terça-feira, 10 de março de 2015

O novo nome da ponte Rio-Niterói

                                                                       
    Vargas, patrono da carnificina                                                                              
                        Costa e Silva: ditadura comprava capas de revistas                                                                               
     Depois do AI-5                                                                            
     Sucessor de Costa e Silva, o general Médici inaugurou a ponte no auge do horror da ditadura
Parece que vão mesmo mudar o nome da ponte Rio-Niterói que, oficialmente, se chama Ponte Presidente Costa e Silva em homenagem ao sanguinário marechal que, entre outras barbáries, baixou o AI-5 no fatídico 13 de dezembro de 1968 atirando o Brasil nas trevas.

Por princípio não gosto de dar nomes de pessoas a locais públicos já que ninguém, absolutamente ninguém, é blindado contra deslizes, falhas, vacilos. Leio no ótimo livro “1942 – o Brasil e sua guerra quase desconhecida”, de João Barone (baterista dos Paralamas) que os submarinos alemães na Segunda Guerra eram batizados, apenas, com a letra U (inicial de submarino em alemão) e um número. Por exemplo, o U-507 fez um arraso no litoral brasileiro em 1942, afundando vários navios mercantes. Substituir nomes por letras e números talvez o único bom exemplo daquela horda de boçais comandados pelo inclassificável Adolf Hitler.

Nossas estradas, aeroportos portos, cidades, ilhas, ruas, vilas, avenidas deveriam ser nomeados apenas com um código. Existem até cidade brasileiras batizadas com nomes de larápios. O ex- simpatizante do nazifascismo Getúlio Vargas (quem sabe da vida dele é a biografia de Filinto Müller “Falta alguém em Nuremberg”, de David Nasser) é o recordista em nome de ruas, avenidas e estradas e que até o polêmico Che Guevara (a história dele ainda não está fechada) é nome de escolas, estradas, etc.

Há alguns nomes sugeridos para rebatizarem a ponte, a maioria gente de fora sem qualquer vínculo com Niterói. Mas o mais grave, a meu ver, não é a falta de vínculo com a cidade, mas a possibilidade de fazerem média com políticos que, como o restante dos mortais, tem suas biografias vasculhadas o tempo todo. A possibilidade de um santinho de hoje virar moleque amanhã é grande.
Niterói já homenageou alguns facínoras, como aquele açougueiro do coronel Moreira César (o carrasco de Canudos) que dá nome a uma das principais ruas do mais populoso bairro da cidade, Icaraí. Andando pelas vias niteroienses vemos muitos nomes polêmicos devidamente homenageados.

Na minha opinião, o nome de Costa e Silva deve ser removido e atirado na privada, sim, mas em seu lugar, simples, muito simples. Chamar a ponte de “Rio-Niterói” e fim de papo. Oficializar logo o apelido já que não conheço ninguém que chame a ponte pelo nome do hediondo marechal.

Opinião não é palavrão. Essa é a minha.