sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Sertanejos roubam até a estética cênica do Rock

Texto restaurado e reeditado
Não conheço nenhum roqueiro que tenha tido overdose de rivotril com campari, mas os chamados sertanejos universitários, bandos de milionários que cometem um som que está muito distante da autêntica música regional brasileira e também do pop urbano, apelam na maior cara de pau. Se eu tivesse que batizar, chamaria de baranga music isso que eles fazem e cismam que música.

Sertanejo universitário é uma marca inventada para justificar o rompimento (em muitos casos nunca houve ligação) nessa (cusp!) música com o regional autêntico. Perceberam que usar palco igual ao do pop rock, mais luzes, amplificadores (em geral Marshall, Hiwatt, Orange e Fender), enfim, tudo idêntico aos que o Bon Jovi, Beyonce e outros astral que fazem do rock um olimpo, objeto cênico de primeira grandeza.

Já repararam que esses neo-sertanejos roubaram, à luz do dia, toda a estética cênica do Rock. Os palcos são iguais, as guitarras, contrabaixos, violões são Gibson, Fender, Krammer, Ibanez, Takamini, as baterias DW, Premier, Ludwig, Pearl, os teclados Yamaha, Fender e nos P.A.s (caixas gigantes que jogam o som do palco para a platéia) toneladas de coliformes fecais em estado bruto.

Tempos atrás assisti num canal a cabo o pedaço de um show desses doidões de rivotril com campari e estavam lá os canhões de luz e movies a La Roger Waters, a parede de amplificadores Marshall a La AC/DC, as guitarras, preciosas, a La Hendrix, Pete Townshend, Jimmy Page. Parecia Rock in Rio.

Tudo isso municiando um nada autoral, invisibilidade cultural, boçalidade artística e muito, mas muito dinheiro em caixa. Tanto que até os aviões desses sertanejos são iguais aos das bandas de rock internacionais.

Já que é assim, que sigam assim, pagando mico musical despejando vômito sonoro pelo país a fora, em nome da imbecilidade ampla, geral e irrestrita.