sábado, 1 de fevereiro de 2014

Aumento das passagens de ônibus no Rio: esculacho político com quebra-quebra anunciado?

O Tribunal de Contas do Município, vulgo TCM, não é nenhuma igrejinha, mas tem faro de hiena. Recomendou que a Prefeitura do Rio baixasse o preço das passagens para R$ 2,50. Na contramão da lógica, na capital do surreal, a Prefeitura preferiu autorizar um aumento para R$ 3,00 logo no início deste tórrido fevereiro.

Nem uma ema do pantanal cometeria tal desatino político. Afinal, o quebra-quebra em todo Brasil, ano passado, teve o estopim aceso justamente pelas passagens de ônibus. Muito tapa na cara, tiros, fogo, baderna e na maioria absolutamente das cidades não houve aumento algum. Agora, nessa fase que muitos apontam como pré-pancadaria generalizada por conta da Copa do Mundo, a Prefeitura do Rio mete esse aumento na cara dos contribuintes.

Não dá para entender esculachos políticos como este. Dá? Bem, em 24 de agosto de 1954, acuado como uma ratazana depois que seu “mar de lama” tornou-se público, Getúlio, o Vargas, não teve outra opção. Subiu para seu quarto no Palácio do Catete, pegou um revólver e pou!, atirou no próprio peito. Deixou uma carta-testamento que lá pelas tantas diz que “deixo a vida para entrar na história”.

Getúlio, o velho Get, tinha razão. O seu enterro transformou o mar de lama que marcou a escandalosa corrupção que serpenteava seu governo, em mar de lágrimas nas ruas, avenidas. Foi uma apoteose.

Getulião foi genial e virou o jogo, mas não ficou aqui para ver. Carlos Lacerda e sua bicharada, que antes eram o símbolo do combate ao velho do Catete, não foram linchados porque conseguiram sumir, conseguiram se esconder na penumbra, fora da área de cobertura.

Pois bem, estamos vivendo um ano absolutamente atípico. Especialistas em povo dizem que 2014, mais do que o ano da Copa do Mundo de futebol, vai entrar para a história como a era de manifestações de rua mais radicais (e violentas) por causa, também, da Copa. Mas, sobretudo, pelo caos na saúde, educação, lambança generalizada, Brasil usando dinheiro do BNDES para dar porto de presente para Cuba, comitiva presidencial torrando nossos euros (impostos não tem pátria) ocupando suítes em hotéis cinco estrelas de Lisboa, enfim, 2014 vai ser um pé na porta.

Não é preciso ser vidente para antever tudo isso. No entanto, as zebras engravatadas, protozoários da política de gabinete, aumentam passagens como se a gritaria lá fora fosse de aplausos, babação de ovos. Dá para entender? É esculacho político ou não é? Cacete!