sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Revista Rolling Stone tira o chapéu para Mauricio Valladares

Documentário " A Tripa", de Igor Ferraz e Pollyana Lopes, sobre os ouvintes do RoNca RoNca: https://www.youtube.com/watch?v=J_rFR81DbYs
                                               
                            Mauricio Valladares                                                           
                                                      
                            Página da Rolling Stone.
                            Página da Rolling Stone.



Mauricio Valladares é um dos mais admiráveis, éticos e coerentes selvagens cães de guerra que conheço. Meu amigo desde 1974, ele me ensinou e ensina muito quando o assunto é cultura, em especial música. De meu fechado, minúsculo e por isso saudável círculo de amizades, ele é o que mais conhece, entende e ama a música. Os milhares e milhares de discos que mantém em seu bunker (vinis, CDs, DATs, mp3) dá de tudo, menos esculacho, molambada, inutilidades fonográficas. Esse lixo ele despreza, sem a menor cerimônia.

Ontem chegou às bancas de todo o país a edição 101 da Rolling Stone brasileira (traz David Grohl na capa), com nada menos do que 10 (dez!) páginas dedicadas a Maurício Valladares. Quem gosta de Música (com M maiúsculo) deve correr até a banca mais próxima porque vai esgotar. Num perfil muito bem escrito e produzido pelo editor-assistente Paulo Cavalcanti (mandou muito bem, Paulo) a revista dedicou seu “Portfólio” a um pentelésimo do infinito acervo fotográfico que M.V. reúne desde o início dos anos 1970.

Fotos sensacionais, todas em preto e branco, onde aparece, por exemplo, Rod Stewart jogando futebol nas areias de Copacabana, Alice Cooper sem maquiagem dando uma gargalhada na beira de uma piscina, Charlie Watts caminhando anônimo e, lógico, fotaça do Led Zeppelin em Earls Court (Londres), em 1975.

Mauricio assistiu e fotografou toda a temporada do Zepellin por lá (quatro shows de 2 horas e 40m cada), mais The Who, mais U2, Queen, Damião Experiença, Caetano, Lou Reed, Stones, The Who (com Keith Moon e sem Keith Moon), Clash, UB-40, enfim, é o caso de perguntar quem Maurício não viu e não clicou.

Dono do site RoNca RoNca, que desde o início deste mês mora em domínio próprio (www.roncaronca.com.br) e que vai passar por um giga revolução nas próximas semanas, é ali que Maurício põe no ar seu programa de mesmo nome, todas as terças-feiras a partir das 21 horas. Mas, para a felicidade geral do planeta, o programa RoNca RoNca permanece disponível no site em podcast e, mais, pode ser baixado pelos ouvintes, que, naturalmente, são milhares em todos os lugares do mundo.

Quando telefonei para ele em dezembro de 1981 convidando para fazer parte da equipe que colocou no ar a Rádio Fluminense FM (Maldita), em 1 de março de 1982, sabia que a rádio seria (como foi) tão selvagem cão de guerra quanto ele. Com o seu programa “Rock Alive” (segundas e sextas-feiras, das 22h à meia noite), que apresentava com a jornalista Liliane Yusim, M.V. mudou não só a cabeça do Brasil, como a minha e de muita gente da equipe da rádio.

Foi ele quem mencionou, pela primeira vez, o nome The Smiths no Brasil, e lançou no seu programa. Foi ele quem recebeu das mãos dos Paralamas a fitinha K7 com “Vital e Sua Moto”, botou no ar, a gravadora EMI contratou a banda e deu no que deu. O mesmo com a Legião Urbana, Biquini Cavadão e inúmeros outros nomes que, não fosse o Maurício, não teriam alcançado o topo do mastro.

Mauricio foi o ponto avançado da Fluminense FM, era quem trazia o futuro, a qualidade do presente, dos novos artistas, gente que iria se consagrar em breve em todos os pontos do mundo. Por causa dele, na época, eu que detestava reggae comecei a mordiscar, a princípio via Police e UB-40. Hoje, por causa dele, ouço Bob Marley porque Maurício me mostrou o caminho das pedras.

Lendo a Rolling Stone, explodo de emoção. Afinal, sem fazer nenhuma concessão espúria, surfando contra a fútil e inútil ondas dos “coxinhas” e similares Maurício Valladares está há quatro décadas trabalhando com e para a música de qualidade, sem discriminar estilos, tipos, ritmos. A ele, os nossos aplausos. A ele, sempre a minha orgulhosa admiração e amizade. Valeu, Valla! 
Matou a pau na RS!

P.S. – Autorizo a reprodução deste artigo em qualquer mídia, de qualquer parte do mundo.
                                                    
                        Negativos e Positivos - Jimmy Page, Londres 1981. Site RoNca RoNca

                        Negativos e Positivos - Joe Cocker. Site RoNca RoNca
                                                            
                                Negativos e Positivos - Milton Nascimento, 1977, Rio. Site RoNca RoNca.


                                                                                  
                            Negativos e Positivos - Dire Strsitas, Londres 1980. Site RoNca RoNca.
                      Negativos e Positivos - Eduardo Disek e os Miquinhos Amestrados. Site RoNca RoNca.
                                      Roberto Frejat e Ed Motta. Acervo do RoNca RoNca.
                                         A lenda. Acervo do RoNca RoNca.
                            Negativos e Positivos. Jornaleiro em Londres, no dia da morte de John Lennon. Acerto do RoNca RoNca.
           Negativos e Positivos - Negrete e Bonfá (Legião). Copacabana Palace, 1985. Site RoNca RoNca.
                                          Negativos e Positivos - Ozzy Osbourne. Site RoNca RoNca.
                                           Paralamas. Acervo RoNca RoNca.
                                              Paralamas. Acervo RoNca RoNca.
                            Negativos e Positivos - Bob Dylan, Londres 1981. Site RoNca RoNca
                              Negativos e Positivos - Gilberto Gil, Rio 1980. Site RoNca RoNca
                              Negativos e Positivos - Jeff Beck, Londres 1981. Site RoNca RoNca                    .