quarta-feira, 2 de julho de 2014

O que fazer com 3 milhões de carros despejados nas ruas por ano?

Se para a economia os sucessivos recordes de produção da indústria automobilística são uma notícia sensacional (ano passado chegou a três milhões de veículos e em fevereiro passado bateu recorde também), para a gente gera um certo desconforto. Certo desconforto ou seria leve desespero? 

Por quê? Simples. Enquanto a indústria entope as cidades com mais carros, motos, caminhões, ônibus, vans e tudo mais, as cidades não acompanham esse crescimento. E fica cada vez mais insuportável ir de um lugar ao outro.

Os especialistas europeus derrubaram a tese de que a construção maciça de viadutos atenua o problema. Preferem investir em planejamento, transporte público decente, controle inteligente do fluxo do trânsito utilizando sinalização monitorada por computadores e muitos guardas de trânsito.

No Brasil não suportamos mais tantos veículos engarrafados em ruas. viadutos, avenidas. Os motoristas dizem que falta planejamento, principalmente em cidades mais densas, mas, além disso, faltam investimentos no alargamento das vias para que as cidades possam suportar os sucessivos recordes de emplacamento de veículos. 


Em Niterói, quem vive na Região Oceânica sofre com a falta de sincronização dos sinais e é obrigado a enfrentar trânsito lento em quase todas as horas do dia. Essas sugestões parecem óbvias, e de fato são. Por que, então, não as aplicam? A Prefeitura anuncia a construção da Transoceânica. Tudo bem. Mas até a via ficar pronta, o que fazemos?


É lógico que não estamos falando de um tema simples. Engenharia do trânsito é extremamente complexa e com muitas variáveis porque as cidades são organismos vivos, cheias de "humores" que exigem atenção máxima o dia todo. Um simples caminhão descarregando mercadorias numa rua estreita (isso é muito comum e absurdo, deveria ser feito à noite) provoca um congestionamento que, efeito-dominó, vai contaminando outras vias até se consumar o famoso nó no trânsito.


Se como em muitas cidades do primeiro mundo a carga e a descarga fossem feitas em horário noturno daria para aliviar, mas essa hipótese já foi descartada várias vezes pelas autoridades daqui. E já que foi descartada, ao lado de cada caminhão um guarda deveria orientar os motoristas evitando um foco de engarrafamento.


Caros leitores, nesse ritmo de produção industrial como vocês imaginam o Brasil daqui a dez anos? Como imaginam, por exemplo, a Avenida Brasil, o tal boulevard que vai substituir a Perimetral, a Praça da Bandeira, no Rio? Mais Roberto Silveira, as ruas do "miolo" de Icaraí, Ingá, Santa Rosa, em Niterói? 


Uma grande macarronada de carros, caminhões e ônibus parados, esperando soluções que já deveriam estar sendo colocadas na prática hoje? Claro que sim. Há quem diga que não há mais solução alguma. Discordo.



Em outras cidades e países investe-se seriamente no transporte coletivo porque, também lá, a produção de veículos não para. O trânsito está entre as maiores preocupações e focos de irritação dos niteroienses, perdendo para segurança pública e saúde, é claro. Ir e vir é um direito que não é poesia escrita naquele livrinho verde, a nossa Constituição.


E o ir e vir necessariamente passa pela segurança pública e por um sistema viário moderno, ágil, capaz de suportar a produção cada vez maior de veículos. E, como diz o livrinho verde, garantir o nosso ir e vir é uma obrigação do Estado.