sábado, 31 de agosto de 2013

O homem que entrou de sunga na igrejinha da empáfia

Laurentino Gomes é um escritor best seller que está prestes a atingir a marca de um milhão e seiscentos mil livros vendidos. Ele não fala difícil e nem usa fantasias inventadas pela cronicamente decadente aristocracia que baixou no Brasil quando a corte portuguesa fugiu de Napoleão (milhares de pessoas) e veio se esconder no Rio.

Laurentino Gomes é jornalista e historiador, e seu livro campeão de vendas chamado “1808” trata dessa vexatória fuga da corte. Sob o título do livro, a frase: “Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil”. Como resistir? Como não comprar este livro?

Laurentino pertence a nova geração de historiadores, escritores e educadores que jogaram no lixo o corporativismo da empáfia. Eduardo Bueno e Leandro Narloch também estão no grupo. Laurentino usa linguagem informal, não constrói frases rebuscadas inventadas por trás da balaustrada que escondia os intelectualóides.

Objetivo, dono de um texto jornalístico baseado em farta pesquisa realizada em diversos países, ele escreveu, também,“1822”, sobre o nascimento do Brasil independente. Outro livraço. Subtítulo: “Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado”.

Agora, o homem que entrou de sunga na igrejinha dos insolentes e presunçosos, está lançando “1889”. Subtexto na capa: “Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil”.

O livro está sendo anunciado em horário nobre nas redes de TV, o que, sinceramente, nunca vi acontecer. Até a chegada dos libertadores como Laurentino, livros de História eram produzidos sob o manto do terror reverencial. A nova geração de historiadores abriu o baú, tacou naftalina dentro e libertou a nossa História que agora está aberta a visitação pública. 

Sem rococós, adornos, leques, o que é ótimo para todo mundo. Menos para eles, os altivos que ainda se deslocam pelas sombras ardendo de leve desespero.

Claro que lerei “1889” porque, como disse ali em cima, a qualidade do texto e da pesquisa de Laurentino Gomes convida à leitura. Ele não teve receio de falar das intimidades de D. João VI e muito menos de D. Pedro I, ou da personalidade golpista e arrivista de Carlota Joaquina, porque pesquisou fundo antes de sentar no computador para escrever.


Sim, temos um escritor que virou pop star! E isso é muito bom para todos os brasileiros. Todos! 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Comercial de cartão de crédito prega o mau caratismo, o egoísmo e a molambada existencial

O comercial está aí embaixo e já foram feitos vários seguindo a mesma mensagem: dane-se você! Esta é a mensagem da famigerada campanha.

Uma senhora entra numa loja para comprar uma boneca para “a minha netinha” e é atraída pela a genocida Chucky (foto), protagonista de filmes de terror. A senhora diz para a vendedora que a netinha vai amar Chucky porque adora bonecas.

Nesse momento, a boneca faz uma cara de horror para a vendedora, sem que a senhora veja pois está pegando a carteira na bolsa. A senhora vai pagar e a vendedora interrompe perguntando: “Posso te falar uma coisa?”

As pessoas de bem, de boa índole, solidárias, de caráter acham que ela vai avisar “olha, senhora, essa boneca é a Chucky, uma assassina. Comprá-la é a certeza de que sua neta, a senhora e a família toda serão exterminadas”.

Só que a vendedora diz outra coisa: “pagar com o cartão X é muito melhor”. 

Sim, na cara limpa, na desumanidade empurra a consumidora para o precipício graças a cobiça, a omissão, enfim, a desumanidade ampla, geral e irrestrita.

Ela termina de falar e entra um locutor: “As vezes é bom ter um amigo para avisar. Pagar com o cartão X é mais prático, moderno e seguro”.

Terminada a frase, a boneca dá um soco dentro da bolsa, que fura. A vendedora se assusta, mas é incapaz de dar o verdadeiro aviso. O comercial termina.

Esse tipo de mensagem deve estar fazendo muita gente pensar, especialmente as crianças. Afinal, força, induz, cultua que o dane-se, o jogar os outros numa roubada é o melhor caminho, como proclama a sociedade dos egoístas, arrivistas, interesseiros, a turma do "viva eu!".

Amizade real? Solidariedade? Companheirismo? Nada disso. O comercial vende ganância, trairagem, desonestidade social, falta de ética afetiva.


O pior é que um dia desses li que está fazendo o maior sucesso.



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A resposta do amigo L.G. Bayão a carta aberta que está ali embaixo, depois da Bienal do Livro


Pois é, Luiz Antônio,

Se tivesse conhecido o Alex, ele teria muito pouco a inventar no meu caso. Como apelidar um cara que já vem de fábrica com um "Bayão" atrelado ao nome? E eu sempre fui Bayão, era como meus amigos de colégio já me chamavam, assim como sempre gostei de cinema. Vizinho do finado Cinema Um, aprendi a amar os filmes, entrava na primeira sessão, saía na última. E a verdade é que quem consegue se manter no rumo das paixões de menino tem um trunfo na vida adulta. Negar aquilo que nos move desde sempre é jogar esse trunfo fora.

Você nunca deve se afastar da música assim como eu nunca devo me afastar do cinema - anos atrás também precisei me afastar e, como você, enfrentei Mavericks do tamanho de arranha-céus. Não me afoguei. Tomei pancada atrás de pancada e vi o fundo. Subi, puxei o ar e continuei nadando.
Foi nessa época em que, depois de escrever quatro longas na seqüência, apostei tudo que podia num livro que havia lido ainda jovem, nos tempos do Cinema Um. O seu livro. Pela primeira vez na vida comprava os direitos de um livro. Mas será que aquilo ia dar certo? Era um tiro no escuro - o roteiro ficaria bom? Alguém se interessaria em comprá-lo? Quem faria dele um filme?

E aconteceu o que aconteceu. Nossa queridíssima Renata Magalhães lhe procurou querendo comprar os direitos do livro - que já eram meus. Conversamos, unimos as forças e eu escrevi o roteiro. O filme vai ser feito. O ciclo se completa. Essa a gente surfou juntos, hein?

Você se afastar da música é como eu me afastar do cinema. Estaremos nos afastando de nós mesmos. É preciso enfrentar Mavericks pra não perder de vista o horizonte. Mesmo que a gente beba água uma vez ou outra.

Abs,


Bayão

Milhões de vivas a Bienal do Livro!


Aberta nesta quinta-feira, a XVI Bienal do Livro do Rio, no Riocentro, é o maior evento do mercado editorial brasileiro. A informação é do Luiz Augusto Erthal, que faz comigo o programa de TV Café Paris, no ar em www.programacafeparis.com.br e também na TV O FLU, canal 12 da operadora SIM (Niterói e São Gonçalo), quartas-feiras as 22 horas, com reapresentação as sextas, 16 horas e domingos, 22 horas.

Em sua coluna "Café com Livros", Erthal, que é dono da editora Nitpress, fala da importância da Bienal para os escritores, editoras, mercado em geral. A previsão é que pelo menos 600 mil pessoas passem pelo Riocentro em nome do Livro. Sensacional!

Ações como esta, valorizam a Cultura, a Educação, estimulam a divulgação deste produto mais do que básico para todos nós. Valeu! E parabéns pelos 30 anos de luta, Bienal!


Pois é L.G. Bayão*, quando me afasto da música o vento sopra de sudoeste

L.G. Bayão com Erasmo Carlos. É dele o roteiro do filme "Minha Fama de Mau", do Tremendão, que começa a ser rodado até o final do ano.

 Cacá Diegues e Renata de Almeida Magalhães.

Tomas Portella.

  Darcy Borger, fera, com o saudoso Dominguinhos.

Coices ao vento, gente jovem reunida.

* L.g. Bayão é meu amigo, roteirista e escritor. É dele o roteiro do filme “A Onda Maldita”, ficção baseada em meu livro, que começa a ser feito no início do ano que vem. Produção de Renata de Almeida Magalhães (da “Luz Mágica” produções que é dela e do Cacá Diegues) e direção de Tomás Portela.

Rapaz, sabe o Alex Mariano, amigo meu recentemente assassinado por bandidos (des) graças a leniência do Estado? Alex era o rei dos apelidos. Conheço umas 10, 20 pessoas que foram apelidadas por ele e nunca mais se livraram dos codinomes.

Meu amigo desde a adolescência, ele conheceu meu “braço armado” quando foi fazer comigo a Rádio Fluminense FM, em 1981. Bayão, ele me apelidou de Luiz Antonio Mulla (com dois L) por causa de meus coices que ele dizia serem “antológicos” e, também, de “imperador Bokassa”, referência a Jean-Bédel Bokassa, hediondo ditador africano que de meados dos anos 1970 até 1985 cometeu genocídio e até canibalismo quando esteve no poder.

Quando Alex me chamou de “Bokassa” pela primeira vez (eu quase tinha saído no tapa com um figurão momentos antes), dei um coice no meu querido amigo. “Alex, Bokassa é o cacete! Luiz Antonio Mulla pode, mas Bokassa nem a pau!”. Ele não perdeu a pose: “e amado chefinho, pode?” Foi o apelido que pegou.

Bayão, sempre lembro do Alex porque ainda não pude chorar a sua morte vil, canalha, covarde como deve ser chorada. Ele me dizia, sempre debochadamente, “amado chefinho, quando você para de ouvir música entra em TPM e sobra pra gente”. Tinha razão, o grande Alex.

Recentemente me afastei da música e, quando percebi, o mar tinha virado, ventos de sudoeste começaram a soprar forte e eu me vi diante de ondas de 20 metros de alturas, aquelas de Maverick, Califórnia, com uma prancha pequena. Como no filme “Tudo por um Sonho”.

Não são as maiores ondas que tive que encarar, mas me deram trabalho. Surfei-as esta semana, Bayão. Sabe como? Com sessões desasossega vizinhos de “Quadrophenia”, do The Who, que ouvi no computador turbinado por amplificação Edifier que meu irmão e meu sobrinho me deram de presente tempos atrás.

A medida em que a guitarra lancinante de Pete Townshend, a bateria extraterrena de Keith Moon, o baixo desesperadamente genial de John Entwistle iam engolindo todos os andares de meu prédio, fui acalmando, acalmando, acalmando e sentei para te escrever essa carta aberta. Por que? Não sei, Bayão.

Fato é que deixei de ser Luiz Antonio Mulla em 2008, quando, sem saber, fui trabalhar num escroque calabouço corporativo que cismou de me domar. E acabou domando, o que me fez muitíssimo mal. 

Meu amigo, escrevo para você confirmando nosso encontro na primeira quinzena de setembro, quando irei almoçar com outro fera de cinema e TV, amigão dos tempos de Rede Manchete Darcy Burger, que também é fio desencapado. Mais, Bayão, prometo as zaralhadas de leitores aqui deste blog, mas especialmente a você (em maiúsculas) que não vou mais abandonar a música, que vai de rock and roll existencial até bossa nova da região de meu amigo e padrinho de estúdio Roberto Menescal, via Egberto Gismonti, Badi Assad, André Geraissati e similares.

Continue dando coices aí que eu respondo daqui. Sem coice não dá, meu amigo. Uma vez, um déspota me enviou um corvo-correio (estafeta dele) com a mensagem “de concessão em concessão viramos Conceição”. O canalha tinha razão.


Abraços do LAM, com M de Mulla. Sempre!



quarta-feira, 21 de agosto de 2013

American Tune

Texto restaurado e remixado

Eventualmente ela não sai da minha cabeça e poros. “American Tune”, canção de Paul Simon de meados dos anos 70. Ouvi em CD, assisti no You Tube, voltei a ouvir, mas a fome parece não cessar. Por que? Porque de repente, aparentemente do nada, uma música nos pega e fica girando, girando, girando, como os antigos balões juninos, nos tempos menos perigosos dos balões juninos.

Claro que já pensei na hipótese de uma saudade remota, mas descartei. “American Tune” não flagra nenhum momento existencial grave, agudo, drástico ou lírico a ponto de me pegar, me jogar no sofá e ficar ouvindo, ouvindo, ouvindo, como se no teto dançassem auroras boreais.

Parece que não é só comigo. A música do acaso (por sinal, título de um magistral livro de Paul Auster), tem esse poder. Pega, mata e come, como um carcará. Eu só queria saber por que? Por isso, entrei aqui na Coluna para especular junto com vocês. O que acham desse fenômeno? É comum, incomum, surreal? O que é isso?

Escrevi ouvindo:
                                 

domingo, 18 de agosto de 2013

Jornais de minha cidade





Escrevo este blog para o mundo. Sem exagero. O motivo parece óbvio, já que as estatísticas da empresa Blogger fala em muitos acessos por semana, sendo mais de 95% de fora de minha querida cidade, Niterói.

Um dia desses uma leitora me abordou na rua, perguntando por que eu não estava mais escrevendo nos jornais locais. Niterói é uma cidade que, desde sempre, abriga dezenas de jornais semanais. Dezenas. E desde meados dos anos 70 eu sempre escrevi em algum deles, parando tempos depois, não sei por qual motivo. O último foi o LIG, que editei com o apoio do amigo Edgard 
Fonseca, hoje dono do ótimo semanário DIZ JORNAL.

A leitora disse que lê este blog com frequência, mas disse sentir saudade de meus textos locais, voltados para a intimidade, hábitos, tiques, enfim, cotidiano de Niterói. Respondi que também sinto saudade desses tempos e que está nos meus planos voltar a ter uma coluna semanal por aqui.


Afinal, Niterói é a cidade que escolhi para viver. Falar com ela, pelo menos uma vez por semana, é crucial para mim.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Arranque os monopólios de sua vida!





Monopólios são as ferramentas nefastas do capitalismo. Alguns tem apelidos engraçadinhos como, por exemplo, “combos”. Você, bem intencionado, assina uma TV, mais internet, mais telefone de uma mesma operadora. Aí, quando dá um problema, cai a casa toda. Pior: para sair fora fica quase impossível porque a teia de aranha dos combos é quase intransponível.

Combo é monopólio e monopólio, em qualquer lugar é roubada. Por exemplo, se você usa webmail da Microsoft, seu computador é Windows e, para piorar, você usa o Skype (também pertence a Microsoft), está usando serviços da mesma empresa. Melhor variar.

Não sou exemplo de nada, mas como este blog pertence ao Google, estou tirando meu e-mail do Gmail (estou indo para o Outlook da rival do Google , a Microsoft) e usando programa de mensagem Eudora. Meu navegador não é do Google (Chrome) e sim do Mozilla (Firefox), enfim, evito concentrar poder em um monopólio só.

E, penso, deve ser assim em tudo na vida. Quando nos “fidelizamos” (palavrinha bonitinha) a uma marca acabamos vítimas dessa marca, que manipula, usa, abusa a qualquer hora. O You Tube não detém apenas o monopólio do mercado de vídeos na internet. Ele tenta censurar e até determinar o que devemos ou não publicar em seus canais. Antídoto: pague 60 reais por mês e alugue um streaming de vídeo. Ou você acha que a liberdade é menos importante do que 30 dólares mensais?

Gasolina? Petrobrás jamais porque: 1 – Não vou dar dinheiro para o PT; 2 – Não vou alimentar o monopólio. Alterno gasolina da Shell com da Ale e ponto.

O que acham? Isso é delírio meu ou tenho razão?


P.S. – Sobre as notícias de que nossos e-mails são lidos por arapongas digitais, vocês tem alguma dúvida? Claro que os webmails gratuitos multinacionais entregam tudo. Quando escrevo uma mensagem imagino várias pessoas lendo. Solução? Conta em um webmail PAGO, confiável e brasileiro.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Esta Webcasa é de vocês!


Olá! Muitos novos leitores desde que abri, hoje, a fanpage da Coluna do LAM no Facebook, https://www.facebook.com/colunadolam?ref=hl

Obrigado por terem vindo a este blog atemporal, atonal, livre. Conto com os seu comentários!

Abraços, Luiz Antonio Mello.

Antonio Quintella: Araribóia Blues e Sincronicidade

Texto restaurado e reeditado

Um dos discos que mais gostei (e me orgulhei) de produzir foi “Araribóia Blues” do cantor e compositor Antonio Quintella, pelo selo Niterói Discos, nos anos 90. Tempos atrás, por pura saudade, peguei o CD e ouvi todo, de ponta a ponta, lembrando das dezenas de sessões de gravação no Castelo Estúdio, de Fábio Motta, que duraram quase seis meses.

Antonio é um dos melhores cantores que conheço e à medida que o CD ia mudando de faixa lembrei de momentos das gravações. Muitos hilários, outros dramáticos, enfim, gravar um disco exige de todos os envolvidos muita calma, tolerância, paciência e resistência.

Disco pronto, lançado, Antonio Quintella mudou-se para a Califórnia onde foi vizinho de, nada mais, nada menos, Neil Young. Vinha esporadicamente a Niterói, mas não nos encontrávamos.

Pois bem, caro leitor, exatamente no dia seguinte da minha audição o telefone tocou e era ele. Cheguei a ficar meio mudo no início da conversa porque achei incrível essa coincidência. Afinal, não via o meu amigo-cantor há anos e não ouvia o seu disco há bastante tempo.

Ele voltou para Niterói definitivamente e está morando com a família em um belo sítio em Maricá. Vai estar no show “De Volta a Estrada” com Os Lobos, dia 6 de setembro, no Teatro Municipal de Niterói. Ele tem muitas histórias para contar sobre seu longo período nos Estados Unidos e vamos marcar um encontro exclusivamente para atualizarmos nossas agendas existenciais. Há muito o que falar, de ambos.

Aliás, naquela época do retorno do Antonio, vivenciei coincidências que, em alguns casos, chegaram a ser assustadoras. Carl Gustav Jung, um dos pais da psicanálise, não acredita em meros acasos. Ele criou a Teoria da Sincronicidade que em resumo diz que tudo no universo está interligado por um tipo de vibração, e que duas dimensões (física e não física) estão em algum tipo de sincronia, que fazia certos eventos isolados parecerem repetidos, em perspectivas diferentes.

A ideia desenvolveu-se primeiramente em conversas dele com Albert Einstein, quando ele estava começando a desenvolver a Teoria da Relatividade. Einstein levou a ideia adiante no campo da Física, e Jung, na Psiquiatria.

A sincronicidade é definida como uma coincidência significativa entre eventos psíquicos e físicos. Um sonho de um avião despencando das alturas reflete-se na manhã seguinte numa notícia dada pelo rádio. Não existe qualquer conexão causal conhecida entre o sonho e a queda do avião.

Jung postula que tais coincidências apoiam-se em organizadores que geram, por um lado, imagens psíquicas e, por outro lado, eventos físicos. As duas coisas ocorrem aproximadamente ao mesmo tempo, e a ligação entre elas não é causal.

Antecipando-se aos críticos, Jung escreveu: "O ceticismo... deveria ter por objeto unicamente as teorias incorretas, e não apontar suas baterias contra fatos comprovadamente certos. Só um observador preconceituoso seria capaz de negá-lo. A resistência contra o reconhecimento de tais fatos provém principalmente da repugnância que as pessoas sentem em admitir uma suposta capacidade sobrenatural inerente à psique".


Coincidência ou sincronicidade, Antonio Quintella deveria publicar uma biografia. Quem o conhece sabe que ele tem muitas ótimas histórias para contar, todas regadas a boa música. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Aos imbecis que pedem golpe militar no Brasil

Autorizo a reprodução deste artigo desde que seja dado o devido crédito. LAM.

Está no dicionário Michaelis:

Significado de Imbecil
adj. e s.m. e s.f. Falto de inteligência; estúpido, tolo, parvo.
Retardado cuja idade mental se situa entre três e sete anos. (Q.I. compreendido entre 20 e 50.) (Sin.: débil mental.)

Sinônimos de Imbecil
Sinônimo de imbecil: burro, estulto, estúpido, idiota, ignorante, inepto, lerdaço, néscio, palerma, parvo, pateta e tolo

Tenho recebido e-mails de alguns imbecis pregando intervenção militar no governo, depois das manifestações do dia 7 de setembro, previstas para acontecerem em todo o Brasil.

Manipulados por espertalhões que não se conformam em parar de mamar depois do fim da ditadura, os imbecis acham que com uma ditadura militar o Brasil ficará livre de suas mazelas. Pobres imbecis.

Se a roubalheira nos 10 anos de PT é ampla, geral e irrestrita, nos 21 anos de ditadura foi muitíssimo maior. A ditadura roubou rios de dinheiro na construção da inútil estrada Transamazônica, na até hoje invisível Perimetral Norte, na ponte Rio-Niterói, na binacional de Itaipu e por aí vai.

Por trás dos ditadores militares havia uma horda de imprestáveis civis que enriqueceram, muito, com mamatas, negociatas e jogadas encobertas pela censura aos meios de Comunicação. Aliás, mais do que os militares, canalhas civis se deram muito bem ao longo da longa noite de 21 anos que asfixiou o Brasil.

Caros imbecis, se voltasse a ditadura (isola na madeira!), vocês não poderiam estar mandando e-mails, nem dizendo o que querem nas redes sociais. A tortura voltaria imperar, impondo o silêncio à sociedade, enfim, seria a lama da lama.

Portando, imbecis, calem a boca e leiam livros. Leiam sobre o que é uma ditadura. A militar, a ditadura Vargas, enfim, em todas as suas formas, ditadura leva o ser humano ao extremo da crueldade.

Querem derrubar o governo? Ótimo! Vão para as ruas, votem nulo, façam qualquer coisa, menos pedir a volta dos gorilas.


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Por que o ontem parece melhor do que o hoje?

Texto restaurado remixado
Volta e meia uma onda saudosista varre nossa história pessoal. Muita gente, toda hora, posta músicas dos anos 60, 70 e 80 no Facebook, onde os frequentadores de uma página dedicada a lendária Radio Jornal do Brasil AM, minha escola de jornalismo, também lembram de momentos que nos foram tão belos, lúdicos, sensacionais na programação musical da emissora.

Meses atrás fiquei postando anos 70 no Facebook. Bandas alemães de 70, 71, 72, Deep Purple lançando Machine Head, Jards Macalé cantando “Farrapo Humano” e por aí fui. Por que? Não sei. Deu vontade.

Na verdade, quando posto canções antigas (não serei hipócrita) busco o virtual sossego do passado. Que sossego? O sossego comum, vizinho da calma, da tranquilidade, aquela que aparentemente enxergamos naqueles pescadores empunhando caniços nos litorais do mundo. O passado é um ótimo lugar para acharmos o sossego porque, em várias situações, ele surge. E a música tem o poder de nos transportar através do tempo.

Nas ilhas de edição de vídeo podemos mexer com tudo, dar a definição que acharmos melhor. É o caso das lembranças. Em geral, lembramos do que foi bom, do que foi legal, sensacional, porque só um masoquista lembra de momentos ruins o tempo todo. Como numa ilha de edição, montamos na mente um vídeo só com os melhores momentos.

Lembro que no tal dia que postei anos 70 no Facebook, me emocionei com a maciez do grupo Neu, depois um pouco de Mike Oldfield e, é claro, o Tangerine Dream, mesmo hoje, 40 anos depois, nos leva a lugares sossegados.

Não sei quem inventou o jargão “recordar é viver”, “saudade não tem idade” e outros. O fato é que a maioria (?) das pessoas relembra, revê, relê, como se o presente não estivesse robusto o suficiente para atender as suas demandas pessoais. As pessoas que falam de Beatles, TV Tupi, Lambretta, trampolim da praia de Icaraí, Torrão de Açucar em Búzios, por exemplo, são chamadas de saudosistas. Mas e a maioria que sente/pensa o mesmo e não revela?

Por que o passado ganha do presente? Por que o presente perde para o futuro? O que há de errado com o aqui e agora? Não sou filósofo, nem psicólogo social, mas os livros dizem que sempre foi assim. Tem um verso do Caetano que quando ouvi a primeira vez achei que era uma resposta, mas depois, ouvindo seguidas vezes, percebi se tratar de uma gigantesca pergunta:”Existirmos/a que será que se destina?”.

Especulo que o presente nos força a existir. Sim. Soltar amarras, voar, partir para a urgência, executar. O texto que escrevo agora é este, não há outro. Mais: pensamos uma coisa de cada vez. Mais: temos o direito de sentir saudade, sim. De pessoas, tempos, coisas, cidades, mas, recomendam os mais experientes, não devemos voltar lá. Decepção. Passei minha infância feliz da vida numa vila militar em Angra dos Reis, onde meu pai serviu como oficial de Marinha. Voltei lá nos anos 90. A vila está a mesma coisa e, confesso aqui muito particularmente que até chorei de emoção, mas Angra? Angra virou o maior favelão, não tem mais o trem onde brincávamos, a praia do Anil está cheia de urubus e a recepcionista da cidade não é mais uma sabiá-laranjeira e sim uma usina nuclear.

Alguém escreveu que não devemos voltar onde fomos felizes e que o lugar do bom passado é num dos arquivos de nossa memória afetiva. Mas, por que sinto o coração apertar quando ouço “I´m not in Love”, do 10 cc, que antes de virar sucesso em todas as rádios tocava na não menos saudosa Eldo Pop FM? Como explicar os 5, 6, 7 e-mails por dia que respondo sobre a Rádio Fluminense FM que criamos há 30 anos? Pior: a maioria dos leitores não era nascida quando a rádio existia? Alguém explica?

Um dia desses alguém me disse “saudade é uma coisa, saudosismo é outra”. Quando encontro amigos da adolescência lembro nitidamente de cada dia, cada momento, mas esqueço de trazer a tona as angústias, a reprovação no colégio, a queda de uma onda que me custou 11 pontos na perna. Por que a nossa mente só edita bons momentos do passado? Por que até pessoas que se revelaram molecas no presente hoje tem um lugar carinhoso em nossos escaninhos?


Alguém tem as respostas?

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A comovente entrevista de Bia Bedran para o programa “Café Paris”. Ela vai estar semana que vem no Teatro Municipal de Niterói


 
Bia Bedran vai comemorar seus 40 anos de mar, estradas e estrelas em dois showzaços no Teatro Municipal de Niteroi, semana que vem. Sábado, dia 10, as oito da noite, ela vai lançar seu magistral CD “Beatriz”, com 12 músicas compostas entre os anos de 1966 e 1968 quando a cantora ainda era Beatriz, – a menina dos festivais. Depois de compor centenas de canções dedicadas às crianças, Bia reencontra a sua criança compondo feito um adulto nesse disco. O show, para adultos, é absolutamente imperdível e histórico.

Mais: no dia seguinte, domingo, as seis da tarde, Bia vai lançar seu décimo segundo livro infantil, “O Caraminguá”, (editora Nova Fronteira). Neste show ela cantará e contará histórias para toda a família num formato de roda de samba e choro em pleno palco do Teatro.

Para reservar ingressos (os shows vão lotar) sugiro que liguem agora para o Teatro, telefone 2620-1624.

Na última quinta-feira, na bela galeria da Sociedade Fluminense de Fotografia, entrevistei a minha querida amiga Bia para nosso programa “Café Paris”, que vai ao ar as quartas-feiras, 22 horas, na TV O Flu, canal 12 da operadora SIM, com reapresentação sextas as 16 horas e domingos as 22 horas, e o dia todo a qualquer hora na internet: www.tvatlantica.com/cafeparis).

A entrevista vai ao ar quarta-feira dia 14 e foi muito bom passear no passado com aroma de futuro que a Bia evoca. Foi uma entrevista muito comovente porque lembramos de tempos em que nós e um bando de adolescentes nos reuníamos no deck de sua casa na estrada Fróes, cujo deck dava no mar, munidos de violões, sonhos, risadas, conflitos. Ali nasceu a Bia amiga que acabou se perpetuando.

Uma entrevista leve, autêntica, onde (vejam vocês!) até eu dei uma cantarolada ao lembrar de uma canção chamada “Bia” que ela compôs com 15 anos de idade. Bia faz bem a nossa alma, pelo seu sorriso, sua beleza, sua generosidade, e mais profissionalismo, coerência, ética, enfim, qualidades que dariam para superlotar mais de 100 colunas.


Muito obrigado, Bia, por ser quem você é e confiar em nós do “Café Paris”, ao abrir seu coração com tanto desprendimento nessa entrevista que no dia 14 milhares de pessoas vão poder assistir. Claro, estaremos nos seus shows!!!

Aqui, o vídeo sobre a história do CD "Beatriz":  http://www.youtube.com/watch?v=Jnp5vUn0ZSo