segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Grupo Renaissance bate recorde de comentários no meu Facebook


                                          Ouça.

Impressionante. Domingo último postei um clássico do grupo inglês Renaissance em minha página no Facebook. Foi a canção “At The Harbour” do antológico álbum “Ashes are Burning”, de 1973, que conheci quando trabalhei na Rádio federal AM, a primeira emissora totalmente rock (do bom) do Brasil, pilotada por Marcos Kilzer, Jorge Davidson e Carlos Siegelman. Pus a música na Coluna sugerindo que vocês ouçam enquanto lêem essas linhas.

No post do You Tube escrevi: “Uma das mais belas introduções que já ouvi. Quase dois minutos com o piano de John Tout.” Mais tarde, o genial Servio Tulio, músico e multitudo, acrescentou: “Este álbum é histórico. Esta introdução de piano e a parte central da música na verdade são trechos de um prelúdio de Debussy chamado "A Catedral Submersa" = La Cathedrale engloutie. Este disco tem diversas citações de peças clássicas.”

Não sabia que Claude Debussy estava nessa bela história, justamente ele que é um de meus compositores clássicos preferidos. Servio matou a charada sobre o astral altíssimo da música que ganhou uma outra e certeira definição do outro leitor chamado Guilherme B Cairo. Ele disse: “Renaissance é tão bom que chega a doer o coração!”

Pois é Guilherme, é essa a sensação que a introdução e os meandros de “At The Harbour” provocam em mim e em outras milhões de pessoas. Tenho um amigo que assistiu ao grupo no Royal Albert Hall, Londres, meados dos anos 1970 e quando chegou a hora e a vez de “At The Harbour” ele não aguentou e se afogou em lágrimas. Olhou para o lado e todos os que estavam em sua fila (a terceira, banda na cara) choravam copiosamente.

Ontem, quando postei a canção no Facebook um nó fechou a minha garganta. O piano de John Tout com o tema de Debussy me arrancou do computador e me atirou em telas, campos, mares, passado, presente, futuro, caramba eu girei pelo mundo, pelas civilizações e, sobretudo, fiz uma visita de cortesia a meu afeto, que me recebeu com um abraço apertado.

Essas músicas que geram esses sentimentos, agudos, profundos, intermináveis e à prova de tempo, não tem a menor explicação. Junte-se ao som a honestidade visível de Claude Debussy com a do Renaissance e não poderia desembocar algo diferente de água azul, aves coloridas, uma certa paz de espírito alternada com o torpor da saudade. Músicas assim carimbam a nossa alma e eu me vi, de novo, beijando uma morena que namorava nesses tempos de Oceano Atlantico azul, céu lotado de estrelas ascendentes, luares transcendentais que os poetas costumam chamar de “eras que não voltam mais”. Sim, não voltam, mas o Renaissance e outros nomes da música tem o poder de nos levar a uma visita guiada a nossos museus. Museu da Infância, da Adolescência, do Amor, da Paixão, enfim, museus que vamos abrindo ao longo da vida.


Vida que - essa música sugere - não deve ser corrida, ansiosa. Sim, busquemos a paz, a tal paz que desejamos em cartões de ano novo, certos de que não a encontraremos porque, irremediavelmente quando uma música dessa toca, a paz é quem nos procura, encontra e beija. Na boca.