domingo, 30 de novembro de 2014

É possível escapar dos monopólios?

                             Esse vídeo é pura cascata, montagem. Elvis não estava lá.

Monopólios são ferramentas nefastas do capitalismo. Alguns tem apelidos engraçadinhos como, por exemplo, “combos”. Você, bem intencionado, assina uma TV, mais internet, mais telefone de uma mesma operadora. Aí, quando dá um problema, cai a casa toda. Pior: para sair fora fica quase impossível porque a teia de aranha dos combos é quase intransponível.

Combo é monopólio e monopólio, em qualquer lugar é roubada. Por exemplo, se você usa webmail da Microsoft, seu computador é Windows e, para piorar, você usa o Skype (também pertence a Microsoft), está usando serviços da mesma empresa. Melhor variar.

Não sou exemplo de nada, mas como este blog pertence ao Google, estou procurando usar mais meu e-mailt do Outlook da arquirrival da  Google, a Microsoft. Meu navegador não é do Google (Chrome) e sim do Mozilla (Firefox), enfim, evito concentrar poder em um monopólio só.

E, penso, deve ser assim em tudo na vida. Quando nos “fidelizamos” (palavrinha bonitinha) a uma marca acabamos vítimas dessa marca, que manipula, usa, abusa a qualquer hora. O You Tube (que pertence a Google) não detém apenas o monopólio do mercado de vídeos na internet. Ele tenta censurar e até determinar o que devemos ou não publicar em seus canais. 

Antídoto: pague 60 reais por mês e alugue um streaming de vídeo. Ou você acha que a liberdade é menos importante do que 30 dólares mensais?
Gasolina? Petrobrás jamais porque: 1 – Não vou dar dinheiro para o PT; 2 – Não vou alimentar o monopólio. Alterno gasolina da Shell com da Ale e ponto.

O que acham? Isso é delírio meu ou tenho razão?

P.S. – Sobre as notícias de que nossos e-mails são lidos por arapongas digitais, vocês tem alguma dúvida? Claro que os webmails gratuitos multinacionais entregam tudo. Quando escrevo uma mensagem imagino várias pessoas lendo. Solução? Conta em um webmail PAGO, confiável (????) e brasileiro (??????????).

sábado, 29 de novembro de 2014

Paul McCartney deveria convidar outros medalhões para subirem ao palco



                         Wings
 
Concordo com o milenar amigo, jornalista, radialista, fotógrafo, D.J. Maurício Valladares, que escreveu em seu site Ronca Ronca, que mora em www.roncaronca.com.br depois de assistir Paul McCartney em São Paulo, quarta-feira. Não estranhem, Maurício não usa maiúsculas:

“ontem, papeando sobre a banda que acompanha macca, eu disse que gostaria de ver uma turma mais conectada aoque foi o wings com denny laine & jimmy mcculloch… com músicos que dessem mais personalidade ao som inoxidável de paul.

ok, a banda atual é boa… mas é fria, sem graça… falta a presença de alguém como um chris spedding na guitarra…
ou um peter frampton… ou até um bill wyman no baixo.”

Concordo com você, Maurício. Os músicos que tocam com Macca atualmente são sensacionais (claro!), mas estão faltando estrelas. Um Peter Frampton na guitarra, ou convidados mais ousados como Adrian Belew (para mim o melhor guitarrista parido pelos anos 1980) ou, por que não, o grande Mick Taylor.

Acompanhei na TV a caótica lambança que foi a transmissão do show de São Paulo, terça-feira e, é lógico, que Macca estava bem cansado na segunda parte do set de músicas. Normal, está com 73 pratas na caveira e vinha de outros shows. Em outros tempos, aqueles do Wings, com certeza ele teria dividido a bola com o magistral Denny Laine, que, por sinal, está por aí, tocando em pequenos lugares. Por que Paul não o convida para a banda?

Enfim, sabemos que é uma questão complicada, que o marketing determina que “as pessoas que vão ao estádio tem que ver Paul McCartney e ponto final”. Mas creio que a essa altura da vida, Macca pode estar relevando esses conceitos. Ou não? Até que ponto uma outra estrela, mesmo que de grandeza maior, ainda “ameaçaria” o seu reinado de palco? Sei não. Fato é que uns convidados iam dar um novo colorido, uma nova pegada ao show que, por mais que esteja muito bom, correto, irrepreensível, chega perto da perigosa fronteira da burocracia.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A internet já está sofrendo de superpopulação?



Leio no Globo que a União Internacional de Telecomunicações (órgão ligado a ONU) fez um relatório afirmando que o mundo vai encerrar este 2014 com 3 bilhões de pessoas conectadas a internet, ou 40,4% da população global.

Tenho notado que em várias grandes corporações, botequins e em residências a expressão “o sistema está lento” anda cada vez mais intensa. Hoje, no meu trabalho, sofremos. Apesar de 15 mega de velocidade contratada, a internet parecia um jabuti de tão lenta, dando pau toda hora.

Vamos lá: a população mundial passou dos 7 bilhões de pessoas e a dos internautas está perto dos 3 bilhões. Gente pra cacete! Impossível que esse crescimento avassalador, associado a ganância dos empresários do ramo de telecomunicações (pensam em lucro mil e investimento zero), não esteja congelando a internet.

Divagarei mais alto: como ficaria o mundo se a internet desse um crash? Robert Fripp, compositor, guitarrista, fundador do King Crimson disse, tempos atrás, que “sem a web voltaríamos a idade da pedra porque o mundo avança sem se preocupar com a possibilidade de um retrocesso necessário.” Ou seja, o mundo não tem “no break.”

Você tem percebido que a sua navegação na internet tem andado mais lenda ultimamente? Tem enfrentado como nunca o tal “sistema lento” quando recorre a um serviço qualquer? Acha que a tecnologia já deveria estar pensando numa solução para o esgotamento total da internet? Ou isso é chuva de verão, toró de fim de tarde, asneirol vago do articulista aqui?

Vale a pena ler esse texto:

Boom e Saturação na Internet
Antonio Miranda
Doutor em Comunicação
Universidade de Brasília


O volume crescente de páginas na web é verdadeiramente fantástico. Nas mais diversas línguas civilizadas e até mesmo em dialetos desconhecidos. Uma avalanche de textos, fotos, vídeos. De tudo para todo mundo. 
Acompanho o crescimento desde os primórdios da rede mundial de computadores, tendo participado do envio de mensagens (via Gopher) de Washington para o Rio de Janeiro quando os endereços eletrônicos no Brasil contavam-se nos dedos e estavam concentrados no LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica). 

Participando do grupo que redigiu o Programa Sociedade da Informação no Brasil — o chamado LIVRO VERDE, no final do século passado—, defendemos a tese (ou sonho, naqueles tempos) de que deveríamos propiciar formatos de edição para que as pessoas pudessem colocar na rede seus testemunhos, seus poemas, suas experiências de vida, fotos de família, história social viva e corrente. Parecia um delírio. Hoje é o que as pessoas fazem diuturnamente em grupos de discussão, em blogs pessoais, às centenas, aos milhares, aos milhões... 

Na Usina de Letras (www.usinadeletras.com.br) os autores “publicam” crônicas, roteiros, pensamentos, poemas, ensaios e todo tipo de textos, o tempo todo. Vinte e quatro horas por dia, incessantemente. Para alguns é como se fosse um desafio, uma maratona. Lixo? Nem tanto. Os sociólogos, os antropólogos, os politólogos e lingüistas haverão de vasculhar esses filões para entenderem a complexa história dos nossos tempos atuais – o ciberespaço, a posmodernidade. Comportamento, transformações gramaticais, hegemonias culturais, modismos e valores.

Uma questão polêmica que se apresenta no debate sobre a qualificação dos conteúdos na Internet é a de quem opina sobre o quê. Um exemplo: quando a Amazon.com começou a vender livros (nos primórdios do e-commerce), ela apresentava os dados sobre os títulos dos livros e divulgava resenhas de especialistas sobre as obras. Depois descobriu que isso inibia em vez de promover as vendas e passou a publicar as opiniões dos usuários em geral... Pode até ser mais democrático mas o comprador entra nas malhas do jogo do marketing, da lógica do bestseller, em que o “melhor” é sempre o mais vendido, o mais popular, como acontece também com as estratégias dos exibidores de tv comercial, cinema e vídeo.(1)

O Google está escaneando e criando uma repertório mundial de nossa literatura de todos os tempos em formato digital. O Gmail está guardando até as mensagens mais triviais que as pessoas enviam e recebem. O privado vira público, há voyeurs cibernéticos —humanos e robotizados. E até a CIA está em busca de indícios de terrorismo em mensagens que circulam planetariamente.
Ter uma página na web era um distintivo, um diferencial. Agora é lugar- comum. Os releases revelavam as oportunidades, as novidades num processo competitivo e dinâmico, que acompanhávamos com certa avidez. A inundação por spans indesejáveis, abusivos, e o excesso de releases de forma indiscriminada parece irritar mais do que surpreender. Eles estão deixando de ser uma forma de promoção, estão tornando-se inconvenientes. Viraram uma praga invasora dos nossos computadores e de nossa privacidade. Daí a adoção de uma nota consultando o interesse das pessoas, dando-lhes a oportunidade de se descadastrarem das mailing lists. Algumas pessoas abusam, mandam dúzias por semana!!! 

Há poucos dias atrás ouvi um comentarista afirmando que, na enxurrada de sítios aparentemente banais, é possível encontrar o que há de melhor, de mais vanguardista, de renovador. Lembro-me do Dr. Donald Urqhart, da British Library Lending Division que, no início da década de 70, difundiu a Teoria do Lixo para dizer que a pesquisa não se faz apenas com o trigo mas também com o joio... 

Ioneji Masuda, há meio século atrás, já previa uma sociedade globalizada e informatizada, voltada para a construção coletiva e solidária do conhecimento. O problema é como selecionar, como vencer e remover o entulho, como diferenciar o melhor do execrável (para nós, mesmo que não seja para outros...). O comentarista deu uma pista animadora: a possibilidade da auto-regulação, a seleção natural... O melhor, segundo ele, acaba sendo adotado e indicado, surgem links orientando de umas páginas para outras, como acontece nas citações bibliográficas. No cipoal, no emaranhado de páginas, haveria uma associação entre elas por uma identificação interpares. Ou seja, se você descobre uma página que satisfaz a sua exigência, corresponde as suas expectativas, é provável que ela indique outras páginas do mesmo nível e temática, num entrelaçamento oportuno, dentro do princípio das redes sociais.

Com a televisão aconteceu a mesma coisa, desde os tempos de McLuhan. O aparato das elites converteu-se na máquina de “fazer doido” das maiorias. As pessoas mais exigentes partiram para a TV por assinatura e, com a vulgarização das mídias televisivas de aluguel, estão migrando para canais na Internet. Comparando, dá para prever acessos mais exclusivos na rede, valendo-se de provedores especializados, de softwares para a filtragem, certamente pagos... para evitar pop ups e spans.

Soluções mais efetivas virão. Desde a classificação prévia, passando por categorias e níveis, garantindo certificações e julgamentos prévios (espécie de peer reviews redivivos), com o apoio da infometria, de parametrizações ou formatações prévias ou a posteriori, para orientar os internautas.

O boom espantoso de bancos de dados, portais e vortais, blogs e vlogs, e com a consolidação e expansão de imensos repositórios institucionais em escala mundial, e da proliferação dos open archives, impõe-se uma estratégia de estruturação e uso mais inteligente dos conteúdos na Internet. Webometria, websemântica (2), ontologias, protocolos, arquiteturas... Na babel da web qualquer medida para dar ordem ao caos será bem-vinda. 
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(1) Sítios de vídeo (videoblogs) e de música em MP3 também apelam para o mesmo expediente, na lógica de que “o público tem o que merece”. [Não esquecer de uma declaração, tempos atrás, de um cantor de uma dupla “sertaneja”recordista de audiências que declarou ser melhor que Caetano e Chico porque vendem mais discos do que os dois compositores da MPB juntos, e que esse seria o julgamento do povo. Em sentido contrário, podemos cair na arapuca do “elitismo” na medida em que o popular, pela produção em escala, resulta unitariamente mais barato e viável comercialmente enquanto que o mais “exclusivo” ou de (suposta) melhor qualidade acaba sendo para consumo privilegiado e mais caro. Nos canais aberto de TV os programas com conteúdos mais complexos são programados para os horários mais tardios... 

(2) A propósito de websemântica e dos desdobramentos previsíveis na web anexamos um texto de nosso amigo Aldo Barreto que resenha outro (de André Machado) que vai direto ao assunto: 

ANEXO

Os novos rumos abertos pela web 3  

A WEB 3 baseada na semântica tentará descomplicar a vida do usuário, que hoje precisa separar informações úteis das que só fazem confundir. Nem bem começaram a falar da Web 2.0 e já começa a se formar um novo desenvolvimento: a versão 2 é apenas uma passagem, o que vai valer mesmo será a versão 3.

A Web 2.0 significa “tudo ao mesmo tempo agora” online: sobressaem nela as redes de relacionamentos (“networking”) como Orkut, LinkedIn e Multiply, as plataformas “live” da família Windows e Google, o RSS, o Ajax, os blogs, fotologs, videologs — enfim, o poder cada vez mais nas mãos dos usuários. 

A Web 2.0 é chamada de a internet participativa. E mais participativa ela fica com o crescimento de gadgets móveis com acesso à internet. Além dos que celulares, PDAs que viraram objetos de desejo como o Blackberry, o Nokia E-62 e o Moto Q e transformam a web em rede a tiracolo a reboque do usuário e de padrões de tecnologia móvel de segunda e terceira gerações. 
Estamos apenas no começo. É provável que a internet passe por uma verdadeira revolução nos próximos anos. E uma das maiores chaves para esta revolução em direção à versão 3 está no campo da web semântica. A internet tal como a conhecemos hoje é uma internet sintática, isto é, uma Internet em que os computadores nos mostram a informação, os dados, mas sua interpretação e relacionamento fica a critério dos usuários. 

A ideia da web semântica é que os próprios sistemas sejam capazes de interpretar essa informação. Isso se faria através de uma organização interna da informação na grande rede. O maior problema da internet de hoje é que ela nos oferece toneladas de informação na forma bruta, sem mecanismos que nos ajudem a processá-la. 

Esta nova internet vai ser a revolução industrial da rede.A web semântica, em que os computadores serão capazes de interpretar os dados para simplificando pesquisas e serviços hoje apenas expostos na rede depende de novas tecnologias já em desenvolvimento. 

Basicamente tecnologias de integração e inter-operacionalidade para construir dados sobre outros dados, metadados com orientação semântica trabalhando em conjunto com uma estruturação de conceitos mais explícitos e coordenados, que ajudem o sistema a identificar e achar outros recursos eletrônicos semanticamente relacionados numa rede.

Fonte: mensagem baseada no texto de Andre Machado, Papo-Cabeça, para o Caderno Info, Etc, do Jornal O Globo de 04/12/2006 , versão impressa,  http://www.oglobo.com.br