domingo, 27 de abril de 2014

Ayrton Senna


Vinte anos atrás. Domingo. Como sempre eu assistia a corrida de F1 pela TV e, sem mais nem menos, Senna seguiu reto com sua Williams. Bateu violentamente no muro, mas apesar da gravidade da batida, como todo mundo, eu esperava que ele fosse sair do carro. Afinal, a segurança dos carros atingira um ponto semelhante a blindagem. Mas, não foi isso o que aconteceu. Senna não se moveu. Numa imagem feita de um helicóptero, vimos sua cabeça tombar para a esquerda, suavemente. Só.

Sozinho, angustiado, sem conseguir chorar, diante daquela tragédia que crescia na TV, larguei tudo e peguei meu carro. Fiquei rodando pela cidade (vazia), com vontade de ligar para meu amigo Hilário Alencar que, com certeza, devia estaria arrasado em algum lugar. Dos meus amigos, Hilário é o que mais ama e conhece automobilismo. Mas, também não sei porque, não liguei para ele e fui parar em casa de outros amigos na Região Oceânica de Niterói. Não, não dava para passar aquele 1 de maio de 1994 sozinho, apesar de já ter me resignado e percebido que a solidão se tornara a minha mais frequente companheira já naqueles tempos.

Soube da morte do Ayrton pelo rádio do carro. Não custei a acreditar porque vi o acidente, vi a pancada, percebi (como todo mundo) que o piloto não sairia do carro, especialmente depois que mostraram o piloto estirado no chão.
Em casa de amigos, luto. Eles tinham preparado um almoço para comemorar não sei o que, mas não tive apetite algum. Continuei colado na TV, assistindo aquele circo de horrores, sem conseguir definir ao certo o que estava sentindo. Luto? Torpor? Angústia? Até hoje não sei.


Passei um bom tempo sem assistir a F1 aos domingos porque perdi temporariamente o interesse, mas depois voltei a manter contato com a competição. Afinal, é meu esporte preferido. Quanto ao Ayrton, na boa, até hoje fica difícil de entender. Muito difícil. Especialmente depois que assisti ao esplêndido documentário “Senna”, de 2010, dirigido pelo inglês Asif Kapadia. Vale a pena correr atrás, baixar da internet, pegar numa locadora de vídeo. Agora!