sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Schumacher: o aniversário de um discreto herói

                           
                                                      

Foto: Marius Becker - AP

Nesta sexta-feira o ex-piloto de Fórmula 1 Michael Schumacher completa 45 anos. Ironicamente, seu quadragésimo quinto aniversário está sendo comemorado pela mais dura e difícil luta desse extraordinário piloto, vítima de uma fatalidade ao descer uma perigosa pista de esqui não sinalizada para salvar uma criança.

Uma boa fatia da humanidade torce para que Schumacher vença a mais difícil prova de sua vida porque não é à toa que um homem se torna sete vezes campeão mundial de Fórmula 1 (cinco pela lendária Ferrari), onde os carros rodam em média a 350 quilômetros por hora, longe dos holofotes, da purpurina, da futilidade que cerca e cobiça os grandes heróis.

Schumacher sempre foi um discreto herói e quem convive com ele diz que ele sempre sofreu calado. Por exemplo, quando Ayrton Senna morreu, o alemão sofreu muito. Muitíssimo. Mas não quis fazer média e nem mídia comparecendo ao funeral de Senna em São Paulo. Por que? Porque ele, Michael Schumacher, estava na cola de Senna, na época piloto da Williams e o alemão da Benetton. Ele não quis vir ao funeral para não ter que dar uma de sonso, dar uma de amigo de Senna quando ambos viviam o auge da rivalidade nas pistas.

Seu jeitão recuado provocou falsas impressões. Muita gente o achava pedante, quando na verdade é discreto, tímido, e cerca a sua vida pessoal com uma blindagem de aço. Com o tempo, os brasileiros começaram a perceber que o Schumacher cheio de soberba não existia. Lembram que ele até veio ao Brasil competir numa corrida de kart acompanhado da mulher e de uma cadela vira-latas que ele adotou.

Os brasileiros começaram a descobrir que o alemão ri, chora, faz caridade e gosta de salvar vidas. A tragédia nos Alpes franceses, que o colocou literalmente entre a vida e a morte, foi por causa de mais um gesto de grandeza de um homem que não conseguiria dormir em paz se não ajudasse (ou tentasse ajudar) uma criança, filha de um amigo.

Esse blog torce para que Michael Schumacher saia dessa e volte logo porque os discretos heróis fazem muita falta num mundo cada vez mais regido pela futilidade. Aqui, trecho de uma reportagem do Globo on line:

Família agradece mobilização

A família de Schumacher agradeceu a mobilização dos fãs, em uma nota publicada no site oficial do alemão:

“Após o acidente de esqui de Michael, nós gostaríamos de agradecer às pessoas de todo o mundo que expressaram sua simpatia e enviaram seus melhores votos para sua recuperação. Eles estão nos dando um grande apoio. 

Nós todos sabemos que ele é um lutador e não vai desistir", diz o texto. (...)
(...) O jornal alemão “Bild” afirmou quinta-feira que Schumacher saiu da pista de esqui para ajudar uma criança, filha de um amigo.