sábado, 21 de março de 2015

Niterói: a sensação de abandono numa cidade rendida pela violência

No velório do vereador Carlos Magaldi, um misto de revolta com tristeza era geral. O presidente da Câmara dos Vereadores, Paulo Bagueira, que era muito amigo de Magaldi, disse que “é preciso dar uma basta no que está acontecendo. Sinto a PM enxugando gelo nas ações que realiza. É necessário mais. Uma ação articulada entre todos os setores da segurança pública para frear está onda que atemoriza o cidadão de bem e que torna as famílias reféns desses bandidos”

Magaldi tinha 67 anos e foi vereador por oito legislaturas. Ele foi assassinado no início da tarde de ontem (sexta-feira) numa tentativa de assalto no bairro de Camboinhas, na Região Oceânica de Niterói.

O Fluminense, o maior jornal de Niterói, tem feito uma excelente cobertura sobre o caos na segurança pública que atinge a nossa cidade. No site do jornal, www.ofluminense.com.br, aparecem as reportagens mais lidas nas últimas horas. Pela ordem:

- Ex-vereador Magaldi é assassinado em Camboinhas.

- Criminalidade desafia a polícia e volta a aterrorizar. Em Icaraí, homem é baleado durante arrastão. No Fonseca, trabalhadores ‘levam dura’ de assaltantes e têm seus pertences levados. No Cubango, bandidos ostentam armas.

- Rajada de tiros assusta moradores em Santa Rosa. Após uma incursão da PM na comunidade Souza Soares em Santa Rosa no final da tarde desta sexta-feira, criminosos efetuaram disparos, mas ninguém ficou ferido ou foi preso.

- Arrastão e um baleado na Zona Sul de Niterói. Criminosos praticaram assaltos em São Francisco e Icaraí, deixando um homem baleado na Rua Ministro Otávio Kelly. A dupla ainda conseguiu fugir para Santa Rosa.

- Roubo de celulares aumenta em Niterói, segundo o ISP. Índices são referentes ao mês de fevereiro em comparação com o mesmo período do ano passado.

A sensação da população é de abandono. O avanço da bandidagem em Niterói é assunto em rodas de conversas em todos os bairros entre pessoas de todas as idades. Depois das 10 da noite, o “estado de sítio” informal imposto pelos bandidos deixa as ruas desertas, tristes, um retrato do estado emocional da população.

Fui informado que o número de militares no 12.o Batalhão da PM não chega a 700. Para piorar, Niterói divide esse efetivo com a cidade de Maricá. Há 40 anos atrás, eram mais de 1.500 militares só para atender Niterói.

Essa é uma das respostas a lúcida afirmação do presidente da Câmara quando afirmou que “sinto a PM enxugando gelo nas ações que realiza”. Mais: o número de bandidos cresce assustadoramente em decorrência das UPPs na capital. Niterói virou abrigo para os bandidos que fogem do Rio e muitos invadiram favelas como a do Preventório, que antes era pacífica.

A população de rua só cresce e leitores desta Coluna informam que são molestados por pessoas que vieram de fora e habitam a calçada da esquina de ruas Alvares de Azevedo e Moreira César e muitas outras.

Pagamos impostos altíssimos, sustentamos um estado inchado, gastador, voltado exclusivamente para a capital, Rio de Janeiro. Está mais do que na hora de cobrar das autoridades do Poder Executivo, do Estado e da Prefeitura, que sejam tomadas medidas urgentes e, sobretudo, concretas contra esse flagelo. Não dá mais para esperar.

Não merecemos essa macabra lambança que aí está. Nem nossos filhos, nem a nossa cidade.