domingo, 18 de janeiro de 2015

Saudade de Big Boy e da sua Eldo Pop

 

 



Tempos atrás li uma boa matéria de Carlos Albuquerque no Segundo Caderno do Globo sobre a página do grande e saudosíssimo Big Boy, no Facebook. Imediatamente voei até o You Tube e fiquei ouvindo algumas vinhetas de uma das grandes criações do radialista, a Eldo Pop FM, em 1971. Quem quiser conhecer a página que a família do Big Boy fez e mantém, com fotos, gravações dos tempos da Rádio Mundial, e muito mais basta clicar aqui:  


Ah, sim, já que é para matar a saudade dê um pulo até as vinhetas da Eldo clicando aqui:


Eu, meu irmão Fernando Mello e o amigo/irmão Marcio Paulo Maia Tavares ouvíamos a Eldo Pop FM o dia todo. Tínhamos praticamente decorado a programação que ele fez com Peixinho, toda baseada nas centenas de álbuns que Big Boy trazia do exterior. A rádio não tinha locução, era operada por uma espécie de computador do tamanho de uma geladeira (hoje caberia num notebook) e por isso os artistas não eram anunciados. Ninguém sabia quem estava tocando o que acabou se tornando uma charada, um mito. Desvendar cada uma delas virou uma mania para os ouvintes.

Tenho certeza que se não tivesse morrido em 7 de março de 1977 (33 anos), em consequência de uma crise de asma, Big Boy não deixaria a Eldo Pop morrer no ano seguinte, 1978, quando em seu lugar pariram a famigerada 98 FM. Tenho certeza disso. Ele sempre dizia ao pessoal da rádio que a Eldo era um diamante que estava sendo lapidado devagar e que iria revolucionar os anos 1980. Não deu.

Quando fui montar a Globo FM, em 1985, Peixinho me mostrou a discoteca da Eldo Pop. Intacta, toda em vinil, guardada num grande armário com os discos em ordem alfabética. Me disseram que estava como o Big Boy deixou, ninguém mexeu mais. Claro que, manuseando aqueles discos de vinil, todos importados, bateu um nó na garganta. Eu estava visitando um dos universos de um gênio do rádio brasileiro e, também, uma boa parte de minha adolescência.

Peixinho foi a pessoa que conheço que mais conviveu com Big Boy, segundo ele um sujeito muito tranquilo. Batizado como Newton Alvarenga Duarte, era extremamente metódico, organizado, viciado em trabalho. Não bebia álcool (só Coca Cola, aos litros), detestava cigarro, maconha ou qualquer outra droga. Era hipocondríaco assumido e se afastava de qualquer pessoa gripada. Tinha horror a doenças e, por isso, vivia com pelo menos duas bombinhas para aliviar a asma que o acompanhou a vida toda. Na noite em que morreu, ele havia esquecido de levar as bombinhas para o hotel onde morreu, em São Paulo.

Está na Wikipédia: Big Boy também pode ser considerado o primeiro "profissional multimídia" do show business brasileiro. Programador e radialista eclético, diversificava sua atuação mantendo a ligação da paixão pela música contemporânea nos seus diversos segmentos e movimentos. Além de manter dois programas diários na Rádio Mundial, Big Boy Show e Ritmos de Boate, um na Rádio Excelsior de São Paulo e um semanal especializado em Beatles, o Cavern Club.

Também na Mundial, atuava como programador, colunista em diversos jornais e revistas, produtor de discos e DJ dos Bailes da Pesada, onde mantinha um contato direto com o público que gostava especialmente de soul e black music, principalmente na Zona Norte do Rio de Janeiro. Em televisão, inovou ao apresentar em sua participação diária no Jornal Hoje da TV Globo, pela primeira vez, clipes com músicas de sucesso do momento. Em seu programa Papo Pop, na TV Record de SP, lançou grupos brasileiros de vanguarda. Chegou a participar como ele mesmo da novela cômica Linguinha, ao lado do humorista Chico Anysio (TV Globo - 1970).

Ao longo de toda sua vida profissional, Big Boy continuou ampliando sua coleção. Em diversas viagens a outros países apurou seu acervo, buscando raridades como "discos piratas" de tiragens limitadíssimas. Ao morrer havia juntado cerca de 20 mil títulos, entre LPs e compactos, na maioria importados, que abrangem diversos gêneros musicais como rock, jazz, soul music, rock progressivo, música francesa, trilhas sonoras de filmes, orquestrais, etc. Como um todo, a discoteca Big Boy constitui-se num acervo cultural importantíssimo, pois retrata vários períodos do cenário discográfico mundial e, mais do que uma coleção, trata-se da síntese do trabalho de um profissional que ousou inovar.

Estes são LPs onde Big Boy selecionava o repertório e gravava locuções e vinhetas que eram mixadas às faixas, recriando uma parte do repertório tocado nos Bailes da Pesada:

    Baile da Pesada (Top Tape, 1970);
    Big Baile (Top Tape, 1971);
    Baile da Cueca (Top Tape, 1972);
    The Big Boy Show (RCA, 1974).