quarta-feira, 29 de abril de 2015

“Porque você é corrupto. E como corrupto é alcoólatra e como alcoólatra é viciado em cocaína e como viciado em cocaína é brocha e como brocha...e por aí vai, ladeira abaixo até a cela onde você mora hoje, seu canalha”

- Você deixou recado no meu celular e eu não gostei. Não gostei porque desde que a sua cara imunda apareceu em todos os jornais como corrupto, safado, moleque, salafrário, minha libido foi a zero e meu celular foi grampeado. Estou falando de um orelhão, raro orelhão, mas exijo que você não dê um pio. Se falar, desligo na sua cara, seu canalha.

É nessa época do ano que fico mais encharcada e você sabe disso. Quando eu, você e Telinha fomos para aquele resort em 2012, você mentiu. Disse que o dinheiro da estadia era seu, mas uma semana depois me ligaram (ligação anônima, lembra?), denunciando que nossos loucos dias de hedonismo tropical foram bancados pela estatal. Não gostei. Sou vadia? Sou. Sou vagabunda? Sou. Sou insaciável, ninfomaníaca? Sou. Mas quem me chamar de corrupta eu mato.

Estou ligando pela última vez. Telinha nem sabe que estou no orelhão. Ligo para te dizer que não fosse por ela, seu porco, não havia existido nada entre nós. Eu só te encontrava, simulava ser sua amante, amásia, sei lá o que, para justificar a presença de Telinha, ela sim, ela sim, ela sim...um ser que me sacia justamente por ser insaciável. Isso você não vai entender nunca porque enquanto eu e ela virávamos as noites trocando nossas seivas, nutrindo nossas línguas, sangrando nossas costas, você roncava bêbado, virado para o lado, sonhando com propinas, caixa 2, lambanças.

Nem pense em me responder agora...Se disser “alô” desligo o telefone. Claro que é uma despedida, seu animal. A possibilidade de eu me tornar zoófila não é tão remota assim, mas com porcos da sua laia eu não me deitarei jamais. Por que? Porque você é corrupto. E como corrupto é alcoólatra e como alcoólatra é viciado em cocaína e como viciado em cocaína é brocha e como brocha...e por aí vai, ladeira abaixo até a cela onde você mora hoje. Está gostoso aí? Tem pó? 
Tem grana suja? Tem falsas gargalhadas? Tem carreirismo?

Você nunca mais vai me ver porque a minha suposta imoralidade foi drenada para a libido, libido que você nunca teve, escondido atrás de ternos importados cafonas, famílias formatadas por revistas de pequenos burgueses, enfim, um moralista típico como todos os salafrários são. Desafio, moleque...desafio que cite um corrupto que não seja moralista. Um só. Não agora porque, já disse, não quero ouvir sua voz. Telinha deve estar acordando e hoje nós vamos transar a noite inteira. Ela não sabe, mas será em homenagem a sua prisão, seu velhaco, biltre, bisbórria, celerado, patife, tratante.


Não diga nada! Quem diz adeus aqui sou eu.