quinta-feira, 30 de maio de 2013

Assisti ao filme Faroeste Caboclo

 Fabricio Boliveira
 Antonio Caloni
 Cesar Troncoso
Assisti ao filme “Faroeste Caboclo”, de René Sampaio. Não é um filmaço mas está longe, muito longe, de ser um fiasco. Filme bom. O elenco é o grande destaque, especialmente Fabrício Boliveira como João de Santo Cristo, Ísis Valderde (espetacular como Maria Lúcia) e Antonio Caloni que mata a pau como um policial corrupto. Outros destaques: o uruguaio Cesar Troncoso como Pablo e Felipe Abib, como Jeremias.

Todo mundo sabe, mas é bom lembrar que o filme foi inspirado no clássico “Faroeste Caboclo”, de Renato Russo, lançada pela Legião Urbana em 1987, mas em nenhum momento o filme sequer lembra ou fala da banda. O filme se passa em Brasília entre o final dos anos 70 e 1981.

Nota zero para o som. Muitos diálogos praticamente são impossíveis de entender. Achei que o cinema brasileiro já tinha superado essa grave distorção, mas pelo visto não. Em suma, vale o ingresso.
Resenha do site Adoro Cinema: “João (Fabrício Boliveira) deixa Santo Cristo (sertão nordestino) em busca de uma vida melhor em Brasília. Ele quer deixar o passado repleto de tragédias para trás.

Na capital conta com o apoio do primo e traficante Pablo (César Troncoso), com quem passa a trabalhar. Já conhecido como João de Santo Cristo, o jovem se envolve com o tráfico de drogas, ao mesmo tempo em que mantém um emprego de carpinteiro.


Em meio a tudo isso, conhece a bela e inquieta Maria Lúcia (Ísis Valverde), filha de um senador (Marcos Paulo), por quem se apaixona loucamente. Os dois começam uma relação marcada pela paixão e pelo romance, mas logo se verá em meio a uma guerra com o playboy e traficante Jeremias (Felipe Abib), que coloca tudo a perder.”

Veja a Legião Urbana tocando Faroeste Caboclo:


Um vácuo entre Bob Dylan e Joan Baez





Texto restaurado e reeditado

Tempos atrás recebi um texto com uma entrevista de Joan Baez (63 anos) a um site de celebridades dos Estados Unidos onde ela toca num assunto que todo mundo achava que já estava mais do que resolvido: o seu romance com Bob Dylan (72 anos). Os dois se apaixonaram e ficaram juntos entre 1963 e 1965. Tempo pra caramba.

Mas, ainda hoje, Baez parece não ter varrido plenamente Bob Dylan. Gozado é que quando ela esteve no Brasil, em maio de 1981, quando a ditadura a proibiu de cantar sob a alegação de que era subversiva, depois da entrevista coletiva no Rio ficamos conversando noite a dentro. Ela descasca bem um espanhol e lá pelas tantas falei de Bob Dylan. Ela ficou muda. E depois disse que não gostaria de tratar de assuntos mais desagradáveis do que as censuras brasileira, argentina e chilena; ela foi proibida de cantar também no Chile e Argentina.

No texto que recebi, ela diz que Bob Dylan foi dissimulado e levemente mau-caráter com ela. “Logo que nos conhecemos ele falava até em casamento, mas na semana seguinte ficava tocando violão, fumando haxixe e maconha, olhando para o teto como se eu não estivesse ali.”. O curioso é que numa das vezes em que esteve no Brasil (quando se apresentou no antigo Imperator, no Méier, anos 90 eu acho), o cronicamente mal humorado Dylan, que não queria dar entrevistas, saiu do carro andando em frente ao hotel e eu perguntei “about miss Joan Baez, what…”. Não passei daí. Ele parou e me torrou com o olhar. Seguiu em frente.

Um amigo meu conhecido como Canhão, que não vejo desde os anos 80, grande conhecedor de música folk dizia que o caso de Dylan e Baez foi o velho “amor de pica, onde bate fica”. Eu sempre discordei de Canhão porque a Joan, antes de namorar Dylan, era fã do cantor e a questão aparentemente não passava por ingredientes fálicos. Bom, fato é que ela não superou até hoje, apesar de inúmeras vezes ter sido vista sorrindo ao lado do músico em diversas ocasiões depois do barraco entre os dois. A reação dela na minha frente quando falei de Bob Dylan foi outra demonstração de que o cara deve ter feito lambanças das grandes. Canhão me dizia, ainda, que Dylan fez de Joan tangerina, chupou sua fama e depois jogou o bagaço fora. Será? Não sei, mas que existe um tufão entre ela e ele, isso há.

Por falar em Bob Dylan e o segundo volume de suas “Crônicas”? Iam ser três livros, saiu um, muito bem traduzido pelo historiador Eduardo Bueno, mas o segundo e o terceiro volume, nada. Nem lá fora. O que terá acontecido? É. Esquisitão esse Bob Dylan mesmo.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Fogueira, balões, lembranças

Hoje almocei com o amigo Eduardo Lamas da “Mais e Melhores Produções Artísticas” (www.maisemelhores.com.br) no sempre agradabilíssimo bistrô do “Arlequim”, no Paço Imperial, centro do Rio. Muitos papos, ótimos planos, conversa regada a muitos CDs e DVDs raros que frequentam o magistral acervo da loja.

Na volta, a caminho do catamarã para Niterói, vi na Praça 15 (não uso algarismos romanos) um cartaz anunciando uma festa junina. Típica e tradicional. O desenho trazia uma fogueira, gente fantasiada e até os incorretos (e hoje inviáveis) balões. Embarquei e a meu lado sentou um sujeito que era a cara do Danny Devito: baixo, gordo, careca, que não largava o celular. Fez várias ligações porque a linha caia. Ele orientava uma mulher do outro lado da linha que arrumava a mala dele. Foi gozado. Ele dizia “não, gravata não precisa, vou descansar...bota as duas escovas de dentes, muitas meias e cuecas de algodão porque lá faz frio...não, o casaco de courvin  vou levar na mão caso esfrie no caminho. Ah, leva meu radinho” e assim o cara veio até Niterói falando.

Voltando ao cartaz da festa junina, me bateu uma profunda saudade. Saudade dos grandes arraiás que frequentei ao longo do tempo, onde vi muito balão de 400 folhas sendo solto, em épocas em que não eram perigosos, como de fato são hoje. Mais: arraiás com fogueiras gigantescas, bandeirinhas, pau-de-sebo, comidas típicas, quadrilha e namoradas. Muitas.

Senti saudade da minha infância, apesar de ter frequentado os arraiás até 1999, eu acho. Saudade daquele cheiro de lenha queimada, do som primitivo dos conjuntos tocando e, logicamente, dos balões, meu fascínio desde que nasci. Saudade de um arraial gigantesco que fui certa vez em Teresópolis, outro em Friburgo, mais outro em Araruama, vários no Rio e em Niterói e, em Porto Alegre também. Foi no arraial da minha querida POA que soube que São João também é padroeiro de lá, como é de Niterói.


Este ano vou correr atrás de pelo menos uma festa junina. Meu lado lúdico cobra, quase implora. Merece. Com bombas, crianças a caráter e tudo mais. Quem procura, acha. Se não achar por aqui, volto a Praça 15 e pego o endereço do arraial que está no cartaz. P.S. – O desenho que ilustra esse texto eu catei na internet e não sei quem é o autor.

Governo quer a volta da censura a imprensa

Volta a baila um tema que eu julgava enterrado, o tal marco regulatório da mídia. Gente do governo diz que é para que os jornalistas tenham mais consciência na hora de escrever e, em caso de calúnia/difamação, sejam enquadrados por isso. Em outras palavras, o governo que passar a foice, quer censurar, amordaçar.

Ora, qualquer treiní sabe que o código penal, mesmo velho e carcomido, funciona muito bem contra os maus jornalistas. Os que partem para a calúnia, difamação ou similares, podem ser processados, julgados, com base em leis que já estão no código penal.


Mas, temendo o jornalismo investigativo (por que será?) o governo quer mais mordaças. Vamos deixar? O Congresso vai permitir? Vai arregar? Será que teremos de volta a famigerada censura prévia?

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O Brasil nunca foi tão Paraguai como atualmente


Texto restaurado e remixado

Não creio que o Brasil tenha passado por uma fase tão incompetente como a atual. Em todos os setores. E o que me irrita é a passividade de todos nós, que pagamos caro para termos serviços e consideração e recebemos em troca desserviços e bofetadas virtuais. Total falta de respeito.

O Detran do RJ inventou a vistoria anual dos carros. Embolsa uma boa grana com isso e é um dos poucos que estupram os cidadãos com essa esperteza. Só que as vítimas dificilmente conseguem marcar a tal vistoria porque a empresa que fazia o serviço por telefone foi dispensada e o Detran demorou para escolher outra para substituir. Restou a única opção: agendamento pela internet. Você entra no site, clica lá em vistoria e aparece o aviso para aguardar porque o sistema está sobrecarregado. E quando consegue entrar os postos de vistoria estão lotados, sem vagas. Aí você desiste, cai numa blitz, tem o carro rebocado sabe-se lá para onde, paga uma nota de multa e fica tudo por isso mesmo (dês) graças a nossa lamentável índole passiva.

Meses atrás, entrei no site da operadora do meu celular para consultar o saldo de pontos. Minha intenção era trocar de aparelho por um mais novo. Não, nada de smartphone. Aparelho simples e bom para falar. Entrei e estavam lá 23 mil 156 pontos. Ótimo. No dia seguinte fui ao um shopping em Niterói, numa loja no andar de baixo, à esquerda de quem entra e a baranga da operadora que me atendeu, coçando a virilha (só não cuspiu binga de cigarro porque é proibido fumar ali) abriu a cloaca a disparou “olha, o senhor não tem 23 mil pontos, não. Tá aqui, ó: 470 pontos”

Adoraria não estar ali. Adoraria estar no Rink, praça que fica ali perto, infestada de flanelinhas, bicheiros e similares e muitos resolvem pequenos problemas na base da porrada. A Lei do Rink é a lei do cão. Adoraria que aquela baranga fosse homem para eu devolver por sua goela abaixo toda a baixaria que ela estava cometendo.

Mantendo a educação (isso faz mal a saúde, sabia?), olhei para aquele suplício em forma de mulher e pedi “deixa eu ver o monitor?”. A mula respondeu “não pode porque para ver o monitor você vai ter que vir pro lado de cá do balcão e isso é proibido”. Antes de me transformar num babuíno deixei aquele ogro, aquele javali falando sozinha e fui embora.

De casa liguei para a operadora e esperei 40 minutos com o telefone na espera, consegui falar. A atendente confirmou que eu tinha 23 mil 156 pontos que inexplicavelmente sumiram. Garantiu que em 72 horas teria uma solução para o caso. Eu disse a ela “senhora, solução para mim, neste caso, são os 23 mil de volta”. Ela (educada, reconheço) disse que não poderia garantir nada. Ahhh, a lei do Rink. Final da história: consegui os 23 mil pontos de volta, mas as regras do jogo mudaram e acabei tendo que pagar por um celular novo.


Cheguei em casa e uma reportagem na TV informava que o seguro obrigatório de automóveis também vai ser “reajustado” (palavrinha cínica essa) para compensar “erros do passado”, as greves federais continuam e por aí vai. O Brasil nunca foi tão Paraguai como atualmente. A incompetência se esparrama por toda a nação. Ou virou “nassão” e não me avisaram?

domingo, 26 de maio de 2013

Recomendo este livro: "Um sorriso de oito graus na escala Richter", de Hugo Rodrigues



Vale adquirir o seu em http://nitpress.webstorelw.com.br/products/um-sorriso-de-oito-graus-na-escala-richter

O também escritor Ricardo Coiro escreveu na orelha:

"Em um mundo no qual a sensibilidade anda sendo atropelada pela pressa e pela dureza do tempo que nos prensa, Hugo Rodrigues abriu alas, estendeu tapetes, arregaçou os olhos e claro, iluminou as páginas desse livro para que pudéssemos vê-la passar de perto, cheirá-la, senti-la e quase tocá-la em meio à leitura. Ele deu um potente choque em nossos corações que rumavam em direção do tom acinzentado, colocou mais alguns litros de vida e de sangue em nossas veias que viviam ameaçando secar.

Hugo Rodrigues conseguiu criar terremotos inteiros feitos apenas do choque entre as sutilezas e aquilo que estava congelado em nosso cimento particular. Ele colocou a lupa bem em cima dos detalhes que andavam invisíveis nas entrelinhas de outros autores e resolveu sair por ai metralhando o mundo com a mais potente das armas: o amor.

Um sorriso de oito graus na escala Richter foge do impossível e corre sempre em direção às simples paisagens do cotidiano movido pelas relações interpessoais, mostrando que os mais belos atos sempre estiveram ali, aqui, acolá, esperando ansiosamente para serem vistos por nossas retinas frágeis.
É impossível terminar esse livro sem alguns estilhaços cravados bem no meio do seu coração."

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Um país onde Organizações não Governamentais chafurdam na grana do próprio Governo


Texto restaurado e remixado
O Brasil é um oceano de espertos, graças a impunidade seletiva, aquela que só pune os não empistolados, os não poderosos, os não endinheirados. Há uns 20 anos começou a surgir no não belo horizonte do cambalacho nacional a sigla ONG que, como se sabe, significa Organização Não Governamental. Bonitinho. Parece até coisa de escoteiro.

Na época escrevi um artigo sei lá onde descendo o bambu. Esbofeteei pesado, perguntei quando iria começar a roubalheira, alguns leitores reagiram mal, outros me apoiaram, mas fato é que não é preciso ser Pitononisa para prever que por aqui, terra da rasteira, do cheque voador, do caixa dois, laranja e similares, esse papo de ONG ia acabar na sarjeta, no quá quá quá do ladravazes.

Deu no que deu. De uns meses para cá, abrimos os jornais e vemos ONG e Governos (federal, estaduais e municipais) chafurdando alegremente na sarjeta da roubalheira. Caíram até ministros. Coisa simples. A ONG finge que não é Governo e o Governo finge que não é ONG. O tráfico de grana alta anda de um lado pro outro freneticamente e todo mundo bota o boi na sombra.

Outro personagem que surgiu nos últimos 20 anos foi o Ministério Público, defensor incólume dos direitos dos cidadãos. Pois esperamos que os MP.s acabem com essa orgia de ONGs com governos solicitando, por obséquio, que todos sejam encaminhados a cadeia pois, como se sabe, desde 1.500 o problema do Brasil é um só: corrupção. Saúde escrachada, culpa da corrupção. Segurança educação, transportes, cultura, tudo o que não funciona, em todas as áreas, foi e é por causa da corrupção, madame-mor de todos os delitos com o dinheiro público.

Não foi à toa que, quando subiu a favela da Mangueira, nos anos 50, Walt Disney viu um papagaio malandrão, um urubu fofoqueiro, ouviu muitas histórias por lá e criou Zé Carioca e Nestor. Mas isso é outro papo, para outra coluna.

Está ou não está na hora do povo tirar a fantasia das ONGs? É impressão minha ou esses caras (afogados em incentivos e isenções fiscais) estão nos achando com cara de bobocas? Comente aqui.


quarta-feira, 22 de maio de 2013

Escrevendo para o site GAROTA FM

 Trampolim da Praia de Icaraí. Inauguração em 1941.
 Surfista veterano perto da Itapuca.
 Trampolim.
 Itapuca, inicio do século 20.
 Cinema Icarai, 1946.
 Bonde, anos 1950.
 Praia de Icarai, final dos anos 1950.
 Obras da ponte Rio-Niterói, 1972.
 O navio encalhado acabtou batizando a praia. Anos 1960.
Navio Camboinhas.

ouça os lobos:
Desde meados de abril estou escrevendo para o site GAROTA FM que fica em www.garotafm.com.br e é dirigido por Christina Fuscaldo. Tem sido uma experiência muito legal porque, acidentalmente, meus textos buscam as lembranças, momentos felizes do passado, alguns casos que julgamos flashes mas que depois, com o farfalhar do tempo, percebemos que são muito importantes.

Na última terça-feira, final da tarde, encontrei meu super primo Cornélio Melo, que também colabora para o GAROTA FM, e juntos fomos ao estúdio do gigamúsico Cássio Tucunduva. Durante quase três horas (quando saímos já era noite) conversamos sobre esse tema mágico, acrilírico chamado Música + a antológica banda Os Lobos + clubes + anos 60 + meninas + botas + Beatles + Melody Maker (banda) + Maquina do Tempo (banda), vida, vida, vida, vida, vida. Nossa matéria vai sair por esses dias lá no GAROTA FM.

Impressionante a força do tempo. Em 15 minutos de conversa nós parecíamos três garotos jogando bola de gude e conversando. Falamos do som de 1965 até hoje, mas também do Brasil, da adolescência, de política, de nós, de nossos amigos, de nossas meninas. Enfim, como não acredito em nada acidental em se tratando de inconsciente, acho que meus artigos para o GAROTA FM devem estar atendendo a uma necessidade de me revisitar. Creio que sim. Ou melhor, com certeza sim.

Até agora a conversa ecoa, ecoa, ecoa porque me fez muito bem. Está sendo ótima essa experiência no GAROTA FM. Revisitar o passado tratado como “logo ali” é sensacional.


Araribóia dá um grande filme



Com certeza o grande cacique Araribóia (significado: Cobra da Tempestade) e sua densa, tensa, riquíssima história, dá um belíssimo longa-metragem para o cinema. Por isso, escrevo esse breve recado a diretores, roteiristas, produtores.

Há anos esse filme roda em minha cabeça. A boca da Baía de Guanabara na época (1565) lotada de golfinhos, botos, baleias, tubarões, estrelas do mar, muita, mas muita luz. Índias e índios aos montes, dezenas de batalhas, a morte a flechada de Estácio de Sá, as travessias que Arariboia fazia entre Niterói e Rio (Ilha do Governador) onde, com uma borduna, foi cobrar de Mém de Sá, o governador, as “terra vermelhas (Niterói” que prometeu a Araribóia caso ele vencesse os franceses. E ele venceu.

Muita gente sabe, mas há quem tenha o direito de não saber que Araribóia e sua tribo vieram do Espírito Santo para ajudar os portugueses no combate aos franceses. Os franceses tinham do seu lado os também bravos tamoios, que mataram Estácio de Sá com uma flechada na enseada de Botafogo. Alguns historiadores atribuem a uma “flecha perdida” a morte de Estácio e acho que dessa forma ficaria até mais dramática a cena no filme.

Mas em se tratando de coragem, estratégia, Araribóia foi imbatível. O que queria em troca? Assim que a nau que o trouxe do Espírito Santo entrou na Baía de Guanabara, ele se apaixonou pelas "terras vermelhas da banda de lá", a nossa Niterói. E foi o que cobrou e ganhou dos portugueses.

Alguns historiadores dizem que Mém de Sá, governador, teria tentado empurrar o cacique com a barriga na hora de assinar a papelada doando as terras. Araribóia teria pegado sua canoa nas imediações de São Lourenço dos Índios e partido para o Rio algumas vezes a fim de cobrar do português o cumprimento da promessa.  Mém de Sá mandava dizer que não estava, que estava em reunião. Um dia, cansado de ser enrolado, nosso cacique teria dado uma espécie de pé na porta com uma borduna na mão e fez Mem de Sá literalmente se borrar todo. Se borrou e assinou a posse das terras.

Claro, as crises existenciais do cacique, que se questiona sobre o fato de índio matar índio (temiminós e tamoios) para salvar a pele de brancos (portugueses e franceses). O que não falta é gente altamente qualificada que, certamente, daria aos cineastas todos os subsídios necessários para a construção do enredo. Livros foram escritos, entre eles o excelente "Araribóia, o Cobra da Tempestade" do professor Luiz Carlos Lessa cuja narrativa é fascinante pelo tom de aventura e admiração por nosso cacique maior. 

Tempos atrás um diretor chegou a fazer um rascunho do roteiro, mas os altos custos o assustaram. Claro, Araribóia exige uma megaprodução.
Fico imaginando a quantidade de pessoas que adoraria ver a história de Araribóia sendo contada na telona. Uma biografia capaz de levar os cineastas ao limite de seu potencial criativo. Afinal, estamos falando do único índio fundador de uma cidade, Niterói, nossa oca. Mais: um enredo desses iria chamar a atenção de todo o país que, com certeza, iria se surpreender ao saber da existência desse índio-herói.

Por falar em herói, há tempos participei de uma mesa-redonda sobre Comunicação e lá pelas tantas disse que "minha cidade foi fundada por um índio guerreiro que está em minha galeria de heróis". Alguns deram risinhos até que um monstro da História do Brasil saiu em minha defesa e fez um resumo de quem foi e o que fez Araribóia. Lembro que um dos colegas que dera risinhos, acabou oferecendo a cabeça a guilhotina e concordou que com uma história de vida com tanta honra e bravura, "Araribóia merecia estar na galeria de heróis de todos os brasileiros". Vale a sugestão, caros cineastas?

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Porranca geral em rede nacional


Texto restaurado e remixado

Como quem não quer nada, provavelmente subornando pelas beiradas, a máfia do álcool recolocou as garras de fora. A propaganda de bebidas destiladas, que estava banida da TV, voltou e, pelo vi$to para ficar. Tempos atrás, a multinacional Johnny Walker veiculou nas principais emissoras um comercial esplêndido que mostrava o Pão de Açúcar levantando e, como um gigante, sai andando em direção ao mar. No final do anúncio a mensagem “o gigante não está mais adormecido”. Atualmente uma fabricante de vodca veicula um anúncio tão bêbado que lá pelas tantas um dos personagens mergulha dentro de uma moldura de quadro na parede.

Enquanto em todo o mundo desenvolvido a guerra contra o alcoolismo chega as vezes ao radicalismo extremo, no Brasil, onde quase 50 mil pessoas morrem anualmente no trânsito (80% por causa de quem dirige bêbado) estão afrouxando o nó descaradamente. Como já disse lá em cima, há sinais de que a máfia da birita deve estar molhando, muito bem, a facção do governo que libera seus comerciais, sempre usando jovens de 20 e poucos como atores.

Não é para estranhar. Há tempos que a cerveja é tratada como se fosse refrigerante. Os anúncios vão ao ar em horário nobre, sempre associando a imagem de jovens esportistas, comedores, etc. Em um desses comerciais, graças a cerveja, o interior mórbido de uma baleia se transforma em boate. O mesmo ocorre naquele em que os viciados se jogam no mar infestado de tubarões para pegarem uma caixa de cerveja. Ou seja, vale tudo por um gole. Essa é a mensagem.

Se os governantes fossem sérios tomariam uma decisão radical (como foi a dos anúncios de cigarros) e baniriam de vez o marketing do alcoolismo. Mas é nessas horas que vejo que ainda estamos muito longe de nos tornarmos uma tribo civilizada. Mesmo que o gigante da Johnny Walker diga “Keep walking, Brazil”. A corrupção não quer saber quem mata ou quem morre. Quer a parte dela e que se dane o resto. Todo mundo sabe que cerveja é álcool, pega pesado, mas inexplicavelmente ($$$$$$$) é tratada como bebida inofensiva pela Lei. Conheço alguns ex-alcoólatras que só bebiam cerveja. Nas lojas de (in) conveniência dos postos de gasolina (onde obviamente deveria ser proibido vender bebida) o que mais vejo é cafajestinho de moto comprando ice vodka e cerveja. Ohhhh, a lei diz que é proibido beber dentro da loja, ohhhh. Eles bebem do lado de fora. E saem, em disparada para matar ou morrer. O governo? Dorme sobre os bilhões da corrupção e que se dane o avião. 


domingo, 19 de maio de 2013

Você conhece o Babalu?

Texto restaurado e remixado


Não conheço nenhum Babalu, apesar de um conhecido meu, que encontrei no catamarã, ter insistido em me mandar um “abraço do Babalu”. Sabe aquele sono eventual que bate depois do almoço, você entra num catamarã social vazio e fica ao sabor da brisa? Foi o que planejei naquela tarde.

Corta! Encontrei o conhecido na chamada “fila do gado”, aquela que o povão forma para entrar na embarcação. Como ele não lê esse blog, posso afirmar do fundo do coração: o cara é chato pra cacete. Mas, fazer o que? Ele se aproximou, colou em mim e sentou a meu lado.

E tome a falar do tal Babalu que, segundo ele, é meu amigo de infância. Mentira porque passei minha infância (três a nove anos) em Angra dos Reis e, de lá, todos os meus amigos se espalharam pelo mundo. Mas eu não estava a fim de discutir, apesar de ser rigoroso com esse papo de “fulano é seu amigo”. 

Não é assim.  Muitas vezes já me perguntaram “você conhece Fulano?”, e respondi, com elegância, “não, conheço só de vista”. Dizer que conhecemos alguém nos torna avalistas do “conhecido”.

Não é o caso do sujeito que encontrei no catamarã que, de fato, sei quem é, mas saber quem é e conhecer são situações completamente diferentes. E quando o barco atracou no Rio, confesso que me deixei levar pela multidão e, propositalmente, me perdi do conhecido que me congestionou com uma overdose de palavras e frases soltas. Não agüentei ouvir tanta inutilidade pública e estava vendo a hora que ia pegar no sono no meio do monólogo dele.

Fui a uma reunião e, na saída, em frente ao Museu de Belas Artes, na Rio Branco, encontrei um leitor. Ele estava acompanhado da mulher, me apresentou. Achei engraçado porque não o conheço e nem ele a mim, apesar de minhas crônicas e contos, eventualmente, abrirem o buraco da fechadura. 

O leitor estava satisfeito, cheio de “Fulaninha, esse aqui é o Luiz Antonio...” e a esposa, também constrangida, disse “muito prazer” e tudo ia muito bem até ele me perguntar para onde eu ia. Temendo que ele fosse para Niterói, sapequei um “vou até o Rio Comprido resolver uns assuntos”, quando ele rebateu “pois nós estamos indo para o Leme”.

Encerrado o encontro, quando inclusive me chamou de “amigão”, fui embora pensando. Pensando nessa profissão maluca que fabrica conhecidos pelo mundo e até amigos próximos sem que saibamos o que está acontecendo. Querem saber? No fundo, acho isso tudo sensacional.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O “confusionismo” gerado pelos e-mails


Texto restaurado e remixado

Conheço um sujeito que tem horror as chamadas novas tecnologias. Ele tem opiniões fortes e sempre muito bem humoradas. Como exemplo desse seu horror ao que chama “dessas maquininhas” está um fato curioso. Tempos atrás ele participava de uma reunião, mesa grande, várias pessoas e percebeu que duas delas não paravam de mexer em seus celulares. A reunião acabou e ele, curioso, perguntou o que as duas estavam fazendo. “Estavam trocando mensagens pelos celulares”, conta entre fulo da vida e achando graça. “Por que não esperaram a reunião acabar e foram bater um papo?”, pergunta.

Tenho uma relação íntima com a Comunicação das novas tecnologias desde o início dos anos 90. Com prazer mantenho este blog, escrevo para alguns lugares, lancei um livro eletrônico, vulgo e-book (MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA NA SELVA DO JORNALISMO – http://nitpress.webstorelw.com.br/t/e-books/), enfim, chafurdo direto. Mas sou extremamente cauteloso quando o assunto é enviar e-mail.

A maioria das pessoas que troca e-mails comigo é desconhecida. Boa parte não sabe escrever direito o que gera uma série de confusões, ruídos na comunicação e, muitas vezes, o que era para ser simples acaba numa grande babel regida pelo mal entendido. Se a nova Comunicação, em vez de e-mail, adotasse a pintura ou o desenho, eu estava ferrado. Não sei desenhar a mais tosca das árvores. Continuaria utilizando o telefone, telegrama, carta no correio, mas pintura e desenho jamais.

Só que muita gente, mesmo sem saber escrever (deixo claro que ninguém é obrigado a nada) dispara e-mails que chegam as raias do surrealismo. Se eu não soubesse escrever, o máximo que teclaria num e-mail seria, por exemplo, “preciso falar com você” ou então, como disse ali em cima, partiria para o telegrama e telefone. Ainda mais agora que as operadoras de celulares estão se comendo no escuro e, tudo indica, essa caríssima modalidade de comunicação tende a ficar menos extorsiva.

Não solto pipa perto das redes elétricas. Nunca enviei um desenho para qualquer pessoa como meio de comunicação. Aliás, francamente, desisti de desenhar aos 15, 16 anos, quando percebi que não dou para isso. Quanto a quem manda e-mails sem saber escrever, sugiro que...sugerir o que? Que situação constrangedora. Tá bom, sugiro que não envie para mim porque detesto charadas.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

"Lembro bem...Janis (Joplin) na garupa mordeu as minhas costas no meio de uma curva...a moto derrapou e fomos parar no chão" (Serguei).



Poderia escrever mais de 300 bogs só com as estórias, histórias e delírios de Serguei, meu camarada, meu chapa, um cara super do bem, cantor, lenda viva. Vamos voltar alguns anos, quando ele ainda não gostava de dizer que teria sido comido por Janis Joplin e também por um marinheiro escandinavo que surgiu não se sabe de onde na praia da Macumba, no Rio.

De uns tempos para cá, principalmente depois de ter dito no Programa do Jô que “sou um pansexual que transa até com as árvores”, Serguei passou a falar do ménage que fez com Janis e com o marinheiro no carnaval de 1970, quando ela veio para o Rio fugindo da heroína. Morreu em 4 de outubro, do mesmo 1970, de overdose de heroína, droga que não perdoa. Mata.

Uma história que Serguei me contou, e que é contestada por uma multidão, foi o tal acidente de moto que ele teria sofrido com Janis na garupa. Principalmente quando afirma que pilotava uma Harley Davidson de 1.200 cilindradas. Todo mundo diz que Serguei só anda de bicicleta e que jamais pilotou uma moto. Será? Vamos a ele:

“Janis tinha sido expulsa do Copacabana Palace por estar nadando nua na piscina. Eu a conheci no dia seguinte da expulsão quando ela foi a uma boate (inferninho) onde eu estava cantando. E foi ali que tudo começou a rolar. Bem...um amigo me emprestou sua moto, uma Harley grande, e eu disse a Janis “let´s go to Cabo Frio”, e ela falou que tudo bem. Fomos”.
Serguei contava essa história sem titubear, olhando o interlocutor nos olhos. 

Eu mesmo disse a ele que “muita gente diz que você não sabe andar de moto” e ele rebateu “inveja, pura inveja das pessoas. Sempre andei de moto, mas parei depois desse acidente”. Um acidente que, segundo Serguei, “avisou”. “Quando entramos na barcaça (FOTO) do Rio para Niterói, onde pegaríamos a estrada para Cabo Frio eu fiquei nervoso na rampa de acesso a barca e quase caí. Janis, na garupa, muito louca de cachaça e maconha, caiu na gargalhada”.

O cantor diz que ninguém sabia quem era Janis Joplin. Verdade! Pouca gente a conhecia no Brasil naquele fatídico 1970. Mais: a biografia oficial de Janis narra esse episódio da expulsão do Copacabana Palace e uma ronda que ela fez pelos dancings de Copa e até da Praça Mauá. Voltamos a Serguei:
“Saímos da barcaça e seguimos para a estrada. Janis não parava quieta na garupa. Ela ria, se mexia, falava obscenidades em meu ouvido, enfim, festa. 

Andamos mais de uma hora e na altura de Araruama ela mordeu minhas costas no meio de uma curva. Perdi o controle da moto que foi pro chão. Me ralei todo. Janis praticamente nada sofreu porque estava com calça e casaco de couro. No asfalto eu gritei, chorei muito e fui levado para um pronto-socorro. Ninguém reconheceu Janis. Ninguém! Eu estava preocupado porque o dono da moto poderia me matar. Por isso, quando deixei o hospital fiquei de joelhos para um caminhoneiro que concordou em levar a moto de volta para Niterói. Eu e Janis viajamos na boleia. Em Niterói, de novo, a barcaça para o Rio. Da Praça 15, levei a moto e deixei na porta da casa de meu amigo com um bilhete, cujo teor prefiro não revelar”.

Mais um capítulo da vida lotada desse grande artista chamado Serguei. Será fato? Será boato? Será lenda? Ninguém sabe.



“Perdi a cabeça e acabei levando um soco no queixo de Jim Morrisson, e apaguei no meio da sala” (Serguei)




Muitos comentários no Facebook sobre o texto que publiquei ali embaixo e que trata da ficção. Foi quando lembrei no nosso Serguei, que andou tendo problemas de saúde em Saquarema mas, pelo que me disseram, já está tudo bem. Conheço o cantor há mais de 30 anos, gente finíssima!

Tempos atrás, anos 90, Serguei me convidou para escrever a sua biografia. Cheguei a planejar 40 idas e vindas a Saquarema para gravar seu extenso depoimento (ele é uma gigantesca jazida de memórias) que seria transformado em texto jornalístico na primeira pessoa, mas por falta de editora acabei detonando o projeto. Uma pena, porque daria uma bela história.

Lembro que numa dessas reuniões, ele que não bebe, não fuma, não usa drogas lícitas ou ilícitas começou a falar de fatos que, até hoje, não sei se foram histórias ou devaneios. Fala Serguei:

“Uma vez, por volta de 1969, em San Francisco – Califórnia – rolava uma festa na casa de um sujeito muito rico e super enturmado. Acho que até Andy Warhol estava lá. Quando vi, eu estava cercado por Jim Morrisson, Duane Almann e Janis Joplin, a quem fui apresentado aquela noite. (...) Se havia muita droga? Nossa (risos) aquilo parecia um armazém de ácido, baseados, e muita, mas muita heroína.

“Rolava som de disco de vinil, Jim Morrisson estava muito louco e começou a passar a mão na minha bunda. Não gostei! Não sentia nada por ele, como homem, mas como fã. Saí e fiquei ao lado de Janis, que estava sentada num sofá vermelho perto da porta. A mansão tinha três andares e estávamos no segundo. De repente, “splash!”, o tapa na cara. Jim Morrisson esbofeteou Janis que levantou atirando um cinzeiro de porcelana em Jim.

“Jim pegou Janis pelos cabelos, abaixou sua calça, botou a cabeça dela entre as pernas e gritou “Suck, vadia! Suck, vagabunda!” Revoltado, parti pra cima de Jim, que me deu um soco horroroso. Apaguei no meio da sala. Soube que ele, na base de chutes e pontapés, jogou Janis escada abaixo até a turma do “deixa disso” entrar em ação. Foi quando acordei e fui para um pronto socorro colocar meu queixo no lugar. Jim já tinha ido embora e, soube depois, Janis queria me agradecer”.

Bem, acabou o espaço. Depois continuo com Serguei e o tombo de moto que ele diz ter tomado com Janis Joplin em Araruama.

Veja Janis:


terça-feira, 14 de maio de 2013

Ficção, ou...o dia em que o sujeito dormiu em Icaraí, acordou em Copacabana, dormiu de novo e acordou em Icaraí...


Texto restaurado e remixado

Mergulhei fundo no mundo da ficção quando escrevi meu primeiro romance, “5 e 15”, que foi lançado em 2007. Não foram poucas as pessoas que leram o livro e depois mandaram e-mails de perguntas do gênero “como nasceu a ideia que você colocou no capítulo X”. Sempre respondi “não sei” porque de fato não tenho noção de onde vem os devaneios.

Por isso senti muito receio em lançar o romance, que levei uns nove anos escrevendo, parando, quase desistindo. Minha escola é o Jornalismo, totalmente ligado ao fato, a realidade, informação consolidada, apurada, checada, rechecada. Como estou me movimentando para escrever um segundo romance as idéias parecem albatrozes me circundando.

O mundo da ficção permite tudo, absolutamente tudo. Assisti a uma temporada do seriado “24 horas”, um dos mais delirantes vôos ficcionais que já vi na TV. Claro que perde para Superman, Homem Aranha, Iron Man mas uma bomba nuclear explodindo em Los Angeles e toda a confusão sendo resolvida praticamente por um único homem (o agente Jack Bauer), que com uma única pistola mata 15 por minuto, mostra que o delírio dos roteiristas de ficção não tem qualquer limite.

Todo ser humano tem suas ficções. Isso é fato comprovado até por revistas de fofocas. Existem as ficções do bem, que se transformam em livros, filmes, peças de teatro, poesias, letras de música e as do mal, muito chegadas a paranóias, medos inexplicáveis e dezenas de outras conseqüências. Fato é que há muitos anos li num livro que botar pra fora as boas ficções faz bem a saúde.

Eventualmente me aventuro a escrever devaneios totalmente ficcionais. Mas, ainda assim, alguns leitores perguntam se o que escrevi aconteceu ou não. Ou então, se aquela idéia foi inspirada em alguma experiência pessoal que vivi, enfim, parece que alguns leitores precisam ver um pouco de realidade nas ficções. Uma delas se chamou “Nado Noturno” (que já publiquei aqui na Coluna) e foi apenas um devaneio. Não, mais do que um devaneio. Eu realmente senti desejo de realizar o nado noturno descrito no texto, nas condições emocionais em que se encontrava o personagem.

Mas se os leitores perguntarem como aquela idéia veio à tona, sinceramente não saberei explicar. Sentei no computador, abri o programa de texto e o cursor ficou piscando, piscando, provocando como as canetas no passado diante de uma folha em branco de papel. Veio a ideia de escrever alguma coisa sobre o amor, e acho que “Nado Noturno” raspa, sim, no amor, mas quando comecei a escrever o texto foi nadando sozinho, como um carrinho de rolimã descendo uma ladeira.

Tenho colegas jornalistas que se dão muito bem com a ficção, mas eles sempre dizem que o pavio é aceso por algum elemento factual, alguma coisa que aconteceu ou que eles achavam que iria acontecer. Outros não conseguem. No máximo produzem uns ensaios, sempre baseados em fatos, dados, comprovações.

Um de meus primeiros textos de ficção brotou da história que foi contada em uma roda por um lendário cascateiro de Niterói, que já citei aqui na Coluna. Ele disse que certa vez estava numa bóia de pneu de caminhão na Praia de Icaraí, pegou no sono e acordou em Copacabana. Sem ter o que fazer, dormiu de novo e acordou em Icaraí. E ai daquele que o questionasse porque além de truculento ele brigava bem pra cacete. Tanto que, anos mais tarde quando publiquei a história num jornal local (totalmente maquiada, disfarçada, cheia de artifícios, mas não adiantou porque ele reconheceu) o cara andou me procurando. Diziam que queria me dar uma surra.

Até que o acaso me fez encontrá-lo na fila do extinto cinema Icaraí  e ele me tratou amavelmente, ofereceu pipoca e o falecido (eu acho) Chucola, drops de Coca Cola. Entendi. No fundo, ele adorou ver sua história publicada, apesar de todas as deformações que cometi para ocultá-lo. Vai entender. Aliás, entender pra que? Por que temos essa cisma de querer entender muitas coisas que nos são totalmente inexplicáveis, entre elas a ficção?

P.S. – Para mim disco voador é igual a patrocínio. Já vi mas não acredito.

Reflexões


"Se quer testar o caráter de alguém, dê-lhe poder."

"É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida."

Abraham Lincoln

"Penso 99 vezes e nada descubro. Deixo de pensar, mergulho no silêncio e a verdade  me é revelada."

"A imaginação é mais importante que o conhecimento."

"Nunca penso no futuro, ele chega rápido demais."

"O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário."

"Há duas coisas infinitas: o Universo e a tolice dos homens." - 

Albert Einstein

"O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não."

"Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho."

Mahatma Gandhi

"O homem é do tamanho do seu sonho."

"Ninguém pode esperar ser compreendido antes que os outros aprendam a língua em que fala."

Fernando Pessoa

"Ninguém pode construir em seu lugar as pontes que precisará usar para atravessar o rio da vida. Ninguém, exceto você, e só você."

"A potência intelectual de um homem se mede pela dose de humor que ele é capaz de usar."

"Aquilo que não me destruir me tornará mais forte."

"O silêncio é pior. As verdades que calamos tornam-se venenosas."

"Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas."

Nietchzche



"O bobo se acha sábio, mas o sábio se acha bobo."

"Aceita o conselho dos outros, mas nunca desistas da tua própria opinião."

"A água corre tranqüila quando o rio é fundo."

"Nunca salte de um trampolim quebrado."

"Muitas vezes nossa maneira de justificar um erro agrava o erro. "

William Shakespeare


Cometer injustiças é pior que sofrê-las."

"O corpo humano é a carruagem, eu, o homem que a conduz, os pensamentos as rédeas, os sentimentos são os cavalos."

"Uma vida não questionada não merece ser vivida."

"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz."

"Tente mover o mundo. O primeiro passo será mover a si mesmo."

Platão


"As revoluções, como os vulcões, têm seus dias de chamas e seus anos de fumaça."

"Eu preferia ser vaiado por um bom verso a ser aplaudido por um verso ruim."

"O microscópio começa onde termina o telescópio."

"Do atrito de duas pedras chispam faíscas; das faíscas vem o fogo; do fogo brota a luz."
"Sede como os pássaros que ao pousarem um instante sobre ramos muito leves, sentem-no ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas."

"Indigestão é uma criação de Deus para impor uma certa moralidade ao estômago."

Victor Hugo


"Creio no riso e nas lágrimas como antídoto contra o ódio e o terror."

"Não devemos ter medo dos confrontos. Até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas."

"Coragem, não se entregue! Resta sempre uma esperança."

"A persistência é o caminho do êxito."

A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe."

Pitágoras


"Eu só sei que nada sei"

"A eloquência é a arte de aumentar as coisas pequenas e diminuir as grandes."

"Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade."

Sócrates

"Delibere o tempo que quiser mas, quando chegar a hora de agir, pare de pensar e aja."

Napoleão


"Todo crime é vulgar, assim como toda vulgaridade é criminosa."

Oscar Wilde


sábado, 11 de maio de 2013

Amor


Texto remixado
O medo de amar é o medo de ser livre”. Gravada em 1978, a canção de Beto Guedes com letra de Fernando Brant reflete a mais pura e, para alguns, brutal realidade. Só resta saber se esse amor que a bela música descreve, o que dá medo, é consciente ou inconsciente. Em outras palavras, será que existe alguém que teme o amor, sabe disso e nada faz?
Certa vez disseram que “o amor é brega”. Claro que é, mas e daí? Como será viver sem amor, atravessar o deserto existencial sem um copo d´água, uma brisa? Como seria viver sem jamais ter sentido o amor? Estou me referindo ao amor afeto e não o universal ou o fraternal. Falo do amor consequência da paixão entre duas (ou mais) pessoas.
Por isso gostei tanto do filme “On The Road”, que Walter Salles dirigiu mas cometeu o desatino de batizar de “Na Estrada”, em vez de usar o nome do livro que, com sabedoria, transportou para o Cinema. É um ácido filme de amor sim, por que não? Desde que li “On The Road” de Jack Kerouac (clássico do movimento beat lançado em 1951) em três momentos especiais de minha vida senti a presença do amor da primeira a última página. Que tipo de amor? O amor caos, o amor clamado, implorado, quase ausente. Amor desespero, amor sublime, amor angústia, amor proibido, amor anfetamina, amor álcool, amor, amor, amor. Nem sei se Kerouac soube que escreveu tão bem sobre o amor que Walter Salles filmou.
Meu milenar amigo Roberto Marra, que é psicoterapeuta, define “Django Livre”, de Tarantino, como um filme de amor. Especialmente do alemão Dr. King Schultz pela negra Broomhilda, amada por Django. De fato, Roberto me alertou para um movimento afetivo que eu não havia notado; o fato do alemão, pouco a pouco, ir se apaixonando por ela com base nas histórias que o ex-escravo vai contando.
O amor é um sentimento absolutamente necessário para todos os seres e mora aí meu grande questionamento em relação a igreja católica. Estudei em colégio católico de 11 a 17 anos. Homens de batida amargos, complexados, rancorosos, acabavam descarregando nos alunos todas as suas frustrações, o seu não viver, quase inexistência social. Daqueles religiosos, todos abandonaram a batina e passaram a amar, casar, ter filhos. Encontrei vários ao longo dos anos e no lugar da truculência seca da desidratação afetiva, vi homens mais tolerantes, generosos, bem humorados.
Concordo com Caetano quando, na magistral “Paula e Bebeto” que ele compôs, Milton Nascimento canta “qualquer maneira de amor vale à pena”. No início dos anos 70, auge da adolescência, uma namorada minha me disse algo parecido quando nos beijávamos e sussurrávamos segredos no alto de uma pedra na praça Ginda Bloch, em Teresópolis, ouvindo sem parar “That´s Way”, do Led Zeppelin. Que som. A letra não trata de amor especificamente, mas a música é amor em estado líquido. Como é o caso da fabulosa e acrilírica “Love Reign O´er Me”, The Who. Amor em letra e música. Tema infinito enquanto dura, o amor voltará a essa página. Com certeza.
Beto Guedes

Milton Nascimento

Led Zeppelin


The Who