segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Molambeiro, o elo perdido entre o homem e o porco

    "Perdeu"                                                        
    Com a gatinha na garupa                                                                    
        Em família                                                                           
     Estacionando em Itacoatiara                                                                           
      Lazer                                                                 
    Em família (2)
     A evolução

Como não existem vagas para carros, ando a pé pelo meu bairro. As vezes são caminhadas longas como a que fiz um dia desses para resolver vários assuntos. O calor não me incomoda por algumas razões. Destaco o que aprendi, anos atrás (meados dos anos 90) na palestra de um psicólogo social de Boston (EUA) em Ipanema. Esparramando números muito precisos ele mostrou que sente mais calor os que mais reclamam do calor.

O mesmo ocorre com o frio, com a fome, com a sede, com a abstinência sexual. O cientista afirmou (sempre comprovando com uma chuva de informações no telão) que a reclamação, a ladainha, o rame-rame que muita gente tem e alimenta, amplificam o mal estar. “O calor chega a passar dos sete graus de sensação para quem reclama dele”, afirmou o sábio, cujo nome não lembro agora mas o sobrenome não me esqueço: Glover.

Já não sou chegado a reclamações, mas depois daquela palestra não só me calei completamente como fico irritado quando ouço uma pessoa encher meus ouvidos de lamúrias, falando dessa palhaçada de sensação térmica, como se calor num verão tropical fosse um desastre da natureza. Normal Rio com 40 graus (verão, cacete!), como é normal Nova Iorque com menos 15. Afinal, lá é inverno e ninguém reclama.

Voltando ao início, andando pelo bairro onde moro um dia desses, o cheiro de mijo não só me incomodava como irritava. Coisa de molambeiro, bípede que não mora onde mija, não tem qualquer relação afetiva com a cidade onde está e, por isso, cospe no chão, atira lata de cerveja junto ao meio fio, enfim, essa figura conhecida como molambeiro deveria ser estudado em profundidade porque, diz a minha tosca e eventualmente mal humorada intuição, que ele pode ser o elo perdido entre o homem e o porco.

O molambeiro não tem sexo, cor, classe social, nível de instrução. É uma bola de sebo tatuada rolando pelas cidades, saltitando merda para todos os lados e atualmente tem como veículo preferido a motocicleta (no máximo de 150 cilindradas), em geral equipada com um tal de baú que é feito para ele levar cachaça, cheirinho da loló, crack e outros aditivos muito comuns a espécie. Se um dia a polícia fizer seis meses de asfixia (blitz permanente) nas motocicletas, a segurança pública vai melhorar 80% porque além de baderneiros, escroques sociais, paladinos da imundície, a maioria é bandidola.

Molambeiros gostam de andar em bandos e contrariando normas internacionais de segurança, andam de motocicleta sem camisa, calçando chinelos vagabundos, capacetes idem, cano de descarga cortado (barulho infernal) e em zigue zague entre os carros.

Em Niterói, o point da molambada é a praia de Itacoatiara, onde os molambeiros encontram molambeiras com quem copulam e perpetuam a espécie. Depois que Gabriel Medina faturou o mundial de surfe, Itacoatiara virou moda e entrou na rota da barbárie desses animais que, geralmente sem documentos, invadem o bairro fazendo enorme barulho (como também suas motos são vagabundas, não correm muito), fazem xixi em qualquer árvore e enchem de cocô e latas de energético genérico a restinga da praia.

Na praia, fumando maconha paraguaia, jogam futebol na beira d´água (velhos e crianças que se danem), dão saltos mortais as gargalhadas no mar onde aproveitam para fazer xixi e cocô de novo, aos gritos de “hahahaha....tá dominado, rapá....hahahahaha”. Na areia, funk, pagode e sertanejo aos berros naqueles equipamentos de som chineses, com porta USB por onde a caganeira musical transita.

Os moradores locais? Se borram de medo. Itacoatiara é bairro de classe média alta e um dia já foi o must do verão em Niterói, e como toda a classe média, tem medo dessa molambada com cabelo que mistura Neymar com Dilma, moto na mão e muita bosta na cabeça. Os locais dizem que “os estrangeiros são perigosos e acham que a praia é deles”. Novidade. Claro que a praia é deles. A praia, o bairro, a cidade, o país. O Brasil virou a maior molambada, ou estou quadradamente enganado?

Fato é que cada vez mais zonzo com o cheiro de mijo, andando numa cidade que me estupra com o IPTU, conta de luz, água, telefone, vem esses molambos lá da casa do cacete e, em menos de duas horas, cagam tudo. Tomado de fúria, felizmente não encontrei nenhum bípede desses no caminho. Não ia prestar. 

Com certeza a porradaria ia comer se eu pegasse um molambo desses, elo perdido radical, defecando em frente a uma creche (para eles tanto faz). Aliás, é por isso que não tenho ido a praia sábado e domingo, onde a civilidade é minoria absoluta. 

Prefiro permanecer réu primário.