domingo, 8 de fevereiro de 2015

TV por assinatura me obriga a engatinhar pela sala

    Imagem meramente ilustrativa  

Dizem que a minha TV por assinatura disputa o último lugar entre as piores da América Latina. Calúnia. Ela até funciona de vez em quando, especialmente quando surramos o monitor com toalha molhada.

A minha TV tem como hábito ceifar o final dos fatos. Um dia desses assistia a uma espécie de competição e um dos participantes fazia raiz quadrada de cabeça, memorizava senhas de 25 letras e números e no final, depois de memorizar dezenas de bolas pretas e brancas, puseram vendas nos olhos dele.
Depois de um tempo, ele abriu os olhos e começou a dizer, diante da fila de bolas, “branca, branca, preta, preta, preta, branca, preta, branca, branca”, enfim, ele tinha decorado a ordem das bolas. No final...não vi. Minha TV por assinatura congelou e até hoje não sei se o cara conseguiu até o final. Como não conheço ninguém que assine a TV, até hoje não sei que fim levou o jogo de memória.

Liguei para o suporte técnico. Só rindo. Uma gravação me atendeu dizendo o que ouço desde o dia em que assinei: “estamos reformulando nossa central de relacionamento...pedimos paciência”. Em seguida, a gravação pediu o número do assinante, CPF, endereço, CEP e disse “um momento”. Passou para uma atendente humana que, de novo, pediu o número do assinante, CPF, endereço, CEP e quando passou para um terceiro rosnei. “Chega, vocês já tem os meus dados. Não falo mais nada”. Um amigo meu garante que é de propósito, para a gente cansar e desligar. Não sei.

Bom, o terceiro que me atendeu pediu: “por favor desligue o decodificador da tomada (não sei se o nome é esse)”. Eu pedi um momentinho e, engatinhando, fui lá atrás e puxei. Voltei para o telefone (a bateria do sem fio acabou e está muito calor para eu correr atrás de outra) e informei “tirei da tomada”.

O atendente pediu um momentinho, algo em torno de 10 segundos e disse “agora, por favor, o senhor volta lá e liga o decodificador de novo na tomada”. Engatinhei de novo e liguei. Voltei para o telefone sentindo uma certa dor no lombo já que reza a lenda que o meu projeto é andar de pé e não de quatro.

Ele perguntou “normalizou o sinal?”. Infelizmente continuava congelado e eu confessei que não. Mais uma vez ele pediu: “senhor vá até o decodificador, tire o cartão magnético, conte até 10 e bote de novo”. Engatinhei de novo, tirei o cartão, contei até 10 e voltei para o telefone, já bufando. “Pus, meu amigo”. E ele “normalizou, senhor?”. Não, não tinha normalizado.

“Está chovendo forte aí?” o cara perguntou. Sinceramente pensei “ele tomou Bardahl” e respondi que não, que a seca está braba, urubu morrendo em pleno voo. Curioso, emendei “o que a chuva teria a ver com isso se a TV aqui é a cabo e não via satélite?”. Ele explicou que “o sinal para chegar no cabo passa por uma parabólica sujeita a instabilidade durante chuva forte”. Entendi. Na verdade a minha TV à cabo é filhote de uma TV por satélite. Com todas as desvantagens do cabo e do satélite, mas não era um bom momento para autoflagelação.

“E agora?”, perguntei. Ele rebateu “agora o senhor volta lá, tira a tomada, tira o cartão e volte a falar comigo”. Engatinhei de novo, já rindo daquele absurdo. Voltei para o telefone: “tirei tudo, meu amigo”. E ele “agora conta até 10 e bota”. Engatinhei de novo, contei até 10 e botei. Voltei para o telefone.

Ele: “vou mandar um reforço de sinal. Por favor pegue o controle remoto e digite em ‘menu´. A tela ficou azul e ele explicou que “o sistema está reiniciando e o sinal sendo reforçado”. Sinceramente, depois de 43 minutos nessa brincadeira, achei que o cara estava de sacanagem e comecei a querem me encrespar até que...acreditem: a TV normalizou.

Desliguei o telefone e fiquei pensando: a alta tecnologia ainda vai levar o ser humano de volta a condição de quadrúpede. Desliguei a TV, peguei o carro e fui comer um saco de Cebolitos num posto de gasolina.