terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Copa nas coxas num país feito em cima da perna


Obras de vários estádios atrasadas apesar de custarem uma dinheirama infinita aos cofres públicos, ou seja, a nós. Obras em aeroportos também se arrastam, atrasam, a ponto de algumas autoridades-atrizes aparecerem na TV simulando raivinha, rosnando falso, batendo o pesinho contras as empreiteiras que não são de sua predileção. Ou alguém ainda duvida que existem empreiteiras, digamos, mais queridinhas?

Brasil, o país da Copa, estará pronto para o maior e mais fútil espetáculo de futebol da Terra? Não, mas a malandragem vai dar um jeito de maquiar tudo. Afinal o Brasil está nas coxas na saúde, educação, infraestrutura, combate à corrupção, enfim, é uma nação que está largada (des) graças a um governo que só vê espelho e urna na sua frente.

A Copa simboliza a maneira como o governo conduz o decantado (por ele) desenvolvimento da nação: nas coxas. A mediocridade é tamanha que a presidente convocou ministros para discutem o rolezinho, temendo que seja um pavio. Um pavio revolucionário e caótico que será aceso quando? Na Copa é claro. O governo não pode sorrir para o rolezinho (por causa da classe média) e não pode surrar o rolezinho (por causa das classes mais pobres e dos partidos nanicos que apoiam o suposto movimento).

A Copa virou o princípio, o meio e o fim. Afinal, vai acontecer três meses antes das eleições para presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Provavelmente vai ser a campanha mais cara da história porque terá que capturar um eleitor supostamente anestesiado pelos vapores da Copa. Ganhe o Brasil, perca o Brasil, o torcedor ainda estará lesado em outubro, mês eleitoral.

O que o governo não quer admitir (será que não sabe?) é que o povo mudou. O povo que vai votar (a força) em outubro vai julgar a saúde, educação, segurança pública, cultura e, alguns poucos, a Copa do Mundo de Futebol. 

Acabou essa balela de que “o povo alienado mistura Copa com política”. Com a seleção ex-canarinho (há quem chame, hoje, de canalhinha) vencendo ou perdendo, a maioria dos eleitores vão para as urnas pensando em mensalão, saúde, segurança pública, educação, corrupção.

Aquele povo que ficava histérico a ponto de votar em qualquer governo quando o Brasil ganhava não está mais aqui. Amadureceu e partiu, rumo ao infinito. Aquele povo que era usado como massa de manobra em tempos de manifestações nas ruas, pegou um táxi e partiu. Ou seja, estamos diante de um outro Brasil, com outra República, outros brasileiros.


No fundo o governo sabe disso e lastima. Lastima que o brasileiro não seja mais aquela foca amestrada capaz de fazer qualquer coisa em troca de uma sardinha. Felizmente, em outubro, vença o Brasil, não vença o Brasil estará nas cabines para julgar o governo que tenta desesperadamente manipula-lo com suas bolsas isso, bolsas aquilo. Por isso me arrisco a dizer que esse brasileiro também já não existe mais. Que bom!