sexta-feira, 27 de março de 2015

O suposto copiloto que derrubou o Airbus: verdade ou precipitação?



Concordo totalmente com o amigo, colega e mestre, jornalista Romildo Guerrante, que acha prematuras as informações que condenam o copiloto da Germanwings, que teria derrubado de propósito o Airbus com 150 passageiros na França.

Leiam os posts dele Romildo no Facebook:

“Duvido da hipótese porque não veio de nenhum técnico envolvido na investigação que mal começou. Nos casos anteriores bem explícitos foi manifestação de egolatria de psicopatas”.

"Essas informações sobre família, amigos, namorada, tudo isso é fácil. Mas saber que o comandante (era o comandante?) usou uma machadinha pra tentar entrar na cabine; que o copiloto mexeu nos comandos para derrubar o avião (tem imagem? como o áudio pode mostrar isso se o cara não abriu a boca?); como é que um promotor de justiça e o ministro dos transportes atropelam a investigação que é técnica e saem na frente afirmando que a causa foi suicídio? 

Pra que suicidar-se de forma tão complicada, perdendo altura lentamente? Bastava pra ele, se estivesse acordado e não desmaiado por alguma razão, virar o avião de dorso e dar adeus. Não explicaram ainda o acidente com outro Airbus, da Air Asia e agora vem esse outro. Do Asia eles nem divulgaram o resultado da caixa-preta. Tá muito cedo. Tem muita investigação pela frente.”

“Eu era repórter do JB e fui cobrir um acidente de ônibus que matou 28 pessoas em Três Rios. Um passageiro enlouqueceu ao raiar do dia, levantou-se e puxou o volante. O ônibus caiu no rio. Ele disse depois ao delegado que havia uma conspiração no ônibus para matá-lo, e que o motorista era o chefe.”

Romildo tem razão. Bons jornalistas como ele, com décadas de apuração, entrevistas, checagem de fatos, suspeitam quando em questão de horas um acidente tão complexo, confuso, enigmático, tem suas causas reveladas.

De fato, como se sabe que o copiloto mexeu nos instrumentos se ninguém viu, não há imagem e nem áudio mostrando? Baseadas em que as autoridades partiram para a hipótese de um suicídio do copiloto.

Por outro lado (há sempre um outro lado, em qualquer notícia), a Germawings diz que não há nenhum documento atestando incapacidade psicológica do copiloto que estaria sem condições de voar. Ele teria destruído os documentos. A empresa pode estar falando a verdade, mas sempre é bom lembrar que caso fique provado que o avião foi atirado no chão por um copiloto que deveria estar de licença médica, todas as indenizações relativas aos mortos desabam sobre a ela, a empresa aérea. Por isso, é sempre melhor (para elas) e também para os fábricantes de aviões quando fica comprovada a “falha humana”. Toda a dinheirama relativa a indenizações decorrentes de problemas no avião ou não companhia aérea ficam automaticamente anistiadas.

É lógico que há fortes evidências sobre a participação do copiloto na queda do Airbus da Germanwings, mas prefiro seguir a trilha do amigo Romildo Guerrante e esperar os resultados oficiais da perícia. Até lá, por mais fortes que sejam os sinais, estaremos literalmente sobrevoando o terreno das especulações.