quarta-feira, 9 de julho de 2014

Ufanismo é uma praga terrível - Por Adriano de Aquino, artista plástico

A seleção brasileira perdeu em campo porque durante a gestão Felipão pisou mais no gramado para tirar fotos, dar entrevistas para a rede de entretenimento e atuar em filmes de publicidade com cachês milionários do que para treinar esquemas táticos. O culto a personalidades, em qualquer campo de atuação, é uma armação doutrinaria com objetivos torpes.É ruim no campo esportivo e pior ainda na arena política e na cultura em geral.

Brasileiros com a percepção mais aguçada já previam que a seleção não atravessaria um bloco mais consistente de adversários. Porém, a voz de comando “pra frente Brasil” intensificou a campanha publicitária onde o ‘garoto’ da ginga Brasil venceria qual um herói épico todas as dificuldades. A seleção brasileira perdeu.

O investimento monstruoso, imerso em suspeitas de corrupção, afundou. Não adianta botar panos quentes. O prejuízo político para a situação é imprevisível. Um governo marcado por atitudes estabanadas, pelo descontrole da gestão econômica, pela perda de potência das grandes estatais como a Petrobras, Eletrobrás e etc. será marcado como aquele que proporcionou a maior vergonha do futebol brasileiro. Chamo atenção para um detalhe que até o momento ninguém se deu conta: o ponto focal de toda retórica do Lula é o Futebol. O futebol brasileiro perdeu.

Ele, para o nosso bem, perdeu metáforas.
Os estrategistas- os ‘felipões’ do governo- perderam fabulas narradas e contábeis. Tentar reciclar o ufanismo com a marca da Copa das Copas é tiro n’água. A Batalha dos Guararapes, nome do viaduto de BH que balançava sobre a via de acesso ao campo de batalha do Mineirão, construído na pauta Mobilidade Urbana, um legado da Copa, desabou ceifando duas vidas e deixando mais de vinte feridos. Como elevar às alturas investimentos do PAC feitos em obras que desabam e semeiam a morte?


Como tirar a responsabilidade dos gestores no enlevamento publicitário extremado em cima do futebol? Como desfazer a decepção e reprimir a “explosão” emocional da torcida “pra frente Brasil”? Como consolar jovens, crianças e adultos entregues a esperança tão volátil?