segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Leve desespero diante da falta de chuva

Falta de chuva, altas temperaturas, reservatórios quase secos, recordes e mais recordes de calor em praticamente todas as capitais do sudeste e sul do Brasil. Não ser fala em outra coisa. Nos sites, jornais, TVs, rádios, o assunto é esse sufoco que assola o país depois de décadas e mais décadas de relativa normalidade no verão. Que normalidade? Sol forte durante o dia, chuvas torrenciais nos fins de tarde.

Mais de um mês sem uma gota d´água sobre o Rio de Janeiro e arredores. Mais de um mês, em pleno verão, com temperaturas estonteantes em todos os pontos da cidade, do estado. E a mídia alimenta ainda mais o leve desespero que, nitidamente, abate as pessoas nas ruas, ônibus, barcas, sites, por uma razão muito simples: nós do sudeste não estamos preparados para vivermos uma estiagem e isso é muito natural.

As reações da natureza desestruturam o ser humano. Em qualquer parte do mundo. Dizem que os japoneses, por exemplo, estão acostumados aos terremotos e convivem muito bem com eles, o que é uma balela. Um colega meu, que já foi correspondente na Ásia, diz que mesmo sentindo uma tremida leve os japoneses ficam muito, mas muito ansiosos porque apesar da alta tecnologia de construção de prédios, das medições milimétricas da meteorologia, ainda não se sabe ao certo até que grau irá um tremor.

Todos assistimos pela TV o que foi a tragédia de Fukushima que, segundo especialistas, teria matado muito mais se os japoneses não respeitassem a ansiedade (ou leve desespero) e saíssem de suas casas que, depois, desabaram.

No caso do Brasil, além do calor infernal e, principalmente, falta de chuvas (pelo que vejo nas redes sociais a possibilidade de seca é muito angustiante para todos) o que agrava o desespero é não termos governos competentes e confiáveis, tanto na esfera federal como na estadual e municipal. Tudo o que as autoridades disseram sobre a escassez de energia nos últimos dias foi papo furado. Nós, povo, sabemos que é tudo cascata e diante desse quadro de falta de chuvas somado a governos lenientes é lógico que ficamos muito inseguros.

Como disse ali em cima, o poder da natureza é inquestionável e serve para que, pelo menos, todos nós comecemos a pensar seriamente nos desmatamentos, aquecimento global e outros temas que nossa teimosia (ou preguiça) acha que “isso é problema deles”. Deles quem, cara pálida? Está aí a natureza mostrando que é problema nosso e que devemos lutar para preservar minimamente o ambiente em que vivemos. A chamada sustentabilidade é muito maior do que plataforma de campanha de políticos oportunistas. É a essência da vida. E pela vida devemos lutar até as última consequências.