domingo, 17 de agosto de 2014

O dia em que Eddie Van Halen perambulou pela tarde de Copacabana, bebendo cachaça e dando risadas

Quando trabalhava em rádio os “camburões existenciais” viviam me dando geral. “Isso é velho”, “isso é decadente”, “isso está out”, mas a visão de Cultura está muito em cima do SER e não do TER e não tem nada a ver com ontem, amanhã, hoje. O que é bom é bom. Assim como tenho o direito de achar o Wolfmother sensacional, continuar ouvindo compulsivamente Hendrix, Zeppelin e adorando o Who, não significa que estou limado. Não quero saber da capa de Caras, ou da Quem, meu negócio é Rock Press, Rock Brigade, Whiplash, entendeu? E Albert Camus, alguma coisa de Sartre, muitos beats e política maiúscula.

Vivo muitas experiências com a tropa de elite do Rock. Afinal não estou sendo jornalista. Sou jornalista há quatro décadas. Eddie Van Halen conheci no Rio. A rádio Fluminense FM foi a promotora do show da banda no Maracanazinho (1983), ficou tudo acertado, mas na hora H o mexicano, molambeiro e safado do Alex Valdez, ex-cafetão do Van Halen, tentou nos dar uma rasteira. Não conseguiu porque se no México eles são bons de tequila, em Niterói o negócio é rabo de saia e de arraia.

No dia do show, à tarde, eu perambulava nas imediações do hotel onde o Van Halen estava e vi o Eddie sair. Magrinho, baixinho, aquele sorriso de bêbado. Felizmente ele hoje está limpo, sóbrio, saudável. Eram umas 4 da tarde e ele estava só. Cheguei perto, me apresentei e começamos a rodar ali pela Duvivier e ruas próximas que são o principal reduto da orgia nacional. Ele queria uma companhia e nem prestou atenção quando eu disse quem era, com meu inglês de Praça 15. Havia um muquifo chamado New Munique onde as mulheres dançavam e cruzavam num palquinho redondo quase do tamanho de  duas mesas de ping pong. Eu mostrava a casa de baixíssima tolerância ao Eddie que, logicamente, estava fechada aquela hora. Ao lado, um botequim, daqueles que tem pirulito Zorro misturado com maço de Belmont, mariola, paçoca e muita, muita cachaça. Eddie caiu dentro.

De cara, dois copos. Um de 51 e outro, se não me engano, de Praianinha. Ele queria fazer uma espécie de test drive com todas. Eu estava distraído com uma morena boa pra cacete que tinha parado ali perto, com uma amiga melhor ainda, e o Eddie virando, virando, virando, a ponto dos operários que estavam encostados no balcão comentarem “o china manda bem”. É bom deixar muito claro que ele livrou-se do alcoolismo.

No quinto ou sexto copo que Eddie entornou, comecei a me preocupar. O cara tinha show naquela noite. E se caísse? E se fizesse coma alcoólica? Fiz um sinal do tipo “pega leve” e disse “slow, Eddie, slow”. Ele riu com os olhos mais chinas ainda. Na falta do que dizer, mandei “all the best cowboys have chineses eyes”, nada menos do que o nome do disco-solo de Pete Townshend que tinha acabado de desembarcar no Brasil. “Todos os grandes caubóis tem olhos china”, tradução livre do nome do disco.

Resumindo, depois de uns sete copos (aquele da média e pão com manteiga), o guitarrista deixou o bar pisando o asfalto com a precisão de um equilibrista de circo. Chato é que eu paguei a conta.

Eddie andava reto, seguindo em direção ao Leme (turistas, Leme fica a esquerda de quem vai pro mar) enquanto falava, pouco, do disco que estava tramando com Brian May, grande amigo, do Queen. Esse disco saiu. Gravado totalmente à bangu. “Nós vamos ligar as guitarras, os amps, atochar o volume todo e sair tocando”, disse Eddie que mostrava umas variações de humor e, eventualmente, dizia coisas desconectadas, mas mantendo a lucidez de quem bebe atalaia jurubeba e não 10 copos de cachaças variadas.

De fato, em 1984, eu acho, saiu no Brasil um vinil de Brian e Eddie absolutamente demolidor. Uma jam de hard blues, cujo nome esqueci pois perdi esse disco. Percebi que Eddie Van Halen não estava muito bem e não aguentava mais o estrelismo “toda dando” do cantor David Lee Roth.
Senti que Eddie também tinha batido de lado com o irmão Alex, monumental baterista, e segundo os seguranças estrangeiros (como sempre fofoqueiros) Alex estava pegando pesado com Eddie por causa da birita. “Meu negócio é tocar”, disparou na volta pro hotel como se dissesse “não suporto esse negócio de ser band leader porque enche o saco”. Ele entrou no hotel e só fui revê-lo no palco do Maracanazinho.

Van Halen abriu o show e logo nos primeiros acordes caíram 18 nas primeiras filas, todos desmaiados com os tímpanos estourados. Alex Porco Valdez mandou para a produção em Los Angeles o mapa da arena do Maracanã e os caras meteram som de Maracanã no Maracanazinho.

Eu me lembro da parede de amplificadores: Marshall, Marshall, Marshall, Marshall, Marshall, no fundo do palco, mais os P.A.s completamente marcianos, coisas que nunca vi. As vidraças de vários apartamentos na avenida Maracanã quebraram. Vi gente vomitando por causa do impacto das ondas sonoras, vi a garotada rolando no chão, mas a banda não aliviou.

Acidentalmente assisti ao show da arquibancada, lá em cima, e fiquei cinco dias com a sensação de ambulâncias no ouvido. Mas o que me surpreendeu foi o encachaçado Eddie tocar muito, muito, muito!!!!!

Precisão absoluta, nenhuma asfrada, nenhum compasso de fora. Claro, rolou perda de memória com letras, mas o som estava perfeito. Como pode? Quando o concerto terminou, a galera deixou o Maracanazinho uivando, ululando, vomitando, urinando de alegria.

Mas, logicamente, o destino mandou seu garçom com a conta. No ano 2000 foi anunciado que Eddie estava com câncer no fígado e pâncreas. Levou até extrema-unção. Na época eu estava com a rádio Rocknet on line e li a notícia aqui no Whiplash. A Rocknet funcionava no estúdio El Sonoro de Felipe Melo, o maior intérprete de Jimi Hendrix que já ouvi e uma figura humana sensacional.

Li a notícia e saí. Fui andar, indignado, triste, pensando no Eddie. Ou melhor, no fim de Eddie. Mais um que subia. Minha cabeça girava, pensei no levantamento feito por uma agência de notícias que contabilizou mais de 300 rockers mortos de 1954 até 2000. Motivos: 1) desastres de carro ou moto provocado por porrancas; 2) cirrose, pancreatite, falência múltipla de órgãos por causa de birita; 3) overdose de heroína, cocaína e afins. E por aí vai. Será que Eddie iria engrossar a lista?

Acompanhei dia a dia o noticiário pelo Whiplash. Quando Eddie deixou as manchetes (na verdade as manchetes é que o deixaram em paz) percebi que alguma coisa boa tinha acontecido. Aconteceu. Uma cura milagrosa que médico nenhum consegue explicar. E o Eddie da rua Duvivier voltou à cena, mandando ver. Esse a mulher de preto, cara branca e foice na mão não levou. Afinal, o mundo precisa de Eddies, gente de caráter, humildade, e overdose de Música nas veias.


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Itaipu, minha ex-praia

                  Para quem republica este blog em outros lugares

Amigos alertaram. Vários textos publicados aqui no blog estão reproduzidos em outros na web. Fui no Google e comprovei. No entanto, todos citam meu nome e este blog como fonte, o que deixa a questão no zero a zero. Não me importo quando republicam o que escrevo em outros lugares, desde que citem a fonte.
Hoje, pesquei o pequeno texto abaixo sobre a “minha” ex-praia, Itaipu, que poderá a voltar a ser linda, daí o título “Saudade do futuro”.
                     
                                      Itaipu: Saudade do futuro

Tempos atrás, li que a praia de Itaipu ia receber um choque urbanístico de primeira linha. Até o museu de arqueologia seria restaurado. Quem já viu o projeto de salvação de Itaipu garante que está para lá de deslumbrante.

No entanto, o projeto não passou do papel e o tal choque urbanístico não aconteceu até hoje, verão de 2014. Lamentável e triste. Sei que a questão legal (fundiária) de Itaipu é complicada, muitas áreas do governo federal, outras do estadual, muitas posses e encrencas jurídicas. Tudo bem. Mas, neste caso, por que fizeram tanto estardalhaço sobre a salvação de uma praia que está com o mar poluído e a faixa de areia ocupada até por barracos?

O nível de decadência da praia é triste, muito triste. Uma lambança geral. Por causa dos barcos que despejaram lama no fundo do mar (perto da Ilha do Pai), durante a dragagem do Porto do Rio, os peixes sumiram de Itaipu. As poucas pessoas que vivem lá e viviam da pesca tiveram que mudar de profissão ou, pior, abandonar o lugar. Essa história dos barcos tipo “chatas” é polêmica até hoje porque as autoridades ambientes juraram de pés juntos que aquela lama não continha nenhum resíduo tóxico. Já alguns ambientalistas garantem que a lama é perigosa e acabou com os peixes na região.

Não é de hoje que Itaipu é o patinho feio das praias oceânicas de Niterói. Enquanto Itacoatiara e Camboinhas são tratadas a pão de ló pelo poder público, Itaipu foi largada. Caso parecido aconteceu com Piratininga que também não tem do poder público o mínimo de carinho, dedicação. Só em épocas de campanha os candidatos aparecem nas duas praias com suas listas de promessas, são eleitos e somem de novo.

Bem, eu estava falando de Itaipu, praia que frequentava desde a segunda metade dos anos 80, mas devido contínuo e voraz processo de baranganização tornou-se inviável. Não vou lá há mais de dois anos, mas, com certeza, se esse projeto de restauração sair do papel voltarei a freqüentar com o maior prazer. Aquela praia tem um astral especial, espacial, é depositária fiel de grandes momentos afetivos que vivi (e com certeza vou continuar vivendo), enfim, Itaipu mora nos dois lados de meu peito.


Hoje não quero escrever muito. Tenho muita coisa para falar de Itaipu, mas optei pelo silêncio das lembranças. Lembranças de ontem e de amanhã. Amanhã que estou planejando. Com muito carinho.

sábado, 9 de agosto de 2014

Nesta segunda-feira, 11 de agosto: Câmara de Niterói abre exposição com acervo do fotógrafo Carlos Ruas - por Vinícius Martins


Os agitos dos salões elegantes, os grandes eventos políticos, locais históricos e pitorescos de uma Niterói que deixa saudades até hoje. A moda, as novidades, as pessoas que marcaram as décadas de 50, 60 e 70. Tudo isso poderá ser conferido na exposição “Carlos Ruas: fotos & acervo”, que estará aberta à visitação pública entre 11 e 30 de agosto, das 11 às 18 horas, no saguão da Câmara de Vereadores. A mostra de fotografias tiradas pelo jornalista Carlos será aberta durante as comemorações pelos 195 anos do Legislativo niteroiense e marcando os 60 anos de jornalismo do autor.

_ Era uma época do filme de rolo, da película que tinha que ser revelada no escuro do laboratório. Sabia de uma festa, de um grande acontecimento e ia pra lá. Tirava as fotos e depois vendia para jornais ou aos próprios fotografados. Fui o primeiro em Niterói a fotografar a cidade e vender os cartões postais para as Lojas Americanas, que revendiam ao público. Trabalhava muito, mas também vivia intensamente _ relembra Ruas, que nasceu no Rio de janeiro, mas foi adotado por Niterói, tornando-se um dos seus cidadãos mais ilustres. 

De seu acervo de mais de duas mil fotos, Ruas reservou algumas inéditas para o total de 200 trazidas à exposição. Poderão ser vistos painéis sobre a vida de políticos como o ex-governador Roberto Silveira, o comandante Amaral Peixoto e deputados estaduais já falecidos. Os bailes de gala do Bal Masqué no Clube Central, o trampolim da Praia de Icaraí, as mulheres com os famosos maiôs Catalina, os desfiles da Fábrica de Tecidos Bangu, imortalizada nos versos de Noel Rosa, e muito mais.

_ Entre as raridades estou trazendo o comício de Carlos Lacerda realizado em frente a Assembleia Legislativa do Estado, onde hoje está instalada a Câmara de Vereadores. Registrei a preparação do ato, no Clube Central; a caminhada pelas ruas; e os discursos inflamados dos políticos em frente a Assembleia _ revela Ruas.

Serviço:
Exposição Carlos Ruas Acervo e Fotos
Abertura: dia 11-08 – às 18 horas
Entrada gratuita até dia 29 de agosto – visitação a partir das 9 horas.
Saguão da Câmara de Vereadores (Avenida Amaral Peixoto, 625 – Centro – Niterói)

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Negócios da China

A História conta que dos séculos 16 a 18 um navio ia da Índia para a China em um ano e meio (ida e volta). Como era uma viagem muito perigosa, se num grupo de três naus duas afundassem, ainda assim o negócio dava lucro. Mas, os portugueses da Índia descobriram que podiam fazer viagens muito mais curtas e com lucros muitíssimo maiores. Daí a expressão “Negócios da China”.

Atualmente afirmo com muita tranquilidade que qualquer negócio da China, ou com a China, é a maior roubada para qualquer pessoa ou país em qualquer ponto do planeta. A China pratica um regime escravocrata de trabalho, utilizando mão de obra totalmente desqualificada, tecnologia pirateada e retrógrada, enfim, é um esgoto a céu aberto de aberrações éticas.

O problema é que, sempre pensando em se dar bem, muitos brasileiros compram produtos chineses que, por serem extremamente vagabundos, custam muito menos. Eu mesmo estou sendo vítima dessa lambança. Tempos atrás fui comprar num site de São Paulo um relógio baratíssimo que só chegou três meses depois. Pior: no site não tem “fale conosco”, nem telefone, nem e-mail. Foi quando descobri, através de leitores no Facebook, que a tal empresa é chinesa.

Como vivemos sob um regime densamente populista desde o início da dinastia Luis Ignacio Lula da Silva, qualquer país entra no Brasil e faz o que bem entende. A China tomou conta e está provocando uma quebradeira em nosso parque industrial. O governo nada faz porque... porque... porque... sei lá porque. Essa é uma das caixas pretas dos regimes populistas.

Você compra produtos chineses, caro leitor? Não falo de artigos que são fabricados na China e nem sabemos disso, mas daqueles que trazem atrás, ou embaixo, o famigerado Made in China. Antro da escravidão, aquela terra de gente que padece consegue colocar aqui dentro produtos até 87% mais baratos porque sua mão de obra é treinada pela chibata, movida pela tortura e a tecnologia utilizada por 100% das empresas é deliberadamente pirata.

Claro que se eu soubesse que a tal empresa onde comprei meu relógio era chinesa não faria o negócio. Por que? Porque comprar da China é contribuir para o escárnio, para a lambança, para tudo o que existe de pior nas relações humanas.



segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Ex-integrante dos Mutantes, Luciano Alves consolida sua carreira voltada para a música clássica - por George Patiño

O pianista Luciano Alves lança seu sétimo CD “Luciano Alves plays Chopin” no qual interpreta a Balada 1, Estudos, Prelúdios e Valsas de Chopin. O repertório foi gravado em Nova Iorque com o piano Steinway D Centennial Concert Grand.

Este é o sétimo CD de Luciano Alves e o terceiro no qual interpreta peças que não são de sua autoria. O primeiro compositor homenageado foi Ernesto Nazareth através do CD “Luciano Alves Interpreta Ernesto Nazareth” (2008 - Biscoito Fino). Em 2011, foi lançado o CD “Só o que a gente gosta” do duo Bettina Graziani (voz) e Luciano Alves (piano) homenageando George Gershwin, Tom Jobim, Cole Porter e Baden Powell, entre outros (gravadora Fina Flor). No primeiro caso, Luciano interpreta tangos brasileiros (choros) e valsas e no segundo, standards de jazz, blues e MPB.
 
Luciano é um pianista extremamente versátil em virtude de que transita entre a música clássica e a popular com muita facilidade. Ao interpretar Chopin, Luciano demonstra ter uma profunda intimidade com o piano, além de significativa afinidade com as peças selecionadas.

“Iniciei os estudos de piano aos sete anos e, desde então, o convívio com a obra de Chopin tem sido constante. Mesmo durante os anos em que estive envolvido quase exclusivamente com música popular, frequentemente, recorria aos Estudos, Noturnos, Polonaises e Baladas para manter a técnica e para reviver os sentimentos mais profundos que somente as peças de Chopin me proporcionam.”

O CD Luciano Alves Plays Chopin está sendo lançado  através dos sites iMusica, Claro Música, iTunes, Amazon e CD Baby, entre outros.

O CD (ou faixas separadas) pode ser adquirido em real (iMusica, Claro Música) ou em dólar (demais sites). O CD físico está disponível no CTMLA – Centro de Tecnologia Musical Luciano Alves e os 12 vídeos da gravação estão no YouTube buscando por Luciano Alves Plays Chopin.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Caro Cacá Diegues,

Estou chegando a metade de sua magistral autobiografia “Vida de Cinema: antes, durante e depois do Cinema Novo” (Editora Objetiva, 680 páginas) e quando terminar escreverei uma resenha aqui neste blog. Essa mensagem é apenas o começo.

Seu livro me dá orgulho de ser brasileiro, de acreditar nesse nosso bestial país e, mais, acreditar desde sempre que temos, sim, uma indústria de cinema robusta, bem contextualizada, que finalmente caiu nos braços do povo. Para você, leio em sua autobiografia, nunca foi fácil. Afinal, você é um dos criadores do fabuloso Cinema Novo que tanta polêmica gerou entre os reaças da nação. Mais: você conseguiu burlar os gorilas e trabalhar no auge da ditadura, sempre ao lado de grandes amigos, provocando uma comoção cultural no Brasil, a partir do Rio de Janeiro. Cacá, como eu te admiro!

No momento estou sentado, ao lado de muitos colegas, assistindo ao apagão ético que marca o Brasil neste milênio. Gente descompromissada com a verdade e com a lisura, mete a mão na maior cara de pau; colegas fazem meia com outros colegas divulgando a cultura da panelinha em detrimento da frieza crítica. Um movimento que no passado não muito longínquo (anos 1990 para trás) era uma atitude passível de demissão nas muitas Redações sérias e honradas do país. Hoje, o jabá voltou com força total e, acredito, em vários setores da economia, da sociedade, do que podemos chamar da sustentável leveza do ser.

O mais incrível em seu livro é saber que se eu já o admirava por assistir seus filmes e ler seus artigos, vejo que suas referenciais culturais são profundas. Saiba que estou fazendo uma lista com seus autores e cineastas preferidos que iriei ler/assistir assim que concluir a leitura de seu livro, especialmente o seminal “Rio, 40 graus” que não tive a oportunidades de contemplar.

Quanto ao Glauber Rocha, vivi intensas três horas com ele, por conta do acaso. A editora chefe do lendário Departamento de Jornalismo da Rádio Jornal do Brasil, Ana Maria Machado, me mandou cobrir o velório do Di Cavalcanti no MAM. Foi no dia 26 de outubro de 1976. Com um gravador portátil eu colhia depoimento de várias pessoas quando, de repente, comecei a ouvir alguns gritos. “Close na cara do defunto!!!...vai! vai! vai! Close na cara dele”. Era o Glauber dirigindo um fotógrafo que filmava o velório com uma câmera Bolex de 16 milímetros, a corda. Nascia ali um documentário que a família do Di acabou proibindo de ser exibido.

É claro que entrevistei o Glauber também, e ele estava muito emocionado. Muito. Fez uma bela reverência ao Di Cavalcanti e se a família soubesse o quanto Glauber o amava com certeza liberaria esse documentário-homenagem. Fato é, Cacá, que vendo o Glauber Rocha trabalhar eu pude assistir o destemido Cinema Novo em luz, câmera, ação! Vocês são demais!


Vou retomar a leitura de seu livro. Com muito prazer! Viva você, Cacá Diegues! Que bela história é a sua vida de cinema.