quinta-feira, 28 de maio de 2015

A importância visceral de Nova Friburgo

Ontem estava conversando com uma amiga sobre cidades serranas. Tudo começou quando ela entrou no Message do Facebook comentando o texto “Meu Afeto não se Encerra” que publiquei essa semana aqui na Coluna (http://www.colunadolam.blogspot.com.br/2015/05/o-meu-afeto-nao-se-encerra.html) . Foi quando lembrei que, afetivamente falando, Nova Friburgo teve uma importância crucial em minha evolução afetiva.

Nos anos 1980 me senti tão íntimo da cidade serrana que também comecei a chama-la apenas de Friburgo, abolindo o Nova, como fazem os locais que vivem lá e as pessoas que há anos curtem a cidade.

Também para mim os anos 80 foram cruciais, muita coisa aconteceu nos terrenos afetivo, profissional, existencial, transcendental, uma década de decisões (muitas) e indecisões (várias), que surfei na medida do possível. As trilhas de Friburgo, em especial de Macaé de Cima (Gaudinópolis, Lumiar, São Pedro, Rio Bonito de Cima) testemunharam momentos meus de total entrega e devoção aos sentimentos mais nobres, poéticos, singulares.

Se nas férias em Teresópolis vivi intensamente a segunda fase da minha adolescência, em Friburgo mergulhei na intimidade do afeto adulto, menos volátil, mais relaxado e contemplativo. Mergulhei nele como mergulhava nos rios que cortam a serra, sem medo, sem receios, sem condições. O afeto de Friburgo me ensinou a ser afetivamente incondicional.

Se sinto saudade? Não. Meus momentos em Friburgo (foram milhares), movidos a amanteigados, picanha na Rosa Amarela, maça do amor, circo com Egberto Gismonti tocando “Palhaço”, estão muito bem guardados em meus cofres, ao lado de outras vivências abundantes, generosas, íntimas.

Talvez por isso nunca mais tenha voltado a Friburgo porque, diz a lenda, não devemos retornar a lugares onde fomos afetivamente muito felizes porque a cena é outra e, principalmente, as protagonistas não estão mais lá. Ou seja, a Friburgo que tenho guardada não é a mesma que está a 200 quilômetros daqui.

Será?