quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O maior desafio não é escrever livros, é enfrentar as noites de autógrafos

Neste 2015 vou lançar uma coletânea de contos, crônicas e devaneios que publiquei aqui na Coluna, em jornais, em outros sites e também textos inéditos. Estou vendo qual vai ser a editora e quando o verão terminar vou começar a peneirar os textos, que totalizam mais ou menos 1.200. Vão virar, no máximo, 150. Ou seja, não será bem uma peneirara mas uma chacina de letras.

Tempos atrás concluí que o meu maior desafio com os livros não é escrevê-los, mas sim a noite de autógrafos. Noite, tarde, manhã, madrugada, não importa. Sou tímido, extremamente tímido e, ao mesmo tempo gosto muito de receber bem meus amigos, colegas, leitores, ouvintes, da melhor maneira possível. A timidez me torna mais ansioso, não durmo na noite anterior, o suor me toma, enfim, a ansiedade me engole vivo.

Para receber bem as pessoas (disso não abro mão) preciso de tempo. Quando lançamos livros, sentamos numa mesa, uma pessoa da editora escreve num papelzinho o nome de quem está na fila e o autor escreve o autógrafo. Escritores menos afetuosos escrevem autógrafos curtos, texto rápido, abraço rápido porque precisam atender ao maior número de pessoas.

Já eu levanto da mesa, dou longos abraços, pergunto como anda a vida, a pessoa responde, me indaga como estou, damos risadas e, ainda por cima, escrevo longos autógrafos. A boa notícia é que gosto muito de ser assim. A má notícia (para as editoras) é que não vou conseguir mudar porque, na verdade, não quero.

Não conheço ninguém que goste de autógrafos industriais. Ninguém. Quando um escritor lança um livro num evento desses, os leitores vão lá vê-lo, quem sabe trocar algumas palavras, dar e receber um abraço. Não é um toma lá, dá cá. Felizmente, nas noites/tardes de autógrafos que fiz ao longo do tempo ignorei o tempo. Parentes, amigos, colegas, leitores, falei com todo mundo, escrevi pra caramba nas folhas de rosto dos livros, enfim, fui totalmente anticomercial, o que não foi justo para as editoras.

Por isso, o próximo livro que vou lançar não terá noite/tarde/manhã de autógrafos, mas vou garantir a cada pessoa que adquirir (em livrarias físicas, virtuais, etc.) um bilhete que será digitalizado e enviado, por e-mail, para o leitor. Pensei nisso ontem. A pessoa recebe o livro e o autógrafo personalizado sem ter que se deslocar, entrar em filas, esperar, se estressar. Em contrapartida terei menos alguns dias de ansiedade em minha vida.

Mas como nessa área não decido nada sem consultar, aí vai: o que acham da ideia? Alguma outra sugestão? Escrevam para luizantoniomello@gmail.com . Um abraço.