o texto está longe de ser formal, esmerado, elitista. Muito longe. E acho que mora aí um dos diferenciais deste livro que, com certeza, vai fazer muita gente sacudir o pó da estrada rumo a felicidade plena e, evidentemente, real. Parabéns!

P.S. - Estou orgulhoso de ter escrito o texto de apresentação baseado nos originais que você me enviou.


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Tecnologia







Antes de mais nada quero deixar claro que sou amante da tecnologia. O que pretendo é escrever sobre os excessos. Todos os anos a operadora de celular de onde sou cliente desde meados dos anos 90 libera uma quantidade de pontos que dão direito a troca por um aparelho novo. E, todos os anos, sem exceção, vou a loja trocar e fico totalmente perdido com os novos modelos que são apresentados.

Mesmo de boa vontade, os vendedores dão explicações partindo do princípio que já conhecemos tudo. É natural que, meio constrangidos, acabemos não fazendo perguntas cruciais cujas respostas vamos tentar achar nos manuais. Que também são incompreensíveis.

No caso dos celulares e computadores a velocidade da evolução é quase enlouquecedora. Em fins de abril do ano passado peguei um celular revolucionários e, no último sábado quando fui trocar meus pontos por um aparelho, saí com outro mais revolucionário ainda, cujos mistérios meu irmão, cunhada e sobrinha desvendaram para mim na noite de domingo.

Não dá para fugir da tecnologia. Claro, dos vícios e excessos, sim, mas ficar fora da tecnologia é renúncia social. Especialmente em minhas profissões que estão extremamente ligadas a Comunicação. O negócio é não sentirmos culpa ou aquela impressão de que caducamos junto com os equipamentos. Nada disso. Todos os seres vivos ditos inteligentes em algum momento acabam encurralados pela tecnologia, como foi o caso dos astronautas do filmaço "2001, uma Odisséia no Espaço", obra-prima de Stanley Kubrick de 1969. No final das contas, o computador Hal deu um golpe de estado e assumiu tudo.

Enfim, pode chover. Vamos encarar o que é necessário, prazeroso, deletar as firulas e viver a vida se culpa. Culpa. Palavrinha miserável. Essa, tecnologia nenhuma vai arrancar da cabeça da humanidade.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Livros

Neste sábado, dia 27, vou autografar uma nova fornada de meu livro A ONDA MALDITA - COMO NASCEU A RÁDIO FLUMINENSE FM, um relançamento da editora Nitpress. Será a partir das 10 horas da manhã no calçadão da Livraria Gutenberg, que fica na rua Moreira Cesar em Icaraí. A capa do livro é esta, em preto e branco, mas "A Onda" vem também com uma sobrecapa que também é mini-poster. Veja:                        

Livros nos colocam numa posição muito parecida com a dos pais zelosos e, ao mesmo tempo, libertários. Queremos que eles ganhem o mundo, até outros planetas, mas com cuidado e atenção.
Lembro de uma vez, anos 90, quando num papo de bar alguém disse "façam a mim mas não façam a  meus livros". Aquele comentário me pegou em cheio porque desde que comecei a publicar minhas obras, no início dos anos 1980, passei a sentir exatamente isso, esse posicionamento protecionista do façam a mim, não a eles. Como se os livros fossem pessoas desprotegidas, indefesas.
Mas é assim mesmo. Livros transportam pedaços nossos, fatias de nosso afeto que são espalhadas por aí. Algumas em estantes de luxo, outras empilhadas num canto qualquer. E quando o assunto é Radio Fluminense FM, Maldita, a coisa se grava porque além de mim muita gente querida está envolvida nessa história, que virou marco, mito, sei lá o que mais.
Mais detalhes sobre este livro/desabafo/grito/uivo em 
http://nitpress.webstorelw.com.br/products/a-onda-maldita .Aguardo todo mundo sábado na Gutenberg.

domingo, 21 de abril de 2013


Sozinho, sentado numa pedra, junto ao mar, numa noite de sábado contemplo a Baía de Guanabara e seus abismos misteriosos cobertos pelo manto do orvalho, da água, dos enigmas. Preferi não ir ao cinema, a um show e sair com os amigos. Necessidade de contemplação.

Perto de mim, um pequeno grupo pesca. Caniço e molinete. Falam de Deus, de fé. Um deles se diz ateu, o outro agnóstico, o terceiro fica calado cortando iscas e amarrando anzóis enquanto o quarto tenta remover as convicções dos dois primeiros.

Senti vontade de chegar para esse último e dizer "rapá, ter fé em Deus é um sentimento que está acima da lógica, da razão, da complexidade imbecil das atrocidades terrenas. Não ter fé em Deus é um direito, por mais que esse movimento nos deixe incomodados. Rapá, deixa pra lá".

Não fosse a fé em Deus, que acalma meu sono até quando bate o desespero (atire o primeiro Valium quem nunca foi atropelado pela sensação de desespero no meio da noite/dia) não estaria escrevendo.

Parodiando Raul Seixas, que entrevistei mais de dez vezes mas nunca consegui conhecer, Deus para mim é o princípio, o fim e o meio e nada, absolutamente nada, vai conseguir arrancar esse sentimento de minhas vísceras, diariamente realimentadas e restauradas pela fé.

Em outras palavras, resumindo a ópera, fé em Deus é o sentimento mais pessoal (intransferível?) que conheço. O resto é o resto.

Ouça:



Parvardigar

Pete Townshend

O Parvardigar, the Preserver and Protector of all
Without beginning are you Lord without end
Non-dual , beyond compare, and none can measure You
Without color, expression, or form, nor attributes to live
You are unlimited and unfathomable
Imperishable beyond conception by our minds
Nothing can devied you ,oh God you are eternal
None can see you but with eyes divine
You always were, You always are, and always will be
You are everywhere, in everything and beyond
In the firmament above and in the deep
On all the seven planes and farther on
And in all that's hidden to our eyes and always see
Beyond the trinity of words and in the vow
You can not be perceived or no one shall repent
O Parvardigar preserve protect us all
Without beginning are you Lord without end
You always were, You always are, and always will be
You are the Creator, the Lord of Lords
The knower of all minds and hearts
Omnipotent, omnipresent, from you we cower
You are Knowledge, Infinite Bliss, Infinite Power
You are the ocean of knowledge knowing all
Infinitely knowing, but can but tell
The knower of the past, the present and future
Crowning even this, your knowledge it's self
Oh merciful benevolent eternal
Your the trinity of Knowledge, Truth and Bliss
You are the scorce of Truth, The One with infinite attributes
You are the ocean of love we sorely miss
You always were, You always are, and always will be
You are the Ancient One, the Highest of the High
You are Prabhu and Parameshwar
You are the Beyond God, Beyond-Beyond God also
Parabrahma; Paramatma and Allah
Yezdan; Ahuramazda and God the Beloved
O Parvardigar, the Preserver and Protector of all
Without beginning are you Lord without end
You are named Ezad, the only one worthy of worship
We sing the universal prayer to you Amen

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Jornalista


Fui buscar um relógio de estimação no conserto. Fui a pé mesmo porque o relojoeiro (excelente, se chama Cesar) fica aqui no bairro. No caminho, um conhecido que não via há tempos. Estava num bar, numa micro-esquina onde, dia sim, outro também, uma kombi que com pra quinquilharias fica estacionada.

O conhecido perguntou se eu continuava na profissão (jornalista) eu disse que sim. Falei deste blog, comentei que estou mandando currículo para algumas Redações e que em breve a editora NitPress, do Luiz Erthal, vai fazer um alvoroço com meu e-book didático MANUAL DE SOVREVIVÊNCIA NA SELVA DO JORNALISMO. Tenho o maior orgulho deste livro e quem quiser conhecer basta clicar neste link: http://nitpress.webstorelw.com.br/t/e-books/

Eu já ia saindo, mas o conhecido insistiu para tomarmos um café. OK, tudo bem. Ele abordou "estou há um tempão pra te perguntar, mas sempre esqueço. Você também se acha um jornalista detestado?" Ele estava se referindo a uma entrevista de um colega que, com razão, disse que boa parte da humanidade nos detesta. Expliquei ao conhecido que muitos bandidos não gostam da gente, muitos policiais também. Juízes e advogados, penso que a maioria atura, motoristas, pilotos de avião, médicos, meio a meio. Enfim, na boa, preto no branco, só o povo nutre alguma simpatia por nós. Estou na profissão há 40 anos e já acumulei milhagem suficiente para dizer, sem ressentimento, que muita gente detesta jornalistas. Jornalistas sérios, é bom deixar claro.

O cara quis pagar o café, não deixei e saí pensando naquilo. Sou um profissional com uma ficha limpíssima (graças a Deus) e provavelmente, ao longo desses 40 anos de palácios, barracos, asfalto e cascalho, devo ter colecionado muitos desafetos. Em nome da notícia. Pois é, fazer o que? Começar de novo.

Assista, ouça, opine:


quarta-feira, 17 de abril de 2013

"Dreams"

                                                     

Poucas vezes ouvi tanto blues como atualmente e confesso que acabei levando um coice dos bons quando "Dreams", do Allman Brothers, explodiu nas caixas de som Edifier de meu computador, presente do meu irmão Fernando e do meu sobrinho Philippe. Provavelmente a vizinhança não gostou, mas fazer o que se o nome disso é blues?

Lembrei, como se fosse amanhã, do primeiro dia em que entrei na Radio Federal AM, a primeira emissora de Rock do Brasil, em 1973. Comecei lá, este ano, como estagiário passando logo a função de programador. Entrei na sala da produção e meu amigo e mestre Marcos Kilzer estava ouvindo "Dreams", aos berros. Eu não conhecia. Disco de 1969, o primeiro dessa banda extraordinária que perdeu seu guitarrista lider, Duane Allman (foto), em 1971, aos 25 anos. Ele andava rápido com sua Harley Davison Sportster na cidade de Macon (EUA) e foi fechado por um caminhão que transportava um guindaste. Duane, mesmo estraçalhado, chegou vivo ao hospital mas poucas horas depois morreu.


Marcos Kilzer (hoje alto executivo da gravadora Coqueiro Verde) me contou essa história. Terminamos de ouvir "Dreams" e ele saiu, me deixando com o restante do álbum de estreia do Allman Brothers. Não só virei fã como descobri, naqueles parcos tempos sem internet, sem Google e com revistas de rock brasileiras não confiáveis, descobri que Duane Allman chegou a ser eleito o melhor guitarrista do mundo pela Rolling Stone, na época uma revista de rock, blues e similares altamente conceituada.


Hoje, o You Tube me joga nos braços de "Dreams". Como se estivesse na rua Da Conceição, 99, 10o. andar, centro de Niterói, bunker da Rádio Federal AM. Essa música é uma daquelas que transportam. Para o futuro, para o passado, para o talvez. Aí vai:




quinta-feira, 11 de abril de 2013

Antonio Carlos Jobim


Reler livros, um hábito antigo. Os bons livros se renovam como nuvens a cada releitura, cada revisita. O fenômeno está acontecendo agora quando releio "Antonio Carlos Jobim - um homem iluminado", escrito por sua irmã Helena Jobim, que me autografou um exemplar em 17 de maio de 1997, mês de lançamento da obra.

Esse livro me mostrou que o Tom foi (e é) muito mais extraordinário do que eu imaginava. Mesmo a longa entrevista que tive o privilégio de fazer com ele em 1992, na churrascaria Plataforma, sequer chega perto do relato de Helena.

É um livro muito comovente porque mergulha numa pessoa que foi açoitada por angústias, ansiedade, questionamentos que se transformaram em música, discos e grandes, mas grandes projetos. Graças ao livro da Helena, que estou tendo o privilégio de reler (sugiro que todos façam o mesmo) descobri um Tom Jobim eternamente garoto. E como garoto, contemplando os bichos pelas florestas por onde andou (especialmente na região de Passo Fundo, Estado do Rio, onde tinha o sítio/conforto/lar) me senti muito próximo. Helena descreve Tom piando para aves como eu e meu irmão fazíamos com um amigo, um mateiro chamado Benedito, que nos acompanhava em aventuras indescritíveis pelas matas de Angra dos Reis.

Tom Jobim era aquariano, eu também sou. Um amigo, também deste signo, costuma chamá-lo de "mentes caóticas futebol clube" e é a pura verdade. O transtorno, o perfeccionismo, o leve desespero que acompanhou Jobim a vida toda, sempre bate à minha porta. E a do meu amigo também.

Esse pássaro na foto, um tiê-sangue, simboliza a minha infância. Estou falando de 1960, 1961, quando tinha 5 anos de idade. O tiê já era raro e hoje, dizem, está extinto. Ficávamos dias e mais dias esperando que ele pousasse no gramado só para vê-lo. O vermelhão contrastando com o verde da grama e o azul do céu. Taí, vou eleger esse quadro a nova imagem de minha infância. Grato, sempre, a Helena e Antonio Carlos Jobim.