quinta-feira, 26 de março de 2015

Facebook: uma faca, vários legumes

Nunca ouvi falar de ninguém que tenha entrado no Facebook à força. Mesmo nas remotas calotas polares. Num linguajar mais singelo: senta na janela quem quer. Mas está mais claro do que cloro de piscinão que os desavisados, mal informados, displicentes, desatentos, vacilões e similares que meterem a cara ali sem saber como aquilo funciona vão entrar em festa de pênis fantasiados de glúteos. Sem direito a beicinho e reclamação.

Só recentemente percebi que já estou dominando (estranha essa definição) 70% do Facebook, mas ainda assim minha página é invadida por convites que não me interessam, pessoas compartilham vídeos, músicas e textos que não tem nada a ver comigo, aqueles joguinhos patifes, mas não reclamo. Já fui lá na tal central de ajuda e vi que não há solução para essas desagradáveis postagens porque o Facebook não vê nisso um problema. Afinal, é uma rede social, com sua dose de “bunda na janela” que toda rede social tem. Em outras palavras, não dá para fazer retiro espiritual num show do Motorhead ou numa corrida de Fórmula 1.

Há tempos rolou um problemão no meu FB. Aleatoriamente, sem perguntar nada a ninguém, o sistema saiu deletando um monte de amigos da minha lista. Fui saber do problema através de um deles que me mandou um e-mail do tipo “pô, você me deletou do Facebook? Fiz alguma coisa errada? (...)”. Respondi imediatamente que não sabia que as pessoas estavam sendo degoladas virtualmente na minha varanda e expliquei que o Facebook é uma faca cortando vários legumes. Muitas vezes de forma aleatória, logo, injusta. Pedi desculpas, readicionei o cara à minha lista e segui em frente.

Outras pessoas reclamam (aliás, o grande defeito do FB é o volume de reclamações existenciais) que o sistema está muito popular “cheio de gente brega”. Peraí, cara pálida! O mundo é brega. Basta olhar o hit parade musical do Brasil, Inglaterra, Estados Unidos, bem como o Ibope dos programas de TV estilo mundo cão, enfim, essas redes sociais são uma maquete do mundo, com uma opção: pode-se não ler as baranguices que sempre surgem por ali ou simplesmente deletar a pessoa da lista. Ou, então, em caso de extrema irritação, pular fora do Facebook que, lembrando, em nenhum momento obrigou ninguém a frequentá-lo.


Os que tratam o Facebook como um diário secreto, é bom lembrar que a rede social é uma mídia poderosíssima e que em pesquisas recentes a empresa que o criou descobriu que a maioria dos usuários passa horas, dias, semanas só observando, contemplando os desabafos, movimentos, condições, sem dar um pio. Milhões de pessoas ficam atrás das cortinas digitais vendo o circo pegar fogo. Para quem não se importa com a devassidão existencial, tudo bem, mas aqueles que não gostam de se expor, antes de digitar a primeira letra melhor contar até 100.