quarta-feira, 30 de abril de 2014

Escrever para ninguém é coisa de eunuco

Muita gente pergunta porque quase não tenho mais postado vídeos no Facebook. De fato, tive uma fase em que postava direto, compartilhava o prazer da música com todas as pessoas que estão lá. Só que, de uma hora para a outra, ficando mais tempo na rua, na chuva, na fazenda, meio que abandonei o hábito de entrar na internet de madrugada.

Mas as pessoas continuam perguntando. Lembrei do amigo Miguel Aranega que, como eu, também postava muitos vídeos musicais em sua página. Um dia, ele escreveu um longo texto dizendo que iria parar de postar por uma série de razões e eu até deixei uma mensagem para ele protestando. Depois foi o Lula Tiribás, Sonia Toledo, Débora Dumar, enfim, todos os meus amigos (reais, conheço há anos) pararam de postar músicas.

Não sei se a falta de contato com eles durante a postagem, a troca de comentários e informações sobre as músicas, foram me desestimulando ou se a rua, a chuva e a fazenda, por alguma razão, se tornaram mais interessantes. Mas, fato é, que realmente parei de postar as músicas.

Lembro dos tempos do Fotolog. Tive um chamado Quadrophenia 1971 só sobre The Who. Todos os dias, durante meses a fio, eu publicava um texto baseado em alguma foto inédita da banda. Havia dezenas de pessoas de várias partes do mundo acompanhando, comentando, enfim, interagindo.

Até que um dia tiraram o meu Fotolog do ar. Vim a saber que foi por causa de direitos de imagem, algo que não discuto. Direito é direito. Mas, não nego, foi uma ducha de água fria porque, afinal de contas, sou fã da banda e tá havia postado centenas de páginas fartamente ilustradas.

Por causa disso, me distanciei das mídias sociais, mas quando me apresentaram ao Facebook gostei. Quanto a este blog está nítido que é minha mídia predileta, que não pretendo abandonar. O número de acessos só cresce, o retorno está sendo ótimo e, além disso, sou do time que gosta de escrever para milhares. Gosto de compartilhar o que sinto, penso, vejo, e mais ainda de ouvir/ler opiniões. Se eu fosse um intelectualóide masturbador diria que sou “midiático” (urgh!).

Nunca tive diários, não gosto de escrever bilhetinhos essas coisas porque meu negócio é escancarar, de preferência para milhares por dia, possibilidade que este blog vê como altamente viável em breve. Com a força de vocês, amigos, colegas leitores, sem o que nada, absolutamente nada faz sentido.



segunda-feira, 28 de abril de 2014

Enfim, ação. Por Antonio José Barbosa da Silva, Presidente da OAB de Niterói

Hoje quem sai  às ruas  em Niterói  já sai dizendo "que Deus me proteja". A razão dessa demonstração de fé é simples. A população está se sentindo completamente insegura diante do aumento da criminalidade. A bandidagem não respeita nem mais o trabalhador que ganha  salário mínimo. Parece que está matando cachorro a grito e adota aquele ditado: o que cair na rede é peixe. 
Assaltos e assassinatos já estão se tornando uma triste rotina, desde que começou o cerco aos criminosos pela polícia carioca. A migração de marginais para cá foi crescendo na medida em que  o combate aos marginais se intensificava na  Capital do Estado e ocorria a  redução de PMs na cidade  para atender à demanda do lado de lá.
 A OAB de Niterói vem pedindo providências no combate aos  marginais e  um aumento efetivo e duradouro. Nada de vapt vupt. Mas parece que, agora, o grito de SOS da entidade e da sociedade civil ultrapassou a baia e chegou aos ouvidos do governo estadual, que só estava cuidando da cidade do Rio e deixando ao deus-dará o lado de cá, que já foi capital do Estado.
 O reforço policial chegou e começou a percorrer a cidade e as comunidades em busca de traficantes, assaltantes e outros tipos de criminosos de todas as idades.
  A coisa ficou  feia,  porque a reação para combater os marginais demorou  muito.
 Apesar dessa caça  aos bandidos, a população ainda  está desconfiada, por achar que a ação policial seja passageira e iniciada para dar satisfação ao clamor público diante das eleições que se aproximam. Mas, mesmo assim, teme  que com os jogos da copa  o policiamento daqui seja deslocado para o Rio tornando Niterói novamente o prato preferido dos   bandidos.  Por enquanto, está igual a São Thomé: ver para crer. O tempo dirá com quem  está a razão.
 O combate à criminalidade tem de ser permanente e o aumento do efetivo policial também. O governo tem de abrir concurso para aumentar o número de PMs, já que eles não são elásticos que estica para lá estica para cá a fim de atender aos pedidos de socorro. Todos sabem que o efetivo de policiais está pra lá de  carente. Ao lado de admissão, não pode esquecer a obrigação  de garantir  melhores salários,  condições de trabalho e de ampliar o serviço de inteligência para dar o bote certo nos bandidos, reduzindo, assim,  os efeitos colaterais.
 Qualquer cidadão bem intencionado sabe que há necessidade do fortalecimento das Polícias Militar, Civil e Federal, além das Forças Armadas, da Justiça e o Ministério Público, porque são as únicas instituições que podem garantir a paz, a ordem e os direitos do cidadão. Enfraquecê-las certamente   resultará no fortalecimento dos fora da lei de todas as matizes  sociais e numa paulada na democracia.
 Espera-se que o governo mantenha o policiamento ostensivo e encerre em definitivo o fogo de palha que imperou até agora, única maneira de permitir que a população de Niterói possa ver esse prato diariamente nos cardápios, mesmo no  daqueles  que são contra por razões ideológicas ou políticas.
  Mãos à obra e que Deus proteja Niterói  e a transforme novamente na Cidade Sorriso, tão decantada em prosa e verso.
 Antonio José Barbosa da Silva, presidente da OAB de Niterói

Outono/inverno: brisa da beleza e das agudas reflexões

A massa polar que frequenta o outono e o inverno no Brasil traz o azul mais profundo do céu infinito, realça o verde das árvores e nos convida para visitar a oca de nossas reflexões. Mesmo os chamados antireflexivos, sem saber, refletem sim. Ou, na pior das hipóteses, contemplam a vida com um olhar levemente crítico do tipo “o que é que estou fazendo nesse filme?”.

Sou do time cujas reflexões são profundas e, muitas vezes, se tornam crises existenciais. Como o mar de marolas que vai engrossando, engrossando e de repente vira trazendo as ressacas. Mas, alguém disse, que viver é fundamental. Refletir, idem. Em muitos momentos meus pensamentos mergulham em trilhas muito duras e sofridas, mas, graças à luz do outono/inverno, chegam a alguma conclusão saudável. Outono e inverno parecem jogar a nosso favor. Não, não tenho nada contra a primavera e o verão, mas penso que o calorão não combina com reflexões plácidas.

Você teme alguns pensamentos? Confesso que já temi, especialmente os caóticos que, não se sabe porque, nos levam a becos que nós mesmos tornamos, em tese, sem saída. Repito: em tese. O noticiário dos últimos dias não tem combinado com a beleza das folhas molhadas, ou com o orvalho que molha as calçadas. O noticiário dos sites, jornais, revistas, TVs está pesado e, a vezes, dá vontade de parar de querer saber o que está (ou não) acontecendo com o Brasil. Mas, não tenho vocação para a alienação.

A dor de querer saber compensa mais do que a dormência da ignorância, por si só, boçal, totalmente boçal que nos engessa numa redoma de lata sem o menor sentido. Fundamental, para mim, continuar querendo saber e, ao mesmo tempo, contemplando o azul profundo do céu levemente gelado do outono que desperta sentimentos profundos, belos e, porque não, alguns nós na garganta.


domingo, 27 de abril de 2014

Ayrton Senna


Vinte anos atrás. Domingo. Como sempre eu assistia a corrida de F1 pela TV e, sem mais nem menos, Senna seguiu reto com sua Williams. Bateu violentamente no muro, mas apesar da gravidade da batida, como todo mundo, eu esperava que ele fosse sair do carro. Afinal, a segurança dos carros atingira um ponto semelhante a blindagem. Mas, não foi isso o que aconteceu. Senna não se moveu. Numa imagem feita de um helicóptero, vimos sua cabeça tombar para a esquerda, suavemente. Só.

Sozinho, angustiado, sem conseguir chorar, diante daquela tragédia que crescia na TV, larguei tudo e peguei meu carro. Fiquei rodando pela cidade (vazia), com vontade de ligar para meu amigo Hilário Alencar que, com certeza, devia estaria arrasado em algum lugar. Dos meus amigos, Hilário é o que mais ama e conhece automobilismo. Mas, também não sei porque, não liguei para ele e fui parar em casa de outros amigos na Região Oceânica de Niterói. Não, não dava para passar aquele 1 de maio de 1994 sozinho, apesar de já ter me resignado e percebido que a solidão se tornara a minha mais frequente companheira já naqueles tempos.

Soube da morte do Ayrton pelo rádio do carro. Não custei a acreditar porque vi o acidente, vi a pancada, percebi (como todo mundo) que o piloto não sairia do carro, especialmente depois que mostraram o piloto estirado no chão.
Em casa de amigos, luto. Eles tinham preparado um almoço para comemorar não sei o que, mas não tive apetite algum. Continuei colado na TV, assistindo aquele circo de horrores, sem conseguir definir ao certo o que estava sentindo. Luto? Torpor? Angústia? Até hoje não sei.


Passei um bom tempo sem assistir a F1 aos domingos porque perdi temporariamente o interesse, mas depois voltei a manter contato com a competição. Afinal, é meu esporte preferido. Quanto ao Ayrton, na boa, até hoje fica difícil de entender. Muito difícil. Especialmente depois que assisti ao esplêndido documentário “Senna”, de 2010, dirigido pelo inglês Asif Kapadia. Vale a pena correr atrás, baixar da internet, pegar numa locadora de vídeo. Agora!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

"Circo Voador - A Nave". Um livro fundamental de Maria Juçá




Muito em breve vou devorar as 700 páginas do livro “Circo Voador – a Nave”, escrito com o coração por minha queridíssima amiga Maria Juçá. Pelo que já li (fragmentos publicados na mídia) o livro vai me provocar saudade do futuro, já que o Circo Voador está sempre um passo a frente dos tempos. Todos os tempos em especial o meu tempo.

Maria Juçá, como perfeito Fortuna, simboliza não só aquela lona que revolucionou (e revoluciona) o país no Arpoador e depois na Lapa mas a alma de várias gerações que foram apresentados ao Brasil livre durante a abertura política. O Circo Voador tem praticamente a mesma idade da Rádio Fluminense FM e ambos só puderam existir porque a abertura política inundou a nação.

Fundamental “ouvir” o texto de Maria Juçá. Crucial saber tudo, absolutamente tudo, sobre a vinda do Circo Voador ao mundo, essa nave delirante e genial que há mais de 30 anos nos faz mais felizes, atentos, lúcidos. Aqui, uma sinopse publicada no site da Livraria Travessa em www.travessa.com.br :

Dizem que quem viveu os loucos anos 60 não lembra como foram. Com o Circo rola mais ou menos isso. Mas Juçá foi fundo e reuniu em pouco mais de 700 paginas, embaladas pela capa de Luiz Zerbini e Vagner DoNasc, a hercúlea odisséia dessa “turma muito louca aprontando as maiores confusões”. Com a palavra, a própria:

“Escrevi este livro na cidade do Rio e em Búzios entre junho de 2012 e novembro de 2013. Ri muito, me diverti quando lembrava das nossas bravatas para conseguir programar a agenda do Circo Voador ao longo desses 31 anos. São cerca de 15 mil eventos, entre festivais onde se apresentaram 50, 60 artistas em dias de maratonas sonoras, shows de artistas brasileiros consagrados e de artistas internacionais querendo conquistar o rico mercado musical brasileiro.   Quantas fantasias, mentiras e verdades alimentaram nossos sonhos para recriar a vida. Sim, a nossa e a de todos que passaram por aqueles precários e generosos portões de bicões, duros e tesos de qualquer tostão para pagar um ingresso e ver seus shows preferidos.”

Juçá conta que não agüentava mais ser assombrada por tanta memória e não dividir isso com esse respeitável público:
“Esses fantasmas todos, ocupando minha turbulenta memória, me faziam carregar o peso e o compromisso de alimentá-los. Porque eram companheiros de estrada meus de Rolinha, de Jamari França, de Luiz Antonio Mello e de tantos artistas e produtores que deixaram no palco do Circo Voador sua singular marca. Esses fantasmas se expandiam especialmente quando alguém se dirigia a mim com aquela infame pergunta: ‘Por que você não escreve um livro sobre tudo isso que acontece no Circo? Como você começou nessa vida? Escreve.’ Até que os fantasmas começaram a fazer parte das conversas das tantas pessoas que encontrava pelos bares, jardins, backstage e camarins do Circo, extrapolaram para fora deles e começaram a invadir minha cama, meus sonhos, meus banhos e me deixar sem sossego para criar. Me diverti muito transformando tudo em memória escrita, e assim me livrei deles. Isso sem falar nas hilariantes histórias vividas, contadas nos textos, nos depoimentos dos próprios artistas como Frejat, Tom Zé, Lenine, Lobão, Gilberto Gil, Angela Ro Ro, Celso Blues Boy, Marcelo D2, Yuka entre outros e no caderno de imagens com fotos especiais.”

No ano em que o Circo Voador completa uma década de seu vitorioso retorno, ganhamos esse registro, que junto com o documentário em produção sobre a trajetória única desse singular picadeiro, afirma um legado que não pertence a ninguém em especial, mas a todos que um dia tiveram um sonho maluco e foram ainda mais malucos por realizá-los. E nessa noite vamos viver, parafraseando Lobão, 30 anos a mil!


Bem vindo a bordo dessa Nave louca chamada Circo Voador!