terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Taxista mal humorado. Haja Saco!

Texto restaurado e remixado

Precisei pegar um táxi, longe da hora do rush para constatar que a tal da hora do rush agora começa as 6 da manhã e só acaba as 10 da noite. Não sei o que vão fazer com tantos carros e antas dirigindo. O táxi que peguei deveria ser arrancado de circulação. Caindo aos pedaços.

Entrei (não havia outra opção) e o motorista ouvia uma rádio mundo cão aos berros, com as piores notícias até aquela hora do dia. Solicitei, visivelmente fulo da vida, que o taxista desligasse o rádio. Ele diminuiu o volume. Eu, então com a voz já meio enfurecida, disse “eu pedi para desligar”. Não sei que tipo de expressão facial me acometeu, mas o cara foi lá e clique, desligou o rádio.

Foi pior. No lugar do rádio, ele começou a falar. Falar mal. Do mundo, do Brasil, da vida, da mulher e do seu próprio carro. Perguntei, tentando cortar aquela tempestade de coliformes fecais despejada pela boca daquele cidadão, se o ar condicionado do carro estava funcionando. Ele disse que não porque “o ar desse carro é uma porcaria”. E continuou sentando o pau no carro, nas peças do carro, no vidro escuro que estava lascando, isso tudo com o transito se arrastando como uma lacraia bêbada.

Quando percebi que teria que aturar aquele ogro, olhei para o taxímetro (que marcava R$ 9,80), peguei uma nota de R$ 10,00, paguei e pedi para encostar. O taxista, surpreso, tentou saber “mas o senhor não vai até...”. Eu disse que tinha “esquecido de pegar a minha cachorra no veterinário” e desci daquele shitmóvel antes de chegar a metade do caminho.

Que alívio! Sem rádio mundo cão, sem vozes negativas, de gargantas negativas, cabeças negativas. Decidi ir andando até o destino providenciar um táxi decente. Uns 400 metros depois vi o tal taxi, sem vidros escuros, novinho, livre! Entrei e tocava a Radio MEC FM, o motorista tranqüilo, enfim, cheguei ao final da corrida bem, sem aquela sensação de chute no saco que estava sentindo.

Acho que a vida também é assim. Se estamos num “táxi” que não presta, é preciso descer e trocar. Pode? Claro que pode. A arte da felicidade passa pela renovação, pela ousadia. E dane-se se os taxistas existenciais vão ou não entender porque descemos no meio do caminho. O caminho é nosso e ponto final.