sexta-feira, 18 de julho de 2014

Medo de polícia

Não vou por na conta da ditadura porque, felizmente, nunca fui preso nem torturado, mas confesso que tenho medo de polícia. Não gosto de ver um carro da PM porque sei que, à bordo, estão, em geral, dois fardados mal treinados, inexperientes, psicologicamente imaturos e com o dedo no gatilho de armas de grosso calibre.

Toda semana morre um por “fatalidades” provocadas por policiais. Estranho, mas ao invés de me causar segurança um carro da polícia me deixa ansioso, inseguro, com a sensação de que vou tomar bala a qualquer momento por...por...por nada. E, por isso, sempre ando com todos os documentos, IPVA do carro pago, enfim, apesar de nunca ter sido preso (nem por desacato) a presença da polícia me provoca um profundo mal estar. Lido com policiais da mesma forma que me relaciono com cachorros que não conheço. Gesticulo lentamente e procuro falar pausadamente e com a voz baixa pois movimentos bruscos podem custar a vida.

Quando me pedem documentos faço tudo em câmera lenta. O momento mais crítico é quando vou soltar o cinto de segurança do carro. Sempre aviso, “senhor, vou por a mão aqui para soltar o cinto”. Ainda assim, a presença daquela pistola a meio metro de minha cabeça, nas mãos de um policial visivelmente nervoso e despreparado, quase me leva ao desatino.

Tempos atrás, numa roda de amigos, percebi que não sou o único a ter medo de polícia. A maioria confessou o receio e a ansiedade que um carro da polícia provoca nos inocentes. Nos culpados, sinceramente não sei. Mas está aí a realidade mostrando que estamos lidando com homo sapiens sociais que respondem a qualquer suposta provocação com tiros. Isso é normal?