segunda-feira, 30 de março de 2015

O general Simon Bolívar foi um grande coxinha que queria ser o supremo ditador da América do Sul



Ouvindo “No Quarter”* na lentidão safada do trânsito de manhã cedo, penso numa releitura que fiz recentemente. Uma biografia importantíssima que atira em seu devido lugar o Elvis Presley do golpista e coronel Hugo Chaves e de seu ovo direito Nicolás Maduro. Pouca gente leu a biografia “Simon Bolívar por Karl Marx” (sim, ele mesmo) que tira pela cabeça a cuequinha de herói dos pobres que vestiram em Bolívar.

Os historiadores contemporâneos e democratas nunca esconderam que o general Simon Bolívar foi um patife, tanto que é ídolo de outros patifes, da Venezuela e fora dela. Até no Brasil existem bolivarianos, como sabemos, gente vadia que clama de joelhos por um golpe de estado para botar o saco na lagoa, o boi na sombra e a grana na Suíça.

Origem desse “herói” coxinha, absolutamente coxinha, segundo o olhar firme e implacável de Karl Marx. Nascido na Venezuela, Simon Bolívar “era filho de uma das famílias mantuanas que, no período da supremacia espanhola, constituíam a nobreza crioula da Venezuela. Em consonância com o costume dos americanos ricos da época, ele foi mandado para a Europa aos 14 anos de idade. Da Espanha, seguiu para a França e residiu em Paris por alguns anos.

“De pé sobre um carro triunfal, puxado por doze jovens vestidas de branco e enfeitadas com as cores nacionais, todas escolhidas entre as melhores famílias de Caracas, Bolívar, com a cabeça descoberta e uniforme de gala, agitando um pequeno bastão, foi conduzido por cerca de meia hora, desde a entrada da cidade até sua residência. Proclamando-se ‘Ditador e libertador das Províncias Ocidentais da Venezuela’, formou uma tropa de elite que denominou de sua guarda pessoal e se cercou de pompa própria de uma corte.

“Entretanto, como a maioria de seus compatriotas, ele era avesso a qualquer esforço prolongado e sua ditadura não tardou a degenerar numa anarquia militar, na qual os assuntos mais importantes eram deixados nas mãos de favoritos, que arruinavam as finanças públicas e depois recorriam a meios odiosos para reorganizá-las.” 

Basicamente, isso é Bolívar, herói latino-americano dos oportunistas que se dizem, inclusive, socialistas. Só rindo. Voltemos ao livro:

“O que Bolívar realmente almejava era erigir toda a América do Sul como uma única república federativa, tendo nele próprio seu ditador. Enquanto, dessa maneira, dava plena vazão a seus sonhos de ligar meio mundo a seu nome, o poder efetivo lhe escapou rapidamente das mãos.”

 “Em 1817, Bolívar com um tesouro de uns 2 milhões de dólares, obtidos dos habitantes de Nova Granada mediante contribuições forçadas e dispondo de uma tropa de aproximadamente nove mil homens, um terço dos quais compunha-se de ingleses, irlandeses e outros estrangeiros bem disciplinados, coube-lhe então enfrentar um inimigo despojado de todos os recursos e reduzido a uma força nominal de 4.500 homens, dois terços dos quais eram nativos e, por conseguinte, não podiam inspirar confiança nos espanhóis.

“[...] Se Bolívar tivesse avançado com arrojo, suas simples tropas europeias teriam esmagado os espanhóis, porém ele preferiu prolongar a guerra por mais cinco anos.”


    *Versão remasterizada por Jimmy Page na versão de luxo do álbum “Houses of the Holy”, Led Zeppelin.