terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A devastação dos eucaliptos em Nova Friburgo, RJ

                                         Reportagem da TVC, Canal 6, de Friburgo
                                         sobre o corte dos centenários eucaliptos na Praça
                                         Getúlio Vargas
    A praça foi criada em há 135 anos, em 1880. Idade deste eucalipto que foi derrubado semana
    passada                                                                            
    Friburgo foi arrasada no dilúvio que atingiu a serra fluminense em 2011. Os eucaliptos da praça
    Getúlio Vargas resistiram bravamente a tragédia, mas sucumbiram as motoserras da prefeitura                                                                             

                      Os mais renomados cientistas do Brasil e do mundo afirmam que o desmatamento
                      é o principal vilão da falta de chuvas e do aquecimento global. No auge da
                      crise hídrica, Friburgo ceifa dezenas de árvores                                                                          

    Vista aérea da praça devastada. Foto de Montagna Filmes                                                                  
    A devastação de Friburgo repercurte em todo o país                                                                            
    Dor                                                                                                                                                        

     União                                                                                
    Destino
     

Reproduzo a matéria que Juliana Scarini escreveu no portal G1 Região Serrana:

Choro e protesto marcam o corte e poda de eucaliptos em Friburgo, RJ

O corte dos eucaliptos centenários da Praça Getúlio Vargas em Nova Friburgo, Região Serrana do Rio, está gerando vários protestos. Manifestantes afirmam que o corte raso das árvores é uma ação "assassina" e que destrói a história do município.

Quarta-feira (dia 28), o corte de mais um eucalipto causou comoção em várias pessoas que tentaram impedir a ação. Segundo a prefeitura, um laudo indicou dano nas árvores e o corte é por segurança. A medida foi anunciada no início deste mês, após o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) afirmar que a manutenção do espaço é de responsabilidade do executivo.

Até domingo (25), foi feito o corte de 25 eucaliptos e, quarta-feira, uma das maiores árvores da praça foi derrubada. Algumas pessoas que acompanharam o corte chegaram a chorar e se mostraram revoltadas. É o caso de Miguel Leal Marinho, de 28 anos. Ele participou de abraços coletivos nas árvores que ainda não foram cortadas e afirma que apenas um dos eucaliptos apresentava broca e precisava ser cortado.

"Ali não tem nenhuma árvore pronta para cair. Eu defendo a poda preventiva, mas a derrubada, não", disse Miguel, com um pedaço de tronco dos eucaliptos cortados, afirmando que a árvore não está podre. Para o arquiteto e socioambientalista, Alessandro Rifan, de 44 anos, a medida adotada pelo município deveria ter sido feita envolvendo a sociedade civil para discutir e definir um conjunto de decisões. "O que estamos vendo não é adequado, é mutilatório. Cadê o tal laudo?  É um assunto que fere a afetividade do friburguense. Vi senhoras chorando, nervosas com esse ato insano e ditatorial", afirmou.
A jornalista Janusa Dias, de 34 anos, acompanhou o corte do grande eucalipto nesta quarta-feira e se emocionou ao presenciar a cena. "São muitos anos que aquelas árvores estão ali. Eu vou na praça todos os dias e ver isso me magoa muito. Dói muito ver as árvores sendo cortadas", afimou Janusa.

O movimento contra o corte dos eucaliptos ganhou força nas redes sociais através da página "Nova Friburgo – cidade das árvores assassinadas" que já tem mais de 2.200 curtidas. Até o domingo (1º), vários abraços coletivos estão marcados para acontecer a parti das 18h, na Praça Getúlio Vargas.

Prefeitura explica ação na praça

Quarta-feira (28), o prefeito Rogério Cabral realizou uma coletiva de imprensa para falar sobre o assunto e explicou que a prioridade é a segurança das pessoas que passam pelo local. Ele apresentou laudos de todas as árvores cortadas e voltou a afirmar que a medida está baseada em um estudo da Universidade Estácio de Sá, que aponta a necessidade de corte raso de 40 eucaliptos e a poda de outros 44.

Segundo o secretário de Defesa Civil, João Paulo Mori, a Praça Getúlio Vargas possui 160 eucaliptos e, se o município seguisse o estudo apresentado pelo Iphan, seriam cortados 102 eucaliptos. "Optamos pelo estudo da Estácio e também realizamos radiografia e perfuração dos eucaliptos. A árvore maior, que foi cortada hoje, apresentava podridão", disse Mori.

"Eu entendo a revolta das pessoas, a praça realmente está ficando feia, mas essa ação é necessária", disse o prefeito, apresentando a Proposta de Requalificação Urbano Paisagístico da praça, elaborada pelo Iphan. Segundo o município, o documento foi entregue em outubro de 2013. O valor do projeto é de R$ 8 milhões. A prefeitura afirmou que não possui recursos para iniciar o projeto que vai tentar apoio dos governos estadual e federal.

Ainda de acordo com Cabral, a decisão foi tomada após uma série de acidentes no local que, segundo ele, colocaram em risco a vida das pessoas.  "Nós também realizamos uma audiência pública no Teatro Municipal em outubro de 2013. Esse é um assunto que foi muito discutido e já era para ter sido resolvido há anos", falou Cabral.

Durante a coletiva, João Paulo Mori também explicou a mudança de data dos cortes. Até então, a medida aconteceu nos finais de semana e seria concluída domingo (1º). "Nós trocamos a data e voltamos com o trabalho nesta quarta atendendo um pedido dos feirantes. Eles disseram que estavam tendo prejuízos. Como também não houve necessidade interromper o trânsito, achamos que poderia concluir o trabalho durante a semana", disse.

Apesar disso, os manifestantes afirmam que a decisão de adiantar a conclusão do trabalho foi para enfraquecer o movimento. "Em função da má visibilidade quanto às mutilações e o movimento crescente de sensibilização na sociedade, resolveram hoje pela manhã iniciar a destruição completa da praça. Foi estratégico", reclamou o arquiteto e socioambientalista Rifan.

Destino da madeira

A prefeitura afirmou que a madeira dos eucaliptos está sendo destinada para o Horto Municipal e sendo guardada na Madeireira Melodia. "A madeira dessas árvores vai servir para construir novos bancos para a praça. Essa ação faz parte do projeto histórico. As pessoas que visitarem o espaço estarão sentadas em bancos que resgatam um pouco da história do local", disse Edson Lisboa, secretário do Escritório de Gerenciamento de Projetos.

De acordo com Edson, uma parte da madeira também foi entregue ao artista plástico Felga de Moraes, que irá fazer um trabalho artístico, e a outra parte poderá ser doada para instituições de caridade que solicitarem à prefeitura.

O projeto elaborado pelo Iphan e que será seguido pela prefeitura irá dividir a praça em três partes. O local terá um setor histórico, um intermediário e um de eventos. Serão plantadas flores e resgatada a história do local, que sofreu modificações ao longo do tempo.

Novas podas podem acontecer

Quarta-feira (28), o município também informou que após o corte raso dos 40 eucaliptos, novas árvores podem ser cortadas ou podadas. O motivo é o fato das árvores "se protegerem" e buscarem sempre a posição do sol. Com a derrubada de algumas, as que ficaram isoladas podem apresentar tendência de queda. Caso isso aconteça, um novo estudo será feito no local.

Sobre a praça

A Praça Getúlio Vargas foi construída em 1880 pelo engenheiro e paisagista francês Auguste François Marrie Glaziou, também responsável pelo projeto paisagístico do Nova Friburgo Country Clube, e tombada pelo Iphan na década de 1980.

Segundo o órgão, a espécie de eucalipto existente no local tem como característica a desrama natural. Ou seja, os galhos se desprendem naturalmente, sem que haja qualquer tipo de fator que provoque a queda.
Devido à idade dos eucaliptos, a queda de galhos ou de toda a árvore, como já aconteceu em julho de 2012, é um acontecimento normal e as podas erradas ao longo dos anos contribuem para esses incidentes.
                  


Petição de habitantes de Nova Friburgo, cidade das árvores assassinadas

Para: Exmo. Sr. Prefeito de Nova Friburgo

Ao Excelentíssimo Senhor Prefeito Nova Friburgo

Os abaixo-assinados, brasileiros, residentes, domiciliados em Nova Friburgo e visitantes inconformados com a agressão feita a nossa Praça GETÚLIO VARGAS E SEUS EUCAPLITOS vêm expressar sua indignação com a ação destrutiva praticada contra a História desta municipalidade, e, reivindicar:

1.Divulgar os resultados do estudo feito pela Instituição Contratada, bem como esclarecer a forma de contratação;

2.Manter a população informada de todo o andamento do processo de recuperação da mencionada Praça, através das diferentes mídias e redes sociais;

3.Apresentar em AUDIÊNCIA PÚBLICA o projeto de recuperação da praça em tela e sua arborização com os respectivos prazos de execução, valores, fontes de recursos e forma de contratação da empresa a executar os serviços;

4.Constituir na citada AUDIÊNCIA, COMISSÃO de cidadãos para acompanhar os serviços.

Aguardando um posicionamento transparente por parte de seu governo, especialmente em referência a questão exposta apresentamos o presente documento e assinadas pelos signatários:

ASSINAR Abaixo-Assinado