domingo, 22 de fevereiro de 2015

Viva o Centro de Artes UFF! No país do tudo errado uma bela e honrosa exceção

Cine Arte UFF: Tereza Machado Mazelli e Paulo Máttar
    Cine Arte UFF. Tudo novo
    Nelson Pereira dos Santos (primeiro a esquerda), criador da faculdade de Comunicação da UFF
                            Quatro filmes por dia até o próximo dia 25


Ótima a reportagem deste sábado sobre o sucesso do novo Centro de Artes UFF, publicada no Globo Niterói e assinada por Gabriel Rosa. Título: “Centro de Artes UFF se torna referência”. Na matéria um número surpreendente: desde a inauguração do novo espaço cultural (cinema, teatro e galeria de arte), cerca de 35 mil pessoas já visitaram e a previsão é de mais de 200 mil visitantes até dezembro deste ano.

O novo Centro de Artes é uma demonstração de respeito com a população do Estado do Rio e com a cultura de uma maneira geral. Frequento o cinema, a galeria e o teatro e não canso de elogiar. Claro que meu fraco é o cinema onde em pleno carnaval vi a sala lotada de gente assistindo a “Whiplash – em busca de perfeição” de Damien Chazelle. Aliás, devido ao enorme sucesso, foi prorrogada a programação até o próximo dia 25. Para conferir, clique aqui: http://www.centrodeartes.uff.br/programacao

O trabalho da Universidade Federal Fluminense merece o aplauso das pessoas que buscam a arte de qualidade. Graças ao esforço de profissionais que conhecem a fundo cultura de todo o planeta (exemplos: Tereza Machado Mazelli e Paulo Mattar), retomei um hábito antigo que desenvolvi nos anos 70, quando conheci o Cine Arte UFF. Vou ao cinema sem saber o que está passando porque tenho certeza que é filme bom. Some-se a isso a projeção perfeita, (alta tecnologia) áudio espetacular, poltronas ultra confortáveis, ar condicionado perfeito garantindo 20 graus de saúde.

No teatro o respeito é o mesmo. Poltronas anatômicas, projetadas especialmente para esse tipo de sala, luzes cênicas conectadas a uma mesa digital de última geração, ar condicionado gelando, enfim, não é à toa que vive cheio e a fila de produções de todo o Brasil (especialmente do Rio), implora por uma vaga na disputada agenda do teatro.

Foi no governo do carniceiro orçamentário (marajá da casa do cacete) que o Cine Arte UFF entrou em decadência, como, aliás, todo o Brasil. Não foram poucas as vezes que, com o ar condicionado pifado, portas laterais abertas, todo mundo tirava a camisa para conseguir assistir aos filmes. Com os equipamentos de projeção sucateados, as sessões eram constantemente interrompidas. Ainda assim, não desistíamos de frequentar. Por que? Porque o Cine Arte UFF passava filmes de qualidade, de todas as nacionalidades, sem se preocupar com filas, explosões de bilheteria, sucesso fácil. Foi lá que conheci Bergman, Truffaut, Godard, Pasolini, Nelson Pereira dos Santos, Glauber, enfim, foi aquela sala que me tornou amante do cinema.

Depois de anos de reforma o cinema voltou com a mesma filosofia: qualidade. Por isso atrai gente de toda a região metropolitana, cansada de xaropada, de esquemão, de filmecos de quinta fantasiados de “comédia romântica”. Estou farto desse gênero caça níqueis nas telonas.

Sobre o Cine Arte UFF, um pedaço de sua bela história que pesquei no site:

Em 1968, após ter sido exilado da Universidade de Brasília (UnB), Nelson Pereira dos Santos propôs ao reitor da Universidade Federal Fluminense, Manoel Barreto Netto, criar um Curso de Comunicação semelhante àquele existente em Brasília.

Em maio do mesmo ano, Nelson foi designado responsável pelo setor de arte cinematográfica da UFF e, junto com outros professores, recebeu a tarefa de estudar as diretrizes para a instalação do Instituto de Arte e Comunicação Social (IACS). Além das diretrizes para o futuro IACS, Nelson realizou com os alunos o primeiro filme da universidade, um documento audiovisual institucional.

Para evitar qualquer represália, a primeira tomada foi com o reitor, e assim impediu-se eventuais obstáculos à execução do projeto. Com a câmera no gabinete e o discurso filmado, ficou o compromisso armado. E quando surgiam imprevistos durante as filmagens, a equipe chamava logo o reitor. O resto é história, aliás, uma história de 47 anos de criatividade e formação de grandes profissionais para o audiovisual brasileiro.