segunda-feira, 3 de março de 2014

Nas mãos de Deus


Texto restaurado e reximado

Estava andando por uma calçada não muito perto de casa quando, na minha frente, a poucos metros, uma mulher pisou em falso e caiu. Ela estava de mão dada com uma criança de, no máximo, quatro anos.

As pessoas que estavam por perto, quase que em coro, gritaram “meu Deus!”. Corremos para ajudar. A criança chorou um pouco, um pequeno arranhão no cotovelo, nada demais, mas estava muito assustada. A mãe, nervosa. Muito. Achava que a filha poderia ter se machucado, que o temperamento da menina era fechado, se culpava pelo incidente.

Nada aconteceu. A pequena multidão se desfez. O marido da mulher chegou e a levou para dentro de uma farmácia. Antes, agradeceu a todos nós pela ajuda. E de novo, praticamente em coro, ouvi “vá com Deus”.

O Senhor está em minha vida até nos atos-reflexos. Sei que muitos leitores desta coluna não acreditam em Deus e não quero, de forma alguma, que pensem que estou tentando forçar uma barra. É que me deu vontade de escrever. Só isso.

Minha fé em Deus é radicalmente inabalável por razões concretas que vivencio, vivenciei e vou vivenciar. O caso do tombo na calçada que abriu esse texto, que poderia ter tido conseqüências graves (foi uma queda muito feia) e outros tombos bem mais profundos que muitos levam ao longo da vida, muitas vezes geram a “senha” “meu Deus!”. No meu caso, há muitos anos (podem por aí umas décadas) fui levado por um grande amigo, Roberto Marra, a conhecer uma pessoa que está entre as mais maravilhosas, generosas, sensíveis, éticas que conheço: meu amigo Téo Elias, que é da Igreja Betânia.

Quem leu meu livro “A Onda Maldita – como nasceu a Rádio Fluminense FM” 
visitou o abismo em que caí em 1985. Não tive o menor constrangimento em contar tudo, expor em via pública porque quis compartilhar com os leitores. Pois, neste ano de 1985, conheci o Téo e mais tarde o Josué Rodrigues. Como a Betânia está longe de ser uma instituição de fanáticos lá conheci outras faces de Deus. Aprendi que a fé é uma questão pessoal, totalmente pessoal.

Deus é uma energia cotidiana em mim e habita meus atos, fatos, emoções, decisões. Há uns anos assisti a um filme de surfe chamado “Nas mãos de Deus” e é aquilo mesmo. Na adolescência peguei muita onda de peito, com pranchas pequenas de madeira (hoje o esporte é conhecido com bodyboard), mas depois fui tragado por minha onda predileta que é a Comunicação. O filme é sobre ondas gigantes e o título mais do que apropriado. Surfistas, como astronautas, paraquedistas e outros que vivem no limite de fato estão nas mãos de Deus. Como nós. Todos nós.