quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Reclamar não vai livrar o Brasil do aquecimento global

Na boa, estou cheio de ouvir (e ler) gente reclamando do Brasil nesse calorão, em especial dos pequenos burgueses que dizem preferir morar na Europa, Ásia e América do Norte do que “nessa pocilga”, como escreveu um sujeito no Facebook. Fui lá e comentei: “pegue um avião e suma, meu chapa. Reclamar não resolve e esse papo de pequeno-burguês (suburbano mal resolvido) não leva a nada”. O cara não rebateu.

É evidente que esse calor não é normal e, com certeza absoluta, a lambança dos desgovernos (federal, estaduais, municipais) é a principal vilã desse aquecimento estúpido. Afinal, pelo menos nos últimos dez anos, esses desgovernos desmataram (ou deixaram desmatar) como nunca, não investiram nada em política ambiental, enfim, se a coisa chegou a esse ponto é porque os desgovernos assim quiseram. Desgovernos eleitos pela maioria, diga-se de passagem.

Não foi por falta de aviso. Ambientalistas sérios já vem alertando há mais de 30 anos que a canoa ia virar, que as reservas ambientais do Brasil estavam no limite e que se providências sérias não fossem tomadas, em caráter de urgência, o país ia cair nos braços do implacável aquecimento global. Não deu outra.

Um dia desses o ministro (?) das minas e energia chegou para toda a imprensa e disse que o risco de uma crise no abastecimento de energia elétrica “é zero”. No dia seguinte quase metade do país sofreu um apagão, causado pela crise no abastecimento e pela incompetência dele, ministro.

Alguns técnicos chegaram a sugerir, meses atrás, que o governo fizesse um racionamento de energia para nos livrar do colapso, mas, como se sabe, esse ano tem eleições e a presidente - que acha que tudo pode, tudo vê, e nada a supera - não teve a humildade de ouvir os técnicos. Optou pela sua prepotência, arrogância e atroz incompetência. Conclusão: a conta chegou. 

Quem paga? Nós. Colegas dizem que o humor daquela senhora está mais baixo do que os reservatórios de água, mas a essas alturas sair distribuindo coices não resolve nada. É hora de ouvir os técnicos.

Ainda assim, fico no Brasil, país onde nasci e escolhi para viver. Mesmo diante dessa atrocidade (esse governo que está aí é um crime sob todos os aspectos) vou brigar pelo país aqui dentro e não aturo mais esse geme-geme da pequena burguesia que ameaça ir embora como se todos nós fôssemos para os aeroportos gritar “fiquem” “fiquem!” fiquem!”. Ora, se querem ir, arranjem uma boa grana e tchau, agora torrar nossa paciência dizendo que o Brasil é cloaca, inferno e outras definições quase impublicáveis é o caso de responder perguntando: “você vota nas hienas e agora quer cair fora?”. Sim, porque papo pequeno burguês é coisa do comissariado da presidente, a rainha dos coices que está indignadinha (viram no Jornal Nacional ontem?) porque não consegue mandar na chuva.