quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Marca D´água, meu segundo livro, traz as marcas de adolescência e da afirmação de uma mulher que se tornou escritora visceral. Artigo de Cristina Lebre.


“Marca d'Água" é o meu segundo livro, recém-saído do forno, e que traz agora, além de poemas, as minhas primeiras aventuras no mundo dos contos. Está à venda em www.biblioteca24horas.com .  

Quando meu amigo Luiz Antonio Mello me convidou pra apresentar o "Marca d'Água" aqui na Coluna do LAM eu senti, na mesma hora, um misto de felicidade com medo, de gratidão a Deus e ao meu amigo de mais de trinta anos com uma responsabilidade enorme de publicar um artigo nesta tão incrível e brilhante coluna. Brilhante porque o texto de Luiz Antonio é sempre brilhante, rascante, salgado, sarcástico, certeiro, um "solo" de literatura, se a gente for comparar com um solo de um Mark Knopller ou de um Eric Clapton, grandes guitarristas do muito amado e compartilhado durante toda a nossa vida, o genuíno rock'roll.

Voltando ao "Marca d'Água", é muito incrível, é quase inacreditável constatar que a Cristina Lebre, uma poetisa desde a adolescência, chega à década dos cinquenta lançando seu segundo livro, neste país onde tantos carecem de tanto.  O primeiro "rebento" literário, "Olhos de Lince", foi lançado no mercado muito timidamente em 2008, e ficou meio esquecido até 2011, quando a autora aqui resolveu mergulhar no universo da poesia e dos poetas, começou a frequentar os saraus e lançamentos, e descobriu um mundo mágico onde centenas de artistas se reúnem frequentemente pra divulgar sua arte.  Daí pra frente a Cris Lebre não parou mais.  Lançou "Olhos de Lince" no Corujão da Poesia, sarau comandado pelo grande ativista cultural João Luiz, o João do Corujão, no Brinde à Poesia da poetisa mor desta capital fluminense Lucília Dowslley, que há 15 anos dedica sua vida a lançar poetas e músicos do total anonimato para um reconhecimento comercial, e não parou mais.

Assim, enquanto "Olhos de Lince" contem poemas escritos desde a minha mais pura adolescência apaixonada, mas também já preocupada com a condição humana e o desequilíbrio nas relações sociais e políticas, o "Marca d'Água" foi produzido em um tempo curto, apenas dois anos, mas dois anos de grande vivência com a poesia, fantásticos poetas e muita inspiração, pois quanto mais se lê mais se escreve, e melhor se escreve.

"Marca d'Água" tem ainda a marca da crédula poetisa adolescente, mas se mescla com uma atual ousada escritora que externa seus sentimentos, pensamentos, sensações e devaneios de forma lírica, mas também, em muitos textos e poemas, revela de maneira surpreendente sua maturidade em constatações dramáticas sobre a condição humana, o amor e a morte, a crença inabalável em Deus e a homenagem à natureza em seu mosaico de matizes de cores.

“Marca d’Água” mostra ainda um lado muito mais impessoal da autora, que inventa personagens tanto na poesia quanto na prosa, como em "A moça da casa amarela" e " O andarilho" , (poemas), e nos contos e prosas poéticas " A mulher dos saltos", " Neno" e " O lago".
Em todo o livro, no entanto, a emoção está presente.  A “Marca d’Água” de Cristina Lebre é sua lágrima sempre corrente na face, seja diante da pureza da criança, seja no mirar do pólen de uma flor. E é dessa forma que a autora pretende tocar os corações sensíveis, ou os nem tanto, mas que, num poema ou outro, identifiquem-se, em algum momento, com a transparência das emoções humanas, provocando no leitor um respirar fundo, lento e atingido em cheio pela leitura de seus versos e prosas.