sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

“1973- o ano que reinventou a MPB” merece se tornar um best seller

O livro do produtor musical Célio Albuquerque, lançado ontem (centenas de pessoas) na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, merece se tornar um best seller por vários motivos, a começar pela grande ideia de reunir 50 ensaístas (entre eles, muito honrado, eu) que escreveram 431 páginas sobre os discos de MPB mais importantes lançados no emblemático ano de 1973.

“1973- o ano que reinventou a MPB” foi lançado pela Sonora Editora, do pesquisador musical Marcelo Fróes e, para mim, é leitura obrigatória para quem se interessa por música brasileira de qualidade. Digo que a obra vai ser, sim, um best seller por tudo o que ouvi das quase 500 pessoas que lotaram a livraria na noite de ontem (entre elas Moraes Moreira, Roberto Menescal, João Donato). Mais: o livro chega num momento especial, difícil, complicado, bizarro da música brasileira que está assolada pela molambalização, baixaria e outros conceitos ainda menos dignos.

Lembrar de épocas como 1973 foi uma grande sacada do Célio, um viciado em qualidade como todos os ensaístas que estão à bordo deste livro, que conseguiu reunir na Travessa os melhores jornalistas musicais do Rio (e do país). Ou seja, a necessidade de ouvir ou de relembrar bons momentos, faz de “1973- o ano que reinventou a MPB” uma iguaria necessária nesses tempos de fome de qualidade que estamos vivendo.

Fiquei feliz em encontrar leitores que não conhecia e para quem autografei o livro. Não só eu, mas evidentemente o Célio Albuquerque, Nélio Rodrigues, Pedro Só e outros articulistas que deixaram na obra o seu testemunho. 
Testemunho de um tempo que mostrou que é permitido criar, ousar, delirar, surfar as ondas da qualidade musical, sem medo, sem jabá, sem baixaria.

Célio Albuquerque está de parabéns pela organização do livro, cujos textos são extraordinários. Marcelo Fróes merece aplausos por ter colocado a sua Sonora editora à frente deste ousado movimento (sim, o livro é sobre um “movimento” com nome de ano, 1973), em tempos de arrego editorial.


Best seller. “1973- o ano que reinventou a MPB” está “condenado” a se tornar um, apesar de não ser de autoajuda ou de baixa literatura. Valeu todo mundo!