sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A Meritocracia Negra - artigo de Antonio Ernesto Martins

Existe um contrato social, nos bons termos de Rousseau, vigente em nossa civilização contemporânea que dá ao estado a prerrogativa do monopólio do uso da força para garantia dos direitos dos cidadãos e preservação do cumprimento de seus deveres. Podemos até alegar que não somos signatários de nenhum contrato, mas esperamos que esse privilégio estatal seja utilizado em nossa defesa sempre que nós, nossa família ou nossas propriedades forem ameaçadas. Dessa forma, depositamos no braço armado do estado com seu poder de polícia a confiança de que essa força seja exercida na defesa do respeito aos direitos individuais e na preservação da ordem.

Mas o que fazer quando esse contrato é quebrado como no caso da prisão do ator, vendedor e psicólogo Vinícus Romão? Como não se indignar diante de uma injustiça praticada justamente por aquele ator estatal que deveria defender-nos dessas barbaridades? Vinícius após uma temporada de 16 dias na cadeia, preso injustamente através de um procedimento policial ilegal, evita falar diretamente em discriminação racial. Mas basta olharmos com um pouco mais de atenção para nossa sociedade para verificarmos que nossa extrema desigualdade, econômica, de oportunidades e de representações, tem raízes aprofundadas nas questões racistas e no legado da escravidão.

O coturno na porta do barraco, o tapa na cara nas vielas escuras das periferias, o desrespeito sistemático aos direitos humanos, têm alvo certo e a truculência policial quase sempre é disparada como um projétil teleguiado e programado para atingir a cor da pobreza. E a cor da pobreza brasileira é essencialmente negra.   Basta andarmos pelo centro do Rio de Janeiro para verificarmos a grande predominância de brasileiros negros na população invisível dos moradores de rua. Predominância proporcionalmente inversa nas arquibancadas do Maracanã por ocasião da decisão da Copa das Confederações.  

O antropólogo Luiz Eduardo Soares me contou que prepara um trabalho no qual, com o costumeiro brilhantismo de sua mente acostumada a fazer conexões extraordinárias entre a academia e as periferias, vai se debruçar sobre os fatores históricos e políticos que nortearam a inserção do elemento negro na nação brasileira e que explicam, sem justificar é claro, a divida social impagável que nosso país tem para com esses cidadãos por tanto tempo submetidos a uma subcidadania.

Nesse aspecto histórico do problema vejo que a meritocracia impregnada no pensamento do senso comum brasileiro legitima não só a desigualdade como também determinadas ações do estado marcadas pelo arbítrio. É comum o pensamento de que quem está socialmente fragilizado chegou aonde fez por merecer. 

Não se empenhou, é fraco de caráter, e merece castigo. As intransponíveis barreiras sociais e políticas que separam as classes são vistas como obstáculos autênticos e válidos dentro dessa meritocracia que admite preconceitos e orienta políticas públicas. Apoiados nesse pensamento agem desde os justiceiros aos maus policias, abençoados por grande parte das elites. Mas o mais cruel é que esse raciocínio não é monopólio das elites e torna-se ainda mais vil quando é disseminado entre as populações mais carentes, vitimas dessa lógica.

Assim fiquei surpreso, mas resignado, quando ouvi em uma conversa entre um trocador de ônibus e um passageiro – ambos negros – a seguinte afirmação: “Também né?...um negão na rua de noite...com aquele cabelo...tá pedindo pra rodar, né?”


Vinícius Romão quebrou a barreira da segregação racial velada que existe no Brasil. É um negro com curso superior, trabalho formal e família estruturada. E talvez por isso tenha conseguido sair desse episódio absurdo sem marcas mais profundas. Mas muitos outros Vinícius ainda podem estar na cadeia, injustamente presos aos grilhões sociais que substituíram as correntes dos senhores de escravos. E por serem negros e nunca terem atuado em uma novela da TV Globo não irão causar espanto aos meritocráticos de plantão. 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A cavalgada da Valquíria

Texto restaurado e reeditado

Nove e meia da manhã, terça-feira. O pequeno caminhão baú estacionou numa recatada rua do Méier, zona norte do Rio de Janeiro. À bordo, coisas. Coisas de um homem que fora expulso da Glória por motivos absolutamente impublicáveis. Funcionário aposentado da falida Sudamtex, depois da também falida Belprato, Qüêncio queria começar uma nova vida.

Suas coisas chegaram antes dele. Qüêncio estava indo de trem. Os homens da transportadora aproveitaram para descer e comer pastéis com cachaça no “Flor do Méier”, lendário botequim que até crônicas de Nelson Rodrigues frequentou. Pelo menos, é o que dizia a lenda.

Quando Qüêncio chegou era quase meio dia. Descarregaram suas coisas e subiram umas oito vezes a escadaria que dava no andar de cima do sobrado que Qüêncio alugou por um bom preço. Ele pagou os 80 reais combinados, os homens foram embora e agora, certo que iria refazer a vida, Qüêncio abriu a janela da sala e respirou fundo, pensando mais fundo ainda: “Ainda bem que não puseram trema no meu nome”. E fechou a janela.

Enquanto arrumava suas coisas, ouvia uma romaria. Foi até a janela e contemplou uma gigantesca fila indiana dobrando a outra rua. Gente, muita gente. Até ônibus de turismo, misturados com vans e táxis ajudavam no rebuliço. O que seria? Qüêncio pôs o chinelo de couro paraguaio e foi lá fora assuntar. Novo no bairro, todos o olhavam de soslaio, desconfiando, o que era natural.

- Boa tarde, que fila é essa? Qüêncio perguntou a um sujeito meio mal humorado.

- É para a Valquíria.

- Quem é Valquíria?

- Valquíria é uma mulher que faz a melhor cavalgada da América Latina. Até turistas argentinos, uruguaios, chilenos e paraguaios vem aqui conhecer.

O homem deu a informação e partiu.

Qüêncio tinha que terminar de arrumar suas coisas. Aproveitou e acendeu um gigantesco baseado. A maconha era seu único vício. Para disfarçar o cheiro, vulgo maresia, vários incensos, espirais de mata-mosquitos Durma Bem e charutos vagabundos. Qüêncio era maconheiro profissional. Arrumou as coisas e, com o colossal baseado quase no fim, sentou-se numa poltrona. “Quem será essa Valquíria? Que cavalgada ela deve fazer?”. Pensou, pensou, pensou e tomado pelos efeitos da maconha, pegou no sono.

Na manhã seguinte, providência número um: ir até “Flor do Méier” e tomar o café da manhã. Uma garrafa de Caracu e três ovos crus. Mais: saber onde morava Valquíria, quanto cobrava, enfim, Qüêncio estava a fim de conferir. No bar, foi direto ao assunto. O dono, espanhol como passaporte boliviano, foi logo avisando que “ela não atende gente do bairro”. Por que?, quis saber Qüêncio. “Sei lá porque”.

- Mas eu cheguei no bairro ontem, Qüêncio afirmou mudando a pontuação de aspas para travessão por mero comodismo.

- Não interessa. Você já é um local, uma minhoca da terra. Não vai ter Valquiria não.

Mas Qüêncio não iria desistir fácil. Foi lá na casa de Valquíria e tocou a campainha. A voz de um gay no interfone parecia abortar a primeira missão: “Valquíria não atende gente do bairro”.

E assim se passaram os dias. Através de um amigo cracker (a versão turbo de hacker) descobriu até o e-mail de Valquíria. “Desejo ardentemente sua cavalgada, minha amada”, escreveu desesperado sem ser respondido. 

Semanas, meses, Qüêncio já tinha perdido sete quilos de tanto se masturbar imaginando como seria a cavalgada de Valquíria, que até ônibus de turismo atraia para o Méier.

Até que um dia, confusão, alarido, desespero no Méier. Valquíria havia partido de madrugada, abandonando todos. Gente chorando nas calçadas, turistas esmurrando muros de chapisco e, no meio da confusão, Qüêncio procurava uma explicação.

Voltou para casa arrasado, como metade da cidade. Para onde teria ido Valquíria e sua cavalgada? Qüencio sentou o computador e viu que um e-mail havia chegado. Assunto: A Cavalgada. Texto – Qüêncio, a Valquíria sou eu, seu bobinho. Adolfo Wagner, gerente do seu banco.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

120 mil acessos: manter este blog é uma promessa que fiz

Este blog passou dos 120 mil acessos. É muita coisa, já que faço a divulgação somente no Facebook e Twitter. Há um bom tempo parei de enviar e-mails para as pessoas comunicando a atualização do blog porque eu poderia estar sendo confundido com spam ou coisa parecida. Não ia gostar de receber uma reclamação.

Antes de mais nada, é um prazer produzir. Mais do que um prazer, é um exercício prévio que faço para partir para meu sexto livro, que escreverei neste semestre e cuja história já perambula em minha cabeça. Pelo visto, é uma história interessante.

Escrever lembra um pouco musculação. Você exercita, descobre palavras e, naturalmente, lê mais. Tenho conseguido ler um livro a cada 10 dias (só consegue escrever quem lê) e, por isso, descubro novas palavras. Chamo de novas palavras aquelas que, por alguma razão, somem de nosso cotidiano. Os livros são cofres de pencas, abundantes pencas de palavras que quase caem em nosso desuso.

Fico muito feliz em ver o número 120.000 ali na frente, comemorando os acessos a este blog. Sinceramente, não esperava. De jeito nenhum. E não vai aqui nenhum balde de falsa modéstia ou baixa estima, mas é que não imaginava que os assuntos aqui tratados, muitos engraçados, outros irônicos, mais os dramáticos, bucólicos e os raramente tristes (não gosto da tristeza e nem ela de mim; vivemos em paz um longe do outro) pudessem despertar tanto interesse. Valeu!

Confesso que na segunda metade do ano passado fiz uma promessa perante o espelho. Uma, não. Duas. Em 2014 iria escrever sempre neste blog e caminhar uma hora e meia por dia pela orla, pelo menos três vezes por semana. A promessa do blog vai bem, obrigado, mas quanto a caminhada na orla o calor me detonou. Andei umas duas semanas e acabei abrindo o bico, mas breve, quente e o escambal, retomarei minha trilha pela orla sim.

Claro que não paro de agradecer a vocês pela leitura, pela divulgação. Semana passada encontrei uma pessoa na banca de jornal perto de casa que disse ser leitor deste blog e fiquei muito feliz porque não o conhecia pessoalmente nem ele a mim. O leitor disse que já espalhou para umas 50 pessoas sobre a existência da Coluna e, espero, que vocês todos continuem divulgando. Pode ser? Acho que sim, né?

Estatísticas do Blogger:

Quem acessou de onde nos últimos dois dias:

1 - Brasil – 983; 2 – Estados Unidos – 197; 3 – Alemanha – 39.

Sistemas operacionais utilizados:

1 – Windows – 72%; 2 – Android – 8%; Macintosh – 7%

Navegadores mais utilizados:


1 – Chrome – 55%; 2 – Firefox – 18%; 3 – Internet Explorer – 10%

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

1973 - Um ano realmente especial para a MPB - texto de Mehane Albuquerque Ribeiro

Lançado há menos de um mês, o livro 1973 – O ano que reinventou a MPB, publicado pela Sonora Editora, já conquistou uma gama expressiva de público e na semana de lançamento esteve entre as 20 obras de não-ficção mais vendidas no país, de acordo com o ranking da revista Veja. O cenário do livro é um Brasil em plena ditadura militar. E o período retratado — o ano de 1973 — veio logo depois da era dos grandes festivais da canção (1965-1972), quando a música brasileira já não estava mais presa à Bossa Nova, à Jovem Guarda, ao Tropicalismo, ou a outro movimento estético. Não havia qualquer expectativa de que algo pudesse ocorrer para trazer novos ares à produção musical. Mas eis que algo extraordinário acontece: despretensiosa e inesperadamente, a música popular brasileira ganha um fôlego extra, com a produção de discos memoráveis que marcaram o período como um dos mais singulares de sua história.

O livro reúne resenhas de cerca de 50 jornalistas, artistas e críticos, sobre 50 discos entre os mais expressivos daquele ano. O responsável pela organização dos textos é o jornalista Célio Albuquerque — pesquisador da MPB e produtor musical — que teve a ideia ao perceber que, embora alguns jornalistas já tivessem sinalizado que 1973 foi realmente um ano ímpar para MPB, isso não estava “formalizado em nenhuma obra publicada”.

O período foi realmente especial na opinião de alguns pesquisadores e críticos, entre eles o jornalista Nelson Motta, que dedicou uma edição inteira de sua coluna no Jornal da Globo para falar do livro, reforçando a tese. Quem viveu não esquece. E mesmo os que sequer haviam nascido àquela altura, hoje se encantam com canções que se imortalizaram, como Cálice, de Chico Buarque e Gilberto Gil, proibida de ser cantada no festival Phono 73, cujo episódio é narrado no livro.

Foi um ano de grandes estreias. Elton Medeiros, Luiz Melodia, Raul Seixas, Fagner, Walter Franco, Gonzaguinha, Francis Hime, Sérgio Sampaio, João Bosco, Lula Côrtes, Lailson, e Marconi Notaro lançaram seus primeiros LPs. Caetano Veloso produziu neste ano o mais experimental de seus discos: Araçá Azul. Odair José estoura nas paradas de sucesso das rádios populares cantando a pílula anticoncepcional. Eumir Deodato consagrou-se como um dos maiores vendedores de discos no mundo, com sua versão para “Zaratustra”, de Strauss. Vinícius e Toquinho ganharam as telas da tevê com a trilha sonora da novela O Bem Amado. E os Secos & Molhados surgiram surpreendendo a cena musical, fazendo o país inteiro rebolar ao som do “Vira”, embalado por músicos seminus, cujo principal vocalista tinha voz feminina e se contorcia no palco feito cobra.

Para dar conta da árdua tarefa de reunir em obra as informações e fatos que pudessem dar ao leitor a real dimensão do que foi o ano musical de 1973, Célio Albuquerque convidou um time de autores de peso para resenhar os discos. As escolhas dos nomes, segundo ele, não foram aleatórias. O jornalista levou em conta, principalmente, a identificação de cada um deles com o título a ser resenhado.

“Quem poderia escrever com mais propriedade sobre o disco do Terço, do que Luiz Antonio Mello, profundo conhecedor do rock brasileiro e internacional? Haveria alguém mais adequado para falar do disco do Gonzaguinha do que Dacio Malta, que escreveu um musical sobre o artista? Quem mais conseguiria tratar com tanta sensibilidade o disco de Paulinho da Viola, do que Moacyr Luz, que é sambista do mesmo naipe? Ou quem falaria de forma mais verdadeira sobre os Secos & Molhados, do que o Emílio Pacheco, que era adolescente na época e coleciona tudo o que se publica sobre o grupo?”, pergunta ele, em tom de afirmação.

O disco de Naná Vasconcelos, coube a outro talentoso percussionista: Marcos Suzano. O de Clara Nunes, foi resenhado por Vagner Fernandes, biógrafo da cantora.  Em alguns casos, os autores convidados são produtores de discos:
Um deles é Tavito, que além de produzir o 1º Acto, do Zé Rodrix, também foi parceiro dele em “Casa no Campo. Para resenhar o disco de Martinho da Vila, o convidado foi Rildo Hora, produtor do mesmo LP. André Agra, incentivador do livro e um grande produtor musical brasileiro, escreveu sobre o disco do Eumir Deodato, um arrasa-quarteirão que vendeu cinco milhões de compactos no mundo inteiro em 1973.

O organizador do livro ressalta que fez questão de ter diferentes gêneros musicais representados na obra — do samba ao rock and roll. “Convidei o jornalista Vicente Datolli para escrever sobre algum disco de samba com o qual ele se identificasse muito, e ele sugeriu o das Escolas de Samba. Foi uma ideia ótima, que aceitei na hora, pois o disco traz enredos que são verdadeiros “clássicos” do gênero”, diz ele.

A seleção dos títulos não foi fácil e Célio teve que deixar a emoção de lado para não ultrapassar a marca dos 50 discos. “O ano de 1973 foi tão fértil e se produziu tanta coisa interessante, que daria, guardadas as proporções, para reunir em um segundo volume os títulos que não puderam ser resenhados neste”, revela.

Por tudo isso, o livro 1973 – O ano que reinventou a MPB já é uma referência para quem pesquisa ou quer conhecer melhor esse período tão marcante na história da nossa música.

Mehane Albuquerque Ribeiro - Itaipu, fevereiro de 2014.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Led Zeppelin, Celebration Day: resenha tardia de um clássico do rock



Assisti mais uma vez ao DVD do derradeiro show do Led Zeppelin em 10 de dezembro de 2007, no Arena 02, Londres e, insaciável, peguei os dois CDS que acompanham o DVD e pus no carro e não dá outra. Só Led Zeppelin nos últimos dias, volume cáustico (vidros fechados) a bordo.

O mais impressionante é que abri meus arquivos aqui no PC para ver o que havia escrito sobre esse show e fiquei chocado quando não vi nada de muito consistente. Um ou outro comentário que postei aqui no blog, mais algumas pequenas críticas que distribuí por aí.

Comprei o DVD + CD duplo em 2013 com muito receio. Receio de encontrar Jimmy Page carcomido, Robert Plant com a voz gasta, John Paul Jones errando, pisando na bola e Jason (filho de John) Bonham perdido. Para a minha agradável surpresa, assim que assisti ao DVD o equipamento desligou sozinho. No final eu estava boquiaberto, apático, entregue aos delírios internos. Constatei naquele momento em que assisti o show pela primeira vez que foi um dos melhores do Led Zeppelin. Por que não o melhor já gravado ao vivo?

Poderia ter sido exagero movido pela saudade. Por isso não escancarei, não vim aqui para o blog e saí detonando como faço agora, em letras garrafais que CELEBRATION DAY É, SIM, UM DOS MELHORES SHOWS GRAVADOS DO LED ZEPPELIN.

O show foi um tributo a um dos maiores executivos da história do disco, o turco Ahmet Ertegun, que morreu em 2006. Ele criou o lendário selo Atlantic Records e assinou o primeiro contrato com o Led Zeppelin. A gratidão do grupo por ele era eterna.

O Zeppelin ensaiou muito para o show e fez questão de tocar as músicas em versões mais próximas possíveis dos originais que ouvimos nos discos gravados em estúdio. E conseguiu.

A princípio, os integrantes não estavam a fim de transformar o show em DVD e disco. Segundo Page, Plant e Jones faltava tempo para se dedicarem ao material mas, fato é, que a pressão do público foi tamanha que o material saiu. E que material! Sintam as músicas que a banda (repito, super afinada e detonando tudo) tocou no Arena 02 para uma gigantesca plateia absolutamente ensandecida:

"Good Times Bad Times" (John Bonham, John Paul Jones, e Jimmy Page) – 3:12
"Ramble On" (Page e Robert Plant) – 5:45
"Black Dog" (Jones, Page, e Plant) – 5:53
"In My Time of Dying" (Bonham, Jones, Page, e Plant) – 11:11
"For Your Life" (Page e Plant) – 6:40
"Trampled Under Foot" (Jones, Page, e Plant) – 6:20
"Nobody's Fault but Mine" (Page e Plant) – 6:44
"No Quarter" (Jones, Page, e Plant) – 9:22
"Since I've Been Loving You" (Jones, Page, e Plant) – 7:52
"Dazed and Confused" (Page; inspirado por Jake Holmes) – 11:44
"Stairway to Heaven" (Page e Plant) – 8:49
"The Song Remains the Same" (Page e Plant) – 5:47
"Misty Mountain Hop" (Jones, Page, e Plant) – 5:08
"Kashmir" (Bonham, Page, e Plant) – 9:07

Primeiro Bis

"Whole Lotta Love" (Bonham, Willie Dixon, Jones, Page e Plant) – 7:26

Segundo Bis

"Rock and Roll" (Bonham, Jones, Page, e Plant) – 4:35
Fundamental assistir/ouvir compulsivamente esse grande clássico do rock, muito melhor, a meu ver, do que o longa metragem “The Song Remains The Same”, de 1976.


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Taxista mal humorado. Haja Saco!

Texto restaurado e remixado

Precisei pegar um táxi, longe da hora do rush para constatar que a tal da hora do rush agora começa as 6 da manhã e só acaba as 10 da noite. Não sei o que vão fazer com tantos carros e antas dirigindo. O táxi que peguei deveria ser arrancado de circulação. Caindo aos pedaços.

Entrei (não havia outra opção) e o motorista ouvia uma rádio mundo cão aos berros, com as piores notícias até aquela hora do dia. Solicitei, visivelmente fulo da vida, que o taxista desligasse o rádio. Ele diminuiu o volume. Eu, então com a voz já meio enfurecida, disse “eu pedi para desligar”. Não sei que tipo de expressão facial me acometeu, mas o cara foi lá e clique, desligou o rádio.

Foi pior. No lugar do rádio, ele começou a falar. Falar mal. Do mundo, do Brasil, da vida, da mulher e do seu próprio carro. Perguntei, tentando cortar aquela tempestade de coliformes fecais despejada pela boca daquele cidadão, se o ar condicionado do carro estava funcionando. Ele disse que não porque “o ar desse carro é uma porcaria”. E continuou sentando o pau no carro, nas peças do carro, no vidro escuro que estava lascando, isso tudo com o transito se arrastando como uma lacraia bêbada.

Quando percebi que teria que aturar aquele ogro, olhei para o taxímetro (que marcava R$ 9,80), peguei uma nota de R$ 10,00, paguei e pedi para encostar. O taxista, surpreso, tentou saber “mas o senhor não vai até...”. Eu disse que tinha “esquecido de pegar a minha cachorra no veterinário” e desci daquele shitmóvel antes de chegar a metade do caminho.

Que alívio! Sem rádio mundo cão, sem vozes negativas, de gargantas negativas, cabeças negativas. Decidi ir andando até o destino providenciar um táxi decente. Uns 400 metros depois vi o tal taxi, sem vidros escuros, novinho, livre! Entrei e tocava a Radio MEC FM, o motorista tranqüilo, enfim, cheguei ao final da corrida bem, sem aquela sensação de chute no saco que estava sentindo.

Acho que a vida também é assim. Se estamos num “táxi” que não presta, é preciso descer e trocar. Pode? Claro que pode. A arte da felicidade passa pela renovação, pela ousadia. E dane-se se os taxistas existenciais vão ou não entender porque descemos no meio do caminho. O caminho é nosso e ponto final.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Leve desespero diante da falta de chuva

Falta de chuva, altas temperaturas, reservatórios quase secos, recordes e mais recordes de calor em praticamente todas as capitais do sudeste e sul do Brasil. Não ser fala em outra coisa. Nos sites, jornais, TVs, rádios, o assunto é esse sufoco que assola o país depois de décadas e mais décadas de relativa normalidade no verão. Que normalidade? Sol forte durante o dia, chuvas torrenciais nos fins de tarde.

Mais de um mês sem uma gota d´água sobre o Rio de Janeiro e arredores. Mais de um mês, em pleno verão, com temperaturas estonteantes em todos os pontos da cidade, do estado. E a mídia alimenta ainda mais o leve desespero que, nitidamente, abate as pessoas nas ruas, ônibus, barcas, sites, por uma razão muito simples: nós do sudeste não estamos preparados para vivermos uma estiagem e isso é muito natural.

As reações da natureza desestruturam o ser humano. Em qualquer parte do mundo. Dizem que os japoneses, por exemplo, estão acostumados aos terremotos e convivem muito bem com eles, o que é uma balela. Um colega meu, que já foi correspondente na Ásia, diz que mesmo sentindo uma tremida leve os japoneses ficam muito, mas muito ansiosos porque apesar da alta tecnologia de construção de prédios, das medições milimétricas da meteorologia, ainda não se sabe ao certo até que grau irá um tremor.

Todos assistimos pela TV o que foi a tragédia de Fukushima que, segundo especialistas, teria matado muito mais se os japoneses não respeitassem a ansiedade (ou leve desespero) e saíssem de suas casas que, depois, desabaram.

No caso do Brasil, além do calor infernal e, principalmente, falta de chuvas (pelo que vejo nas redes sociais a possibilidade de seca é muito angustiante para todos) o que agrava o desespero é não termos governos competentes e confiáveis, tanto na esfera federal como na estadual e municipal. Tudo o que as autoridades disseram sobre a escassez de energia nos últimos dias foi papo furado. Nós, povo, sabemos que é tudo cascata e diante desse quadro de falta de chuvas somado a governos lenientes é lógico que ficamos muito inseguros.

Como disse ali em cima, o poder da natureza é inquestionável e serve para que, pelo menos, todos nós comecemos a pensar seriamente nos desmatamentos, aquecimento global e outros temas que nossa teimosia (ou preguiça) acha que “isso é problema deles”. Deles quem, cara pálida? Está aí a natureza mostrando que é problema nosso e que devemos lutar para preservar minimamente o ambiente em que vivemos. A chamada sustentabilidade é muito maior do que plataforma de campanha de políticos oportunistas. É a essência da vida. E pela vida devemos lutar até as última consequências.





domingo, 9 de fevereiro de 2014

A angustiante velocidade do tempo

Texto restaurado e reeditado
Não sei se o tempo é a maior angústia do ser humano, ou está entre as principais, mas fato é que, ultimamente, muita gente tem falado da velocidade dos calendários e relógios, o que me faz lembrar de uma frase do amigo Alvaro Acioli: “agora, enquanto ainda”. Ou seja, faça enquanto há tempo.

Lógico que o tempo também me angustia. Lembro que tempos atrás tive um dia duro de trabalho. Muito duro. Achei que o tempo tinha voado bem mais rápido do que no dia anterior, quando o trabalho foi mais light. Será que a distração proporcionada pelo trabalho aumenta a nossa percepção de velocidade do tempo? Sei lá. Um alto executivo de uma montadora de automóveis nos Estados Unidos, em sua autobiografia, escreveu que “agora, aposentado, sinto vontade de atirar o relógio pela janela na ilusão de que fazendo isso estarei parando o tempo”.

Nós aceleramos a percepção de velocidade do tempo? Nós temos esse poder? Quando um supermercado coloca ovos de Páscoa (que é em abril) na vitrine, praticamente na primeira semana de março, está acelerando a percepção de velocidade do tempo de muita gente? Não sei. Na verdade, muita gente passou pela vida pensando nisso e, no final da história, a vida acabou passando por cima de todo mundo que caiu nesta cilada de transformar o tempo em passatempo.

Para mim, Caetano Veloso é o maior poeta brasileiro. Lendo sua coluna aos domingos, percebo que ele anda super angustiado com o tempo. Volta e meia diz coisas do tipo “antes de ficar velho, eu ia mais a Bahia”. Caetano fez e faz muita gente pensar com a letra da canção “Oração ao Tempo”, de 1979:

                                     
És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo Tempo Tempo Tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo Tempo Tempo Tempo

Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo Tempo Tempo Tempo
Entro num acordo contigo
Tempo Tempo Tempo Tempo

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo Tempo Tempo Tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo Tempo Tempo Tempo

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo Tempo Tempo Tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo Tempo Tempo Tempo

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo Tempo Tempo Tempo
Quando o tempo for propício
Tempo Tempo Tempo Tempo

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo Tempo Tempo Tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo Tempo Tempo Tempo

O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo Tempo Tempo Tempo
Apenas contigo e migo
Tempo Tempo Tempo Tempo

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo Tempo Tempo Tempo
Não serei nem terás sido
Tempo, Tempo, Tempo, Tempo

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo, Tempo, Tempo, Tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo, Tempo, Tempo, Tempo

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo Tempo Tempo Tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo Tempo Tempo Tempo





sábado, 8 de fevereiro de 2014

Me segurando para não fazer fiu fiu


                                 Dire Straits: Skateway

Texto restaurado e reeditado

Encontrei esse texto no Google. Foi publicado e depois guardado em alguma gaveta entre o ano 2000 e 2009, no extinto jornal LIG. Para quem não sabe, tempos atrás meu HD estourou. Perdi mais de 2 mil textos, cerca de 15 mil músicas e vídeos, outros milhares de endereços que estavam no Outlook Express, três livros e mais, muito mais. Não, eu não fazia backup porque, provavelmente, de vez em quando sou uma zebra. Por isso, ando catando meus textos por aí. Esse é um deles.

Vamos lá.

A quarta invenção mais sensual da civilização é a calça jeans feminina. Claro que a curiosidade vai berrar “e a outras três, meu chapa?”. Vamos lá. Terceira, o micro-biquini de lacinho; segunda a micro-calcinha de cotton; primeira o cipozinho com botão de folha de parreira, que você só encontra na Bahia.
Sei que é incorreto, mas quando cruzo com uma mulher gostosa na rua, paro, viro o pescoço e olho fixo. Meu inconsciente deve tramar algum macete pois nunca fui flagrado por uma delas. Nunca. Lembrando que mulher gostosa não tem cor, altura, idade, peso, nada. Mulher gostosa é como música boa. Bate e fica. Não tem explicação. Por timidez jamais fiz “fiu fiu”. Ainda assim, para evitar um desatino perante uma cavala bem assombrada, boto a mão na boca.

Ah, Drummond. Ah, grande Carlos Drummond de Andrade que em vez de assobiar “fiu fiu” escreveu o belo poema “A bunda, que engraçada” que lá pelas tantas se desmancha: “(...) A bunda basta-se/ Existe algo mais?/ Talvez os seios/ Ora - murmura a bunda - esses garotos/ ainda lhes falta muito que estudar/ A bunda são duas luas gêmeas em rotundo meneio/ Anda por si na cadência mimosa, no milagre de ser duas em uma, plenamente(...)”

Falo com a certeza de que jamais em tempo algum molestei, cantei, encoxei em ônibus/barca/metrô/avião, enfim, só contemplei o que (não nego) é o maior patrimônio da Natureza, razão de viver, centro do Universo: a mulher. 

Olhar, sorver, contemplar sem atacar é um direito. Por isso, olho. Dos 18 aos 100 anos, mulher gostosa é mulher gostosa. Buñuel não acreditava em “mulher sem bunda”. Muito menos eu, mestre. Existem belas bundas retas, retinhas. Catherine Deneuve, que mesmo arfando, suando, passando mal mesmo, consegui entrevistar nos anos 90, é proprietária de uma. Belíssima.

Meu único acidente de trânsito foi uma varada na traseira de um caminhão que freou numa rua aqui da cidade. Uma diva negra saía de uma galeria como as lavas do Vesúvio inundando Pompéia. Zonzo, bati. Zonzo, confessei minha culpa. Zonzo, parti sem telefonar para o seguro.

Certa vez escrevi que o brasileiro, elegantemente, cede a frente as damas em entrada de elevador, escada de ônibus, porta de restaurantes não por educação, mas pela oportunidade de contemplar o dorso por três segundos. Já filosofava a extinta Rádio Relógio que o segundo é um milagre que não se repete e esses três segundos podem gerar euforia por horas.

Pois a calça jeans tem o poder de mapear em detalhes todos os ângulos, sulcos, riachos e deltas de uma mulher. Por isso, jamais sai de moda. E que assim seja. Tenho um amigo que quando se aporrinha corre para um shopping e fica “bebendo” manequins de vitrine ostentando jeans, calcinhas, biquínis, shorts. Amigo do peito,  a figuraça que já foi xingado de incorreto, porco-chauvinista pelos intelectuais. Pobres intelectuais.


O Dire Straits tem uma canção antiga chamada “Skateaway” que narra a tempestade de testosterona que uma mulher provoca patinando por dentro do trânsito congestionado no centro de Londres. “Aleluia, yes she comes..” canta Mark Knopfler, confessando que também é sócio desse clube que celebra a Mulher e concorda que nada valeria um planeta cheio de baleias, golfinhos e sabiás se, à bordo, não houvesse essa indecifrável estrela que, com elegância e quase doçura, nos coloca na condição de plutões periféricos, girando, girando, girando, até a última palavra, do último texto, do último poeta.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Sertanejos roubam até a estética cênica do Rock

Texto restaurado e reeditado
Não conheço nenhum roqueiro que tenha tido overdose de rivotril com campari, mas os chamados sertanejos universitários, bandos de milionários que cometem um som que está muito distante da autêntica música regional brasileira e também do pop urbano, apelam na maior cara de pau. Se eu tivesse que batizar, chamaria de baranga music isso que eles fazem e cismam que música.

Sertanejo universitário é uma marca inventada para justificar o rompimento (em muitos casos nunca houve ligação) nessa (cusp!) música com o regional autêntico. Perceberam que usar palco igual ao do pop rock, mais luzes, amplificadores (em geral Marshall, Hiwatt, Orange e Fender), enfim, tudo idêntico aos que o Bon Jovi, Beyonce e outros astral que fazem do rock um olimpo, objeto cênico de primeira grandeza.

Já repararam que esses neo-sertanejos roubaram, à luz do dia, toda a estética cênica do Rock. Os palcos são iguais, as guitarras, contrabaixos, violões são Gibson, Fender, Krammer, Ibanez, Takamini, as baterias DW, Premier, Ludwig, Pearl, os teclados Yamaha, Fender e nos P.A.s (caixas gigantes que jogam o som do palco para a platéia) toneladas de coliformes fecais em estado bruto.

Tempos atrás assisti num canal a cabo o pedaço de um show desses doidões de rivotril com campari e estavam lá os canhões de luz e movies a La Roger Waters, a parede de amplificadores Marshall a La AC/DC, as guitarras, preciosas, a La Hendrix, Pete Townshend, Jimmy Page. Parecia Rock in Rio.

Tudo isso municiando um nada autoral, invisibilidade cultural, boçalidade artística e muito, mas muito dinheiro em caixa. Tanto que até os aviões desses sertanejos são iguais aos das bandas de rock internacionais.

Já que é assim, que sigam assim, pagando mico musical despejando vômito sonoro pelo país a fora, em nome da imbecilidade ampla, geral e irrestrita.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Reclamar não vai livrar o Brasil do aquecimento global

Na boa, estou cheio de ouvir (e ler) gente reclamando do Brasil nesse calorão, em especial dos pequenos burgueses que dizem preferir morar na Europa, Ásia e América do Norte do que “nessa pocilga”, como escreveu um sujeito no Facebook. Fui lá e comentei: “pegue um avião e suma, meu chapa. Reclamar não resolve e esse papo de pequeno-burguês (suburbano mal resolvido) não leva a nada”. O cara não rebateu.

É evidente que esse calor não é normal e, com certeza absoluta, a lambança dos desgovernos (federal, estaduais, municipais) é a principal vilã desse aquecimento estúpido. Afinal, pelo menos nos últimos dez anos, esses desgovernos desmataram (ou deixaram desmatar) como nunca, não investiram nada em política ambiental, enfim, se a coisa chegou a esse ponto é porque os desgovernos assim quiseram. Desgovernos eleitos pela maioria, diga-se de passagem.

Não foi por falta de aviso. Ambientalistas sérios já vem alertando há mais de 30 anos que a canoa ia virar, que as reservas ambientais do Brasil estavam no limite e que se providências sérias não fossem tomadas, em caráter de urgência, o país ia cair nos braços do implacável aquecimento global. Não deu outra.

Um dia desses o ministro (?) das minas e energia chegou para toda a imprensa e disse que o risco de uma crise no abastecimento de energia elétrica “é zero”. No dia seguinte quase metade do país sofreu um apagão, causado pela crise no abastecimento e pela incompetência dele, ministro.

Alguns técnicos chegaram a sugerir, meses atrás, que o governo fizesse um racionamento de energia para nos livrar do colapso, mas, como se sabe, esse ano tem eleições e a presidente - que acha que tudo pode, tudo vê, e nada a supera - não teve a humildade de ouvir os técnicos. Optou pela sua prepotência, arrogância e atroz incompetência. Conclusão: a conta chegou. 

Quem paga? Nós. Colegas dizem que o humor daquela senhora está mais baixo do que os reservatórios de água, mas a essas alturas sair distribuindo coices não resolve nada. É hora de ouvir os técnicos.

Ainda assim, fico no Brasil, país onde nasci e escolhi para viver. Mesmo diante dessa atrocidade (esse governo que está aí é um crime sob todos os aspectos) vou brigar pelo país aqui dentro e não aturo mais esse geme-geme da pequena burguesia que ameaça ir embora como se todos nós fôssemos para os aeroportos gritar “fiquem” “fiquem!” fiquem!”. Ora, se querem ir, arranjem uma boa grana e tchau, agora torrar nossa paciência dizendo que o Brasil é cloaca, inferno e outras definições quase impublicáveis é o caso de responder perguntando: “você vota nas hienas e agora quer cair fora?”. Sim, porque papo pequeno burguês é coisa do comissariado da presidente, a rainha dos coices que está indignadinha (viram no Jornal Nacional ontem?) porque não consegue mandar na chuva.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A TV me dispensou e isso foi muito bom!

Texto restaurado e reeditado
Eu já não assistia muito televisão, mas com o crescente processo de imbecilização da mídia, cada vez perdia menos tempo em frente a chamada telinha. Não o conheço, mas sequer posso ouvir a voz de Faustão, ou de Luciano Huck, que também nunca vi pessoalmente.

Como a baranganização também começou a migrar para os canais por assinatura, há dois meses quase cancelei a minha. Mais: na internet os grandes portais estão cada vez mais vulgares, acompanhando a onda da TV. Transformaram-se numa usina de fofocas de supostas celebridades extraídas de novelas ou então de programas que nunca vi como um tal de “A Fazenda”. Outros gigantes da web também optaram pela vulgaridade ampla, geral e irrestrita. Só que, felizmente, a internet dá outras zaralhadas de opções e não ficamos reféns de coisa alguma.

Banido da TV pela própria TV, onde só assisto bons noticiários e alguns programas de qualidade, eu praticamente só assistia a filmes que me interessam e a novela “Amor à Vida” que, pensando bem, nada tinha de amor e muito menos de vida. Sou noveleiro desde “Pantanal”, na extinta TV Manchete, e não me envergonho disso. Só que novela escraviza e eu quero mais é ir pra rua, ver a lua, conversar com meus amigos, etc. etc. etc. Por isso, dentro desse meu decretinho pessoal, degolei as novelas. Depois de “Amor à Vida” volto para a rua ou venho para a internet explorar o infinito You Tube, trocar ideias no Facebook, escrever, ler, enfim, adeus televisão.


Nos anos 80 os Titãs gravaram uma música cujo refrão cai como vulva: “A televisão me deixou burro, muito burro demais”. Pura verdade. E como também cantou Gilberto Gil “já que existe lua/ vai-se para a rua ver”. É o que vou fazer, sem mágoas, sem ressentimentos, apenas com aquela agradável sensação de existência sendo cumprida.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Todos os planos de saúde são iguais e negam atendimento

Texto de Fernando Cesar de Farias Mello – advogado. Publicado originalmente no jornal DIZ. Site: http://www.fariasmelloberanger.com.br/

Não precisa ser dito que o bem maior a ser preservado é a saúde, a vida. Afinal, do que adianta estarmos ricos e repletos de bens se não tivermos a saúde para desfrutar de tudo que podemos alcançar? Por isso, é obvio que a saúde vem sempre em primeiro lugar em qualquer época de nossa vida.

Mas, quando a saúde nos falta, ficamos reféns dos nossos Planos de Saúde.
Considero em síntese, que todos os planos são iguais pois de nada adianta a opção de adesão ao plano x ou y pois em uma necessidade, os planos se espelham em contrato de adesão firmado com o consumidor e negam, isso mesmo, negam atendimento, exames, cirurgias, próteses, órteses, etc...baseando-se em cláusulas atentatórias ao direito do consumidor, tidas como abusivas.

E então, com a saúde fragilizada o consumidor tem que percorrer as vias judiciais, sempre assoberbadas de processos para que então possa efetivamente se tratar as expensas do plano contratado, afinal paga mensalidade justamente para o caso de necessidade. Neste ponto, devo elogiar a Justiça Brasileira que atenta ao maior direito constante da nossa Constituição, a saber, a vida, sempre analisa minuciosamente as questões e com a necessária agilidade proferindo tutelas imediatas.

Assim, nos planos de saúde em geral, o que se considera mesmo são os profissionais que nele atuam e sua rede de hospitais. Como exemplo, Niterói tinha apenas dois grandes hospitais: o de Clínicas e o Santa Marta.  Infelizmente o Santa Cruz fechou e espero que um dia ele volte a funcionar com uma administração mais de acordo com a sua importância.

Atualmente, o novo Hospital Icaraí está funcionando e já começa a dar sinais e escuto críticas. Uma pena. A Rede D´or, também em Icaraí, veio e desafoga aos poucos o Hospital de Clinicas já que atende Amil e (olha a concorrência), atender pela Unimed Rio, nem pensar.

Dois novos hospitais estão sendo construídos na Região Oceânica e ficarão prontos segundo a previsão em um ano mais ou menos. Um deles da Unimed, já que hospital de atendimento exclusivo da Amil, que já existia, hoje atende à segunda linha de Planos de Saúde. A Amil sumiu. Como custaram a perceber a importância daquela região de Niterói?

Os planos de saúde, como disse, são iguais na sua essência. Cada qual em suas “concorrências” deixa o consumidor perdido. Um exemplo é a confusão instaurada pela Unimed. Não se sabe em qual situação e em qual hospital poderemos ser atendidos, pois a Unimed não é uma só como aparenta ser. É subdividida em várias outras, e segunda consta as administrações são independentes, a exemplo, Unimed Leste Fluminense, Unimed Rio, Unimed CAARJ, Unimed Qualicorp... e só restamos cientes desta confusão quando efetivamente precisamos de um atendimento de emergência.

Quem é da Unimed Rio, por exemplo, fica sabendo que deve ser atendido pela Qualicorp, que por sua vez não é atendido no Hospital Icaraí, este que atende todas ou praticamente todas as “outras” Unimed... Não dá para entender e espero que este tipo de confusão seja eliminada pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar, que deveria efetivamente controlar os planos de saúde), um dia.

Além do plano de saúde ideal para você, merece ser observado com carinho os médicos que lhe atendem.  Seria injusto escrever aqui de fulano ou beltrano. Mas a nossa cidade está pontilhada de bons profissionais, dedicados e competentes, e que também atuam no atendimento emergencial dos hospitais, ressalta-se, embora percebendo honorários médicos modestos pela importante missão que desempenha.

Verifiquei isto, por exemplo, no atendimento ambulatorial de emergência do Hospital Santa Marta, com ótimos profissionais, com muitos anos de experiência e pontuados pela atenção e competência.

Para se achar um bom médico é muito simples, basta assistir ao seu trabalho. O carinho sem firulas, a atenção dedicada, o exame atencioso de suas condições, a objetividade nas informações prestadas ao paciente... tudo isso em meio a atendimentos diversos sempre atropelados já que em emergência.


Enfim, o médico é um profissional que, obrigatoriamente, precisa ter nascido para aquilo. Ser médico não é somente ganhar dinheiro, é estar convicto da sua missão de salvar vidas, é ter amor efetivamente a vida! Fica minha homenagem aos médicos dedicados e efetivamente profissionais.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Grupo Renaissance bate recorde de comentários no meu Facebook


                                          Ouça.

Impressionante. Domingo último postei um clássico do grupo inglês Renaissance em minha página no Facebook. Foi a canção “At The Harbour” do antológico álbum “Ashes are Burning”, de 1973, que conheci quando trabalhei na Rádio federal AM, a primeira emissora totalmente rock (do bom) do Brasil, pilotada por Marcos Kilzer, Jorge Davidson e Carlos Siegelman. Pus a música na Coluna sugerindo que vocês ouçam enquanto lêem essas linhas.

No post do You Tube escrevi: “Uma das mais belas introduções que já ouvi. Quase dois minutos com o piano de John Tout.” Mais tarde, o genial Servio Tulio, músico e multitudo, acrescentou: “Este álbum é histórico. Esta introdução de piano e a parte central da música na verdade são trechos de um prelúdio de Debussy chamado "A Catedral Submersa" = La Cathedrale engloutie. Este disco tem diversas citações de peças clássicas.”

Não sabia que Claude Debussy estava nessa bela história, justamente ele que é um de meus compositores clássicos preferidos. Servio matou a charada sobre o astral altíssimo da música que ganhou uma outra e certeira definição do outro leitor chamado Guilherme B Cairo. Ele disse: “Renaissance é tão bom que chega a doer o coração!”

Pois é Guilherme, é essa a sensação que a introdução e os meandros de “At The Harbour” provocam em mim e em outras milhões de pessoas. Tenho um amigo que assistiu ao grupo no Royal Albert Hall, Londres, meados dos anos 1970 e quando chegou a hora e a vez de “At The Harbour” ele não aguentou e se afogou em lágrimas. Olhou para o lado e todos os que estavam em sua fila (a terceira, banda na cara) choravam copiosamente.

Ontem, quando postei a canção no Facebook um nó fechou a minha garganta. O piano de John Tout com o tema de Debussy me arrancou do computador e me atirou em telas, campos, mares, passado, presente, futuro, caramba eu girei pelo mundo, pelas civilizações e, sobretudo, fiz uma visita de cortesia a meu afeto, que me recebeu com um abraço apertado.

Essas músicas que geram esses sentimentos, agudos, profundos, intermináveis e à prova de tempo, não tem a menor explicação. Junte-se ao som a honestidade visível de Claude Debussy com a do Renaissance e não poderia desembocar algo diferente de água azul, aves coloridas, uma certa paz de espírito alternada com o torpor da saudade. Músicas assim carimbam a nossa alma e eu me vi, de novo, beijando uma morena que namorava nesses tempos de Oceano Atlantico azul, céu lotado de estrelas ascendentes, luares transcendentais que os poetas costumam chamar de “eras que não voltam mais”. Sim, não voltam, mas o Renaissance e outros nomes da música tem o poder de nos levar a uma visita guiada a nossos museus. Museu da Infância, da Adolescência, do Amor, da Paixão, enfim, museus que vamos abrindo ao longo da vida.


Vida que - essa música sugere - não deve ser corrida, ansiosa. Sim, busquemos a paz, a tal paz que desejamos em cartões de ano novo, certos de que não a encontraremos porque, irremediavelmente quando uma música dessa toca, a paz é quem nos procura, encontra e beija. Na boca.